As estratégias para campanha eleitoral deste ano

Eleições 2012. Presidentes dos maiores partidos políticos do Estado começam a definir os candidatos a prefeito

A corrida eleitoral deste ano já está com os primeiros lances definidos pelos seis principais partidos políticos atuantes no Estado, que juntos administram 94% dos 293 municípios catarinenses.
O PSD, PMDB, PSDB, PP, PT e DEM pretendem manter a hegemonia política e por isso estão reforçando as estratégias de buscar ampliar as alianças para fortalecerem seus principais candidatos a prefeito nos polos regionais.
A partir desta semana, os presidentes das seis siglas vão ampliar as viagens pelo Estado para concluírem as negociações para as coligações e definirem quem serão os candidatos majoritários.
Além de alianças entre esses seis partidos, eles terão conversas com representantes de outras siglas menores que também pretendem apresentar seus candidatos. No Tribunal Superior Eleitoral existem o registro de 40 siglas e maioria delas terão seus candidatos nos municípios como forma de se apresentarem aos eleitores.
Entre 10 e 30 de junho, os partidos escolherão em convenção os candidatos a prefeito, vice e vereador e, a partir de julho, começam a propaganda e os comícios. Nos planos dos presidentes, além das eleições deste ano, também estão as expectativas dos resultados para 2014, quando haverá a disputa pelos cargos de deputados estaduais e federais, senadores, governo do Estado e a presidência da República. Quanto mais forte o partido nos municípios mais poder de barganha ele tem para participar da eleição estadual e nacional.

As definições em Florianópolis e em Joinville

 
Florianópolis, Joinville, Blumenau, São José, Criciúma, Lages, Chapecó são considerados pontos estratégicos para os partidos. Os pequenos municípios dão “musculatura” para as siglas, porém os maiores neste momento são prioridades por causa da influência que eles exercem em suas regiões, destacam os líderes partidários.
Em Florianópolis, o PSD e o PP fecharam acordo com as candidaturas do deputado estadual Cesar Souza Júnior e o vereador João Amin. O PMDB, que tem como pré-candidato o secretário de governo da prefeitura, Gean Loureiro, busca o vice entre o PSDB e o DEM. O PT caminha para uma aliança com o PCdoB que terá candidato a prefeita a deputada Angela Albino.
Em Joinville, maior colégio eleitoral do Estado, o PMDB definiu pelo nome do empresário Udo Döhler, o PSDB pelo nome do deputado federal e ex-prefeito Marco Tebaldi, que poderá ter o apoio do DEM, o PT tem como candidato à reeleição o prefeito Carlito Merss, que terá apoio do PP.
A dúvida fica em quem será o candidato do PSD, que tem dois deputados estaduais como pré-candidatos: Kennedy Nunes e
Darci de Matos.

PMDB quer manter a hegemonia política

O maior partido catarinense, com 114 prefeitos e diretórios em todos os municípios, o PMDB tem como meta ampliar o número de prefeituras administradas, totalizando 130, nas eleições deste ano, revela o presidente estadual, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Ele diz que o diagnóstico é animador e até ousado, mesmo respeitando as demais siglas. “O sentimento é muito forte. O PMDB de Santa Catarina é o mais, proporcionalmente, em todos os níveis do Brasil, por isso há essa expectativa”, destaca.
Segundo ele, a orientação é para lançar candidatos a prefeito na maioria das cidades, mas onde não houver, deverá ser indicado o vice. Ele revela que o PMDB não terá candidatos a prefeito em Blumenau, Itajaí e Chapecó, mas como tem uma estrutura forte está sendo convidado pela maioria das siglas para compor a chapa. Moreira diz que não há vetos para alianças e que semanalmente tem recebido as executivas municipais para tratar das eleições, mas que a partir de abril, todas as quintas, sextas e sábados estará percorrendo o Estado em companhia dos senadores Luiz Henrique da Silveira e Casildo Maldaner, além de deputados federais e estaduais.

PSDB terá candidatos em 150 municípios

O presidente estadual do PSDB, o ex-governador Leonel Pavan, afirma que o partido já definiu que terá candidatos majoritários em 150 municípios e que a meta é dobrar o número de 35 prefeitos que a sigla tem em Santa Catarina. “E se possível dobrar o número de vereadores que hoje é de 327”, complementa.
Segundo ele, não há veto ou restrições a possíveis coligações. “Vamos respeitar as decisões dos diretórios municipais, sempre levando em conta que se possível o cabeça de chapa seja de nosso partido”. Pavan ressalta que o PSDB estadual só irá intervir em negociações e composições em cidades onde sentir que o interesse pessoal é maior que o interesse da cidade e do partido. “Vamos olhar a viabilidade eleitoral, a composição e a importância de ceder ou não ceder em benefício ao outro”, complementa. 

DEM quer recuperar espaço perdido

Com a saída de todos os 49 prefeitos eleitos em 2008, que migraram para o PSD, o Democratas quer aproveitar a eleição deste ano para recuperar o espaço perdido. A sigla conta com 12 vice-prefeitos e 54 vereadores que resistiram ao assédio do PSD, por isso o presidente estadual da legenda, Paulo Gouvêa da Costa, diz que a meta genérica é eleger o maior número possível de prefeitos, especialmente em cidades com maior expressão em suas regiões. 
Sobre vetos, ele explica que por decisão da executiva nacional do partido, só em relação ao PT, por dois motivos: diferenças ideológicas e programáticas e a reciprocidade – o PT também proíbe alianças com o DEM em todo o país
Ele ressalta que “há uma tendência, não oficializada, de evitar aliança com o PSD. Em ambos os casos poderá haver exceções com expressa autorização das executivas estadual e nacional”.
Gouvêa ressalta que a sigla pretende aproveitar o horário eleitoral, a partir do dia 11 de abril, para divulgar as propostas da sigla. Quanto às perspectivas de eleição, seja como candidato a prefeito ou a vice, ele diz que sente que esses entendimentos estão mais adiantados em Blumenau, Joinville, São José, Chapecó e Itajaí.

O primeiro teste eleitoral do PSD

Criado no ano passado, o PSD tem seu primeiro teste nas urnas em outubro deste ano. Com 59 prefeitos, na maioria ex-DEM, o partido pretende lançar de 170 a 180 candidatos a prefeito com a estimativa de eleger até 90 prefeitos, informa o presidente da legenda, deputado Gelson Merísio.
Ele diz que por ser uma sigla nova não haverá vetos a coligações, apesar de haver um encaminhamento natural para alianças com siglas que fazem parte da base do governo Raimundo Colombo (PSD).
A prioridade será por candidaturas em cidades-polos, com destaque para Florianópolis, Joinville, Chapecó, Blumenau e Lages. Para articular as coligações e incentivar as candidaturas, Merísio diz que todas as sextas-feiras, sábados e segundas-feiras percorrerá o Estado, junto com deputados e lideranças regionais da sigla.
“A orientação é de que até final deste mês tenhamos definidos os candidatos a prefeito. Somente em Joinville, onde há dois pré-candidatos fortes, os deputados Kennedy Nunes e Darci de Matos, além do respeito ao senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), a definição de quem será o candidato ocorra até o final do mês de junho”. O partido terá o apoio do PSB, num acordo estadual, e busca ampliar as coligações.

PT quer dobrar número de prefeitos

O PT catarinense tem como meta, nas eleições deste ano, dobrar o número das atuais 37 prefeituras administradas, além de recuperar aquelas que já foram do partido, como Blumenau, Chapecó e Itajaí, revela o presidente estadual da sigla, José Fritsch.
Ele explica que a executiva nacional determinou que a sigla não realize coligações com os partidos que são oposição ao governo federal, o PSDB, DEM, PSDB e o PSD. Para ele, apesar do PSD não se declarar de oposição tem no seu DNA a história do DEM, com influência do ex-senador Jorge Bornhausen, por isso existiria essa decisão no Estado.
As prioridades são Joinville, Florianópolis, Criciúma, mesmo que apresenta candidato para vice-prefeito. “Queremos governar, mostrar o jeito petista de administrar. Estamos mantendo conversações com as outras siglas”.
Os candidatos e coligações devem estar fechadas até o final de maio e para isso ele tem se dedicado a viajar o Estado para incentivar as candidaturas. “São de três a quatro reuniões por dia”, enfatiza. Sobre coligações ou candidatura própria, Fritsch diz que cada município vai definir sua situação. “Os filiados do PT é que definem. Respeitamos a realidade de cada cidade. Não vamos impor candidaturas”, complementa.

PP deflagra campanha em abril

A partir de abril, o presidente estadual do PP, deputado Joares Ponticelli, vai sair de licença da Assembleia Legislativa por dois meses para fortalecer os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador. Segundo ele, o PP almeja, em 2012, repetir o êxito das eleições de 2004, quando a sigla elegeu a 55 prefeitos, mais da metade dos candidatos lançados.
“Somos o segundo maior partido em filiados no Estado. O momento em Santa Catarina é favorável. Integramos a base do governo federal, com reflexos positivos. O PP também ganhou uma nova perspectiva a partir do momento da parceria com o governador Raimundo Colombo, que nos dispensou um atendimento republicano, salutar”.
Ponticelli diz que o PP não descarta nenhum tipo de aliança e os diretórios municipais têm autonomia para escolher a melhor coligação. “Encaramos como aliado preferencial o PSD, pela nossa atitude de parceria com o governador Colombo, a quem apoiamos na Assembleia Legislativa”. Para Ponticelli, O PP vive um momento de maturidade. “Deixamos de ser um partido solitário e nossas perspectivas eleitorais são otimistas. Faremos uma grande eleição, fortalecendo nossa posição para 2014”.

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