“Covid ainda vai permanecer por longo tempo”, diz secretário de Saúde de Joinville

Em entrevista ao ND+, Jean Rodrigues falou sobre os desafios relacionados à pandemia e outros planos para a pasta

O secretário Jean Rodrigues é o entrevistado desta sexta-feira (22) na série de entrevistas do ND+ com os titulares das pastas no novo governo. Ele continua na Secretaria de Saúde nesta administração e falou sobre os desafios e planos da área.

Jean é servidor público da área de saúde há 19 anos, é técnico em Desenvolvimento Regional e especialista em Redes de Atenção à Saúde. Desde 2017, é secretário de saúde e diretor-presidente do Hospital Municipal São José.

Jean Rodrigues continua à frente da Secretaria de Saúde – Foto: Rogério da Silva/NDJean Rodrigues continua à frente da Secretaria de Saúde – Foto: Rogério da Silva/ND

“Já tenho um ritmo de trabalho um pouco mais acelerado porque a gente tem muitos desafios na saúde e todas as outras áreas estão interagindo na mesma velocidade, o que nos traz respostas rápidas. A satisfação é imensa”, diz. Confira a entrevista:

Quais os principais desafios e prioridades da pasta?

O primeiro ponto que a gente está enfrentando nesse novo planejamento estratégico é justamente a estruturação da rede de saúde para absorver a Covid-19 dentro do circuito. O que a gente tem feito desde o ano passado é adaptar a rede como se a doença fosse passageira e, na verdade, vimos que, apesar da vacina, ela ainda vai permanecer conosco por um longo tempo, seja pelos casos agudos, seja pelo pós-Covid, que ainda está aparecendo.

O segundo grande desafio é a ampliação da prestação de serviços de média e alta complexidade para a população por meio de mutirões que vamos lançar. Ao longo dos últimos onze meses, na rede pública e privada, praticamente não foram feitos exames ou cirurgias e a gente precisa retomar esses processos. Preciso inserir a Covid-19 como mais uma patologia e reativar os atendimentos de saúde.

O terceiro desafio é a implementação da organização social no Hospital São José, que é uma meta do plano de governo e vai ser executada. Nós estamos procurando hospitais de excelência para fazer benchmarking e montar o plano de negócios e, depois, fazer a seleção de uma OS. Não vamos pegar um modelo pronto nem vamos desenhar um modelo na secretaria. Vamos pegar uma consultoria e, a partir dos recursos do SUS, montar esse plano de negócios. Já fizemos reuniões com o Hospital Albert Einstein e com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Hospital São José deve ser administrado por organização social – Foto: Carlos Jr./NDHospital São José deve ser administrado por organização social – Foto: Carlos Jr./ND

Quais são os planos em relação ao atendimento de pessoas que tiveram a Covid-19?

Desde novembro, estruturamos um ambulatório de pós-Covid que estava engatinhando e que agora está ganhando força para os pacientes que saíram da UTI. Só que estamos ampliando esse projeto para pessoas que tiveram Covid com sintomas leves ou moderados e estão com desafios de saúde. A princípio, o nosso público-alvo são 3.500 pessoas que passaram pelas UTIs ao longo desse processo. Com a ampliação para moderado, vai ter mais umas 15 mil pessoas. Então, já podemos arredondar para 20 mil atendimentos.

Qual o maior desafio em relação ao atendimento da Covid-19 na cidade?

Nós sabemos do desafio da questão cultural, a gente tem muito negacionismo. Existe ainda uma dualidade nesse processo em relação ao que é feito, tanto que as medidas de prevenção são implementadas e não se consegue ter uma linha de unanimidade. O maior desafio é implementar uma comunicação que consiga diminuir esse ruído que existe.

Claro que também temos a ampliação da rede de saúde, a melhora do processo de diagnóstico e do resultado de exame, o acompanhamento em tempo real de todas as pessoas com a Covid e a ampliação da imunização, que também são desafios. Mas todos a gente consegue procurar melhorar corrigindo processos e usando a tecnologia.

O que se tem planejado em relação à atenção primária na cidade?

Essa temática é tranquila de abordar porque ao longo dos últimos três anos nós ampliamos a rede. Hoje, há uma cobertura territorial de 93% pela estratégia de saúde da família e os outros 7% pela estratégia de saúde tradicional.

O próximo passo é a qualificação da prestação de serviço. Essa atenção primária resolve até 80% das demandas de saúde. Nosso grande desafio de planejamento nesse início de gestão é a qualificação por meio da implementação de equipes multidisciplinares nos territórios. Já estamos implementando psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos justamente para melhorar a qualidade do atendimento e melhorar lá na ponta.

Além disso, estamos finalizando um processo de integração da rede, que possibilita que todos os pontos da rede estejam interligados, permitindo que os profissionais conheçam o histórico do munícipe onde ele for.

Qualificar atendimento nas unidades de saúde está no planejamento da secretaria – Foto: Divulgação/NDQualificar atendimento nas unidades de saúde está no planejamento da secretaria – Foto: Divulgação/ND

A Secretaria de Saúde absorveu a questão animal neste ano. Como está o planejamento para a área?

Nós estamos fazendo um diagnóstico e, na próxima semana, já devemos sentar com a equipe que atua na área para entender os desafios que se tem hoje para depois fazer o planejamento da área. Já participo de reuniões com as universidades para implementar essa política. Também estou absorvendo a escola de saúde, que era vinculada à Secretaria de Educação. Vamos montar uma estrutura vinculada à saúde, aproveitando o que já se tem lá, mas com ênfase na formação de servidores.

O que já se tem planejado em relação à formação e à valorização dos profissionais?

Essa temática está sendo desenvolvida em conjunto com a Secretaria de Gestão de Pessoas. Contudo, eu lancei um processo seletivo para a composição dos quadros de gestão com os concursados, dando ampla concorrência e beneficiando aquele que mais se capacitou e tem mais experiência na área. É um processo de meritocracia, em que todo mundo vai ser observado e serão escolhidos os que têm maior capacitação nesse momento.

Como tem funcionado a telemedicina hoje no município e o que se tem previsto?

Já temos isso desde o ano passado. Já testamos consultas especializadas de ortopedia, vimos que é viável e vamos ampliar para outras especialidades que são possíveis. Estamos participando de um projeto com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que é com endocrinologistas em relação à diabetes. Estamos validando esse processo pra ver a eficiência dessa consulta em detrimento de uma consulta presencial.

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