De olho no governo do Estado, Gean se despede da prefeitura

Com 30 anos de vida política, atuando no Legislativo e Executivo, prefeito da Capital entrega administração a Topázio Neto, acreditando em uma continuidade

A partir das 19 h desta quinta-feira (31), Gean Loureiro (União) deixa de ser o prefeito de Florianópolis. Ele encerra um ciclo de seis anos na administração da Capital com a intenção de concorrer ao posto de governador do Estado. Em seu lugar, assume o vice-prefeito Topázio Neto (Sem partido).

Por determinação da legislação eleitoral, presidente da República, governadores e prefeitos que pretendem concorrer a outros cargos nas eleições devem renunciar aos mandatos até seis meses antes das eleições, marcadas para o dia 2 de outubro.

“Eu me sinto uma pessoa mais preparada. Cheguei no meu melhor momento político” – Foto: Leonardo Sousa/PMF/ND“Eu me sinto uma pessoa mais preparada. Cheguei no meu melhor momento político” – Foto: Leonardo Sousa/PMF/ND

Em seus últimos momentos como prefeito da Capital, ele recebeu a reportagem do ND e falou sobre a experiência adquirida nesses 30 anos na vida política, o período no comando da cidade, a decisão de concorrer a governador e os desafios à frente do maior posto político do Estado.

“Mantive a mesma garra e vontade, mas hoje com muito mais experiência administrativa e vivência política. As próprias dificuldades que enfrentei me fizeram uma pessoa que valoriza ainda mais a família. Eu me sinto uma pessoa mais preparada. Cheguei no meu melhor momento político”, disse Gean, que completa 30 anos na carreira política neste ano. Hoje com 49 anos, foi eleito pela primeira vez aos 19, como vereador de Florianópolis.

Gean lembrou que ao longo de sua carreira exerceu todas as funções públicas, o que lhe tornou, segundo avalia, um gestor mais eficaz. Foi vereador por cinco mandatos, deputado estadual e federal, além de ter passagens por secretarias municipais e comandar a antiga autarquia estadual Fatma (Fundação do Meio Ambiente), hoje IMA (Instituto do Meio Ambiente).

“O fato de ter passado pela Câmara de Vereadores e conhecer o dia a dia me serviu muito como prefeito, para entender o trâmite legislativo. O fato de ter presidido o Legislativo também me ajudou, porque sei o funcionamento de quem comanda a Casa. Ocupei sete secretarias municipais que me fizerem conhecer a fundo a prefeitura. Logo depois, tive oportunidade de assumir como deputado federal, minha grande escola política nacional”, comentou.

Momento crítico da cidade

Gean Loureiro assumiu a prefeitura durante um momento crítico da cidade. Havia muitos problemas, como fila de espera nas creches municipais, até então com quase quatro mil crianças, e dificuldades em contrair empréstimos e financiamentos.

“Um grande orgulho de ter sido prefeito de Florianópolis” – Foto: Leonardo Sousa/PMF/ND“Um grande orgulho de ter sido prefeito de Florianópolis” – Foto: Leonardo Sousa/PMF/ND

“Fui prefeito em um momento difícil. Pegamos uma administração com muitos problemas. Mas saímos de uma realidade e passamos para outra. Pegamos uma cidade que estava no vermelho e deixamos no azul”, afirma.

Nos dois últimos anos de seu mandato, Gean enfrentou momento crítico com a pandemia, que segundo ele, o fez crescer como gestor. “Uma decisão podia significar vidas. Naquele momento, muitos diziam que a saúde era inimiga da economia e provamos que não, preservamos todas as vidas, priorizou a ciência e a saúde, e ao mesmo tempo Florianópolis foi a cidade que mais gerou emprego no ano passado em Santa Catarina”, justificou.

Decisão de renunciar

A experiência como prefeito fez Gean pensar em voos mais altos na carreira política. Já na formação da chapa para reeleição em 2020, ele teria tomado a decisão de pleitear candidatura a governador. A própria escolha de Topázio como vice-prefeito demonstrava um direcionamento, um preparo para uma eventual candidatura.

“Eu sabia que um resultado positivo nas eleições me fortaleceria politicamente, mas o resultado à frente da gestão é que me fortaleceria”, comentou. Ele deixa a prefeitura com índice de aprovação de 81%.

Desejo de ser governador

Para Gean, o cargo de governador é o auge da política de Santa Catarina. E se diz preparado administrativamente para pleitear a função, por conhecer toda a estrutura política, as regiões e saber como ser o condutor de um processo de desenvolvimento.

“O Estado ao invés de atrapalhar ou ser omisso, ele tem que participar efetivamente para gerar maior competitividade de nossa indústria” – Foto: Leonardo Sousa/PMF/ND“O Estado ao invés de atrapalhar ou ser omisso, ele tem que participar efetivamente para gerar maior competitividade de nossa indústria” – Foto: Leonardo Sousa/PMF/ND

“Sou um cara que acordo muito cedo, durmo muito tarde, sou organizado, dou metas para a equipe, cobro. Isso é fundamental para quem lidera um processo. O governador tem que ter presença mais marcante em todas as regiões. Temos ‘capitais’ em todas as regiões, cada uma com sua caraterística socioeconômica. Um governador tem que estar preparado para isso, formar uma boa equipe, muita vontade de trabalhar”, avaliou.

A decisão de colocar o nome como pré-candidato ao governo do Estado teve apoio da mulher e das quatro filhas. “Foi feita em conjunto com a família”.

Relação com Topázio

Ele se sente seguro e confortável em passar o cargo para Topázio Neto. Diz que nos últimos dois anos, a prefeitura foi comandada por quatro mãos. Gean fez questão de frisar que a sucessão no cargo não significa a chegada de um novo grupo politico, ou seja, será uma continuidade de sua gestão. “Temos uma relação de lealdade e amizade. Ele será um grande prefeito”, ressaltou.

Estado mais competitivo

O grande desafio de quem for comandar o Estado a partir do próximo ano, é torná-lo economicamente mais competitivo. “Não podemos imaginar um agronegócio com dificuldade de abastecimento de energia, sem capacidade de receber os insumos e escoar a produção até os portos com rodovias impossíveis de se transitar”.

“Um Estado com falta de mão de obra e, ao mesmo tempo, com desempregados. Não podemos imaginar uma politica tributária que não estimule os setores da economia que vivem momentos de dificuldades que precisam resistir para garantir emprego e renda para as pessoas “, opinou.

Orgulho de ser prefeito

“Tenho que agradecer muito. A cidade foi muito colaborativa comigo. Conseguimos unir setores empresarias, comunitários, um representação e capacidade de diálogo muito grande. Não fiz uma administração com radicalismo. Sentimento de dever cumprido, deixar um legado, cumprir a missão como prefeito. Um grande orgulho de ter sido prefeito de Florianópolis.”.

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