Altair Magagnin

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Como a vitória de João Doria nas prévias do PSDB mexe no cenário eleitoral de Santa Catarina

Lideranças do partido falam que o momento é de reunificação após disputas internas em âmbito nacional; cúpula deve analisar cenário e eventuais novos nomes para a corrida ao governo do Estado

A vitória do governador de São Paulo, João Doria, nas prévias para a escolha do pré-candidato do PSDB à Presidência da República em 2022 trará reflexos naturais a Santa Catarina.

A exemplo do cenário nacional, o tucanato catarinense precisa de reunificação, após divisões internas puxadas pelo âmbito federal. Da mesma forma que fracassou com Geraldo Alckimin em 2018, o partido em Santa Catarina busca uma reconstrução após ficar fora do segundo turno, em uma coligação frustrada e de última hora com o MDB.

Doria vence prévias para disputar Presidência pelo PSDB em 2022 – Foto: Assessoria/Divulgação/NDDoria vence prévias para disputar Presidência pelo PSDB em 2022 – Foto: Assessoria/Divulgação/ND

A presidente estadual do PSDB em Santa Catarina, Geovânia de Sá, declarou que deve convocar uma reunião da cúpula estadual para analisar o resultado e os caminhos do partido.

Superadas as eleições, Geovânia entende que o momento é de reencontro.

“Sempre há um desgaste, pelas divergências de ideias, o que é natural. Acredito que o partido é muito maior do que qualquer discussão. Minha fala aos dois candidatos, em nome do PSDB de Santa Catarina, sempre foi para que a gente possa se unir em prol de uma candidatura e mostrar que o PSDB é capaz de construir um projeto para o desenvolvimento social e econômico do país”, disse Geovânia.

Até o momento, o ex-deputado estadual Gelson Merisio é o único que se apresenta como pré-candidato a governador. Merisio apoiava Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Aliás, a maior parte dos tucanos catarinenses assinou uma carta de intenções para votar em Leite.

A eleição de Doria nas prévias dá fôlego a outros nomes. O primeiro deles é do ex-ministro do Turismo, Vinícius Lummertz, que hoje é secretário de Turismo de Doria em São Paulo.

“Nós avaliamos como uma vitória da democracia. Sempre defendi João Doria porque ele representa a possibilidade de o Brasil retomar um protagonismo mundial que já teve. O populismo fez muito mal ao nosso país. Nossa economia despencou”, afirmou Lummertz, que defendeu a união nacional e estadual.

“Unido, o PSDB será o condutor da melhor via nas Eleições 2022. E isso também aqui em Santa Catarina, nós estaremos unidos com esse propósito”, completou o ex-ministro.

Sobre uma eventual candidatura, o entendimento é que esse não é um assunto para o momento, reforçando a prioridade para a unidade entre todos que participaram do processo de disputa entre Doria e Leite.

Se eventualmente surgir mais de uma candidatura, partiu de João Doria a sugestão da realização de prévias para a definição do nome em Santa Catarina. “Essa é uma decisão que cabe ao partido no Estado, nós temos grandes nomes em Santa Catarina”, disse Doria, em entrevista exclusiva à NDTV.

Assista à entrevista exclusiva de Doria à NDTV

O anúncio foi feito em Brasília no início da noite deste sábado (27), pelo presidente nacional da legenda, Bruno Araújo.

  • João Doria 53,99% dos votos
  • Eduardo Leite 44,66% dos votos
  • Arthur Virgílio 1,35% dos votos

A escolha foi feita por 30 mil filiados que participaram do processo de forma presencial ou remota. A decisão coloca fim à disputa interna e afunila ainda mais a busca entre os partidos do centro por uma terceira via.

Diferentemente do que ocorreu no domingo (21), quando o processo de votação foi suspenso em função de problemas técnicos no aplicativo original, a nova ferramenta funcionou bem ao longo deste sábado.

Mesmo assim, Araújo afirmou que o sistema de segurança do novo aplicativo barrou 26 mil tentativas de invasão.

Primeiros desafios

Com o fim das prévias, a partir de agora, são dois os principais desafios do candidato tucano.

O primeiro – e mais imediato – é conseguir pacificar internamente o PSDB. Desde o início da disputa, os grupos apoiadores de Doria e Eduardo Leite se enfrentaram fortemente, expondo a divisão que o partido vêm enfrentando nos últimos anos, desde a derrota de Geraldo Alckmin em 2018.

O ex-governador paulista obteve apenas 5% dos votos na primeira vez em que um candidato tucano não venceu uma eleição presidencial ou não chegou ao segundo turno desde 1989.

Bruno Araújo deve ajudar no trabalho de costura política para evitar que o resultado das prévias gere uma espécie de debandada dentro do partido.

Para ele, era esperado que as prévias acirrassem os ânimos. Assim como boa parte dos tucanos, Araújo gosta de ressaltar a falta de hábito entre os partidos brasileiros em relação a competições internas para definição de candidatos.

Antes do anúncio do resultado, Doria e Leite já buscaram passar uma imagem de união do partido, afirmando à imprensa que ambos estarão no “mesmo barco”, independentemente do vencedor.

“Nós legitimamos o PSDB, as prévias, o respeito pelos filiados, fizemos debates intensos, percorremos o País. Estamos no mesmo barco, e esse barco é o barco da democracia, da liberdade e do respeito pelos 33 anos do PSDB. Todos nós estaremos juntos a partir do momento do resultado, vencendo ou não vencendo, estaremos juntos.” João Doria, governador de SP

Leite seguiu na mesma linha e destacou que agora é hora de pensar nos reais problemas do País.

“Com absoluta tranquilidade, saberemos estar juntos para fazer enfrentamento dos reais adversários do Brasil, que são a inflação, o desemprego, a fome, o baixo crescimento econômico.” Eduardo Leite, governador do RS

Ambos reconheceram os debates intensos que permearam o processo de prévias, mas afirmaram que a união prevalecerá para apresentar uma alternativa ao Brasil.

“Nós queremos democracia no Brasil, não queremos que a situação atual prossiga, nem no radicalismo da extrema direita nem a volta da extrema esquerda, queremos novo caminho de entendimento”, afirmou Doria, para quem “certamente” o partido será parte de uma “grande coalizão” de siglas interessadas em seguir por esse caminho.

Também candidato no processo, o ex-senador Arthur Virgílio citou a presença de bolsonaristas no PSDB como uma das dificuldades para essa união interna.

“Ela (a bancada bolsonarista) faz dobradinha com Bolsonaro, vai lá e vota contra decisões da própria diretiva. O tempo inteiro (das prévias) disse que era preciso ‘desbolsonarizar’ o PSDB”, afirmou.

“Nós não vamos poder continuar com essa dicotomia de bolsonaristas e não-bolsonaristas. Nós temos que chamar essas pessoas para o nosso redil e as que não forem do nosso redil, por favor procurem outro (partido).”

Alianças

O segundo desafio projetado agora é fazer a candidatura ganhar tração no cenário nacional. Com a demora na definição, o PSDB acabou vendo a pré-candidatura do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro ganhar espaço e adesões.

Como corre no mesmo campo da chamada terceira via e mira também no eleitorado de centro, centro-direita e direita (especialmente nos desapontados com o governo Bolsonaro), o PSDB ganhou um concorrente forte na briga por esse voto.

Apesar disso, em entrevista ao Estadão, Bruno Araújo não se mostrou preocupado com o problema.

“Acho que a candidatura do Moro tem um papel muito importante de discussão e construção. Moro é visto como um agente catalizador do campo do centro e não como adversário. Ele é visto como um protagonista que vai jogar junto para permitir que haja um segundo turno diferente dessa polarização”, afirmou.

Com informações de Marcelo de Moraes e Felipe Frazão do Estadão

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