Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


“Efeito do fim das coligações proporcionais vai ser a diminuição dos partidos”

Avaliação é do cientista político Julian Borba, que também falou sobre reflexos da campanha mais curta por conta da pandemia

O cientista político Julian Borba, professor da UFSC em Florianópolis, afirma que as limitações impostas pela Covid-19 exigiram o uso ainda mais intensivo das redes sociais nas eleições 2020 e que campanhas reduzidas têm, no geral, mais efeitos negativos do que positivos. Para ele, o “tempo da política” é importante para o eleitor formar sua opinião sobre as candidaturas .

Julian Borba, cientista político – Foto: Divulgação/ND

As eleições 2020 foram de reinvenção, palavra de ordem desde o início da pandemia, ou de mesmice?
Em alguns aspectos foi a eleição da reinvenção, pois mudaram algumas regras importantes (fim das coligações nas proporcionais), o que exigiu novas estratégias de posicionamento dos partidos.

A pandemia estimulou o uso ainda mais intensivo das redes sociais. Outra reinvenção interessante, mas que ainda necessita ser avaliada em seus efeitos, é a ampliação do número de candidaturas coletivas.

A campanha reduzida, por conta da Covid-19, foi prejudicial à escolha do eleitor ou, pelo contrário, pode ser modelo para os próximos pleitos?
Campanhas reduzidas podem ter menores custos, mas no geral vejo mais efeitos negativos que positivos, especialmente no processo de formação da opinião.

Como a política é algo que não faz parte do cotidiano da maioria da população, o chamado “tempo da política” é importante no sentido do eleitor receber informações, conversar com vizinhos e amigos, ficar mais atento ao que acontece nas redes sociais, e numa campanha reduzida e com todas as limitações da pandemia, este processo é bastante prejudicado.

Quais os principais reflexos do fim das coligações proporcionais, que passaram a valer em 2020, sob o ponto de vista do eleitor e dos candidatos?
Vejo que o principal efeito vai ser a diminuição do número de partidos representados no legislativo. Acredito que isso terá consequências futuras positivas para o eleitor (especialmente a simplificação do processo eleitoral) e para a governabilidade.