Candidata a prefeita de Blumenau, Debora Arenhart (Cidadania) apresenta plano de governo

Ela é a nona postulante ao cargo máximo do município a detalhar propostas na série de entrevistas com candidatos promovida pelo Grupo ND

Concorrendo à prefeitura pela primeira vez, Debora Arenhart (Cidadania) foi entrevistada pelos jornalistas do Grupo ND nesta sexta-feira (23). Ela detalhou propostas de governo e falou porque quer ser prefeita de Blumenau.

Candidata à prefeitura de Blumenau, Debora Arenhart (Cidadania) apresenta propostas de governo – Foto: Moisés Stuker/Grupo ND

Debora é natural de Blumenau e, aos 56 anos, aceitou concorrer ao cargo máximo do município em sua primeira participação em eleições como candidata. Formada em Direito, atuou em ONGs e como professora universitária.

A política partidária surgiu, segundo ela, da vontade de promover as mudanças que acredita serem necessárias para melhorar a vida dos cidadãos.

“Eu quero ser prefeita de Blumenau porque, ao longo da minha vida no Terceiro Setor, eu sempre percebi que o gestor público chega, se elege e depois desaparece. Eu não pretendo desaparecer. Ficarei quatro anos na administração pública, cuidando das pessoas, dos bairros, porque eu me propus à isso. Eu tenho condição, conhecimento e vivência para que isso aconteça, Blumenau não é um trampolim para mim, eu ficarei aqui quatro anos porque sou daqui, sou filha de Blumenau, filha do Garcia. Eu tenho o propósito de cuidar de Blumenau, não tenho medo do trabalho, por isso eu me candidatei e pretendo que as pessoas acreditem em mim”, afirma.

Confira a seguir as entrevistas de Debora Arenhart para o ND+ e para o programa Balanço Geral:

ND+: Caso a senhora seja eleita, vai assumir a cidade durante a pandemia de coronavírus. Como a senhora pensa na gestão da cidade, considerando a questão sanitária e a questão econômica?

Debora Arenhart: Essa pergunta é muito importante, porque se a gente pensar nas questões sanitárias, de prevenção das doenças e de pandemias que muitas vezes assolam as cidades, os estados, os países, o mundo… O mundo se assustou com esse covid-19 e a gente pode perceber que as pessoas mais frágeis eram mais suscetíveis a doença, então, não foram poucas as pessoas que falaram “olha, os idosos deveriam ser preservados, porque eles têm mais risco”, ou pessoas com comorbidades, pessoas que tinham doenças prévias com maior seriedade, como os diabéticos, hipertensos, cardiopatas, então são pessoas bem mais frágeis. 

É que muitas outras pessoas poderiam continuar trabalhando, mas com os cuidados preventivos, como máscaras, como álcool gel, como lavar a mão com frequência, como fazemos hoje, e as coisas foram voltando ao normal de forma sistemática. Então, se percebeu que com esses fechamentos tão radicais não mudou a forma do vírus agir, porque a gente viu que, agora, os supermercados continuaram abertos, ou então os funcionários dos supermercado teriam morrido todos, e na verdade não aconteceu isso.

Os pequenos comércios sofreram muito. No nosso governo a gente pretende, eu sei que a pandemia vai continuar existindo até que venha uma vacina segura para todos e que seja aprovada pela Anvisa, mas eu imagino que se nós tivermos condições de dizer aos nossos comerciantes que têm contato com as pessoas, que servem principalmente os alimentos, que continuem como estão fazendo agora, com higienização, com cuidados, com máscaras, e os alimentos serem servidos de forma que as pessoas levem para casa, não comam nos restaurantes, aí os pequenos e médios restaurantes não sofreriam tanto. Muitos fecharam as portas porque não suportaram mesmo estar completamente fechados com os custos ainda acontecendo, com tributos vindo e eles não tendo a venda dos seus produtos.

Então, infelizmente, houve essa conta que os menores estão pagando. Nosso governo pretende realmente fomentar os menores, os pequenos, os microempreendedores individuais, fazer com que eles possam trabalhar dentro da segurança mas que não precise fechar suas portas, e provavelmente ano que vem teremos a vacina, se Deus quiser, teremos a vacina, creio que já vai mudar o cenário de todo mundo. 

ND+: A senhora diz que vai “trabalhar para a valorização dos profissionais da educação”, que é de fato um dos problemas da educação do município. Como a senhora pretende valorizar os professores?

Arenhart: O dinheiro municipal deve ser revertido para as coisas que realmente são importantes. Eu vejo que o município muitas vezes tem alguns gastos, isso sem querer julgar ninguém, eu acho que cada administrador tem a sua maneira de administrar, e a minha maneira será pegar esse dinheiro que existe no município e reverter às pessoas da base da sociedade. Não existe profissão sem professor. Eu sou presidente de ONG (Organização Não Governamental) há 18 anos, hoje licenciada, e eu sempre estive à frente de escolas, de creches, de CEIs (Centros de Educação Infantil) e sempre recorrentes eram as greves. Nós sabemos que na história de Blumenau, embaixo da Figueira, são as greves de professores. E eles não podem ter que necessariamente, obrigatoriamente, fazer greve pra ver os seus direitos garantidos.

Eu tenho bastante preocupação com os professores, com os ACTs (Admitidos em Caráter Temporário), que precisam ser contratados, ter a documentação deles em dia, de três em três meses eles são obrigados a ir lá fazer tudo de novo, a recontratação, isso não é justo nem com a Educação. As escolas também, aquela escola da Rua Pedro Krauss que caiu em 2008, nada foi feito ainda, nós temos que encontrar uma solução, não pode ser que as crianças lá daquela região, que não é uma região tão pequena, tenham que vir para o Centro, no (EEB) Pedro II, ou lá no Garcia na (EEB) Arno Zadrozny, isso também não é justo, deve existir uma forma. Sim, lá é uma área de risco, realmente caiu tudo, veio tudo abaixo, mas nós temos engenheiros competentíssimos no município que podem nos ajudar a encontrar a solução e a educação voltar a ser prioridade.

Educação tem que ser prioridade, as nossas crianças precisam ter qualidade de ensino, elas precisam ter oportunidades como todas as crianças que estão nas escolas particulares, onde para eles não acontecem as greves. Enquanto, as escolas particulares estão em aula, aprendendo, desenvolvendo, os nossos pequenos das escolas públicas estão em casa porque os professores são obrigados a fazer greve para ver os seus direitos garantidos. Isso não é justo, nem para os professores e nem para as crianças. 

 

ND+: Na questão do planejamento urbano, um dos pontos que a senhora destaca no plano de governo é o investimento na adequação das calçadas – o que de fato é importante para qualificar a mobilidade – porém esbarra no fato de ser responsabilidade do proprietário do espaço. Como a senhora pretende fazer isso? A prefeitura vai fazer e vai cobrar do cidadão?

Arenhart: Os presidentes das associações de moradores serão nossos parceiros. Eu já os conheço, conheço muitos deles há muitos anos e como eu venho do Terceiro Setor e com 18 anos como presidente de ONG, eu conhecei e tive oportunidade de conhecer agora durante a nossa campanha muitos presidentes de associações, e eles são muito interessados e têm muito contato com as pessoas de onde eles moram. Eu tive oportunidade de conhecer uma rua onde as crianças tinham que concorrer com ônibus, com caminhão, com carro para ir para a escola, porque aquela calçada que está lá é uma calçada de via pública, não tem nenhum terreno ali, até porque logo depois vem um riachinho que está a céu aberto também, está sendo jogado esgoto ali, olha quanto problema.

A nossa administração pretende muito estar nos bairros, com os presidentes de associações, com as intendências, eu tenho certeza que a gente encontrará um denominador comum, que não vai se onerar as pessoas, que muitas vezes não tem nem condição, e que o município pode então, quem sabe, fazer uma parceria. Nós temos tantas construtoras aqui em Blumenau que fazem obras bonitas em locais que, muitas vezes, eles podem fazer com sobra de material, não precisa gastar fortunas e fazer uma calçada que o município… não é nada disso, é uma parceria mesmo. Nesses 18 anos que eu sou presidente nós tivemos muita parceria com construtoras e toda vida eu conversava com eles sobre isso, inclusive pela segurança das crianças que iam para a escola competindo com carros, com ônibus, em locais mais perigosos onde as crianças ficavam expostas a atropelamentos, e eles disseram que têm toda a boa vontade de andar de mãos dadas, porque Blumenau também interessa para eles, também têm interesse que aquelas regiões cresçam e apareçam e que, daqui a pouco, eles terão investimento lá também, em construção de prédios, de obras de qualquer outra sorte.

Então, eu te digo que não é impossível o administrador público ir para os bairros, as intendências, as presidências de associação de moradores. Nós podemos nos unir e fazer mutirões. Eu sei que é a preocupação das pessoas, às vezes porque eles têm um terreninho e dizem “Poxa, mas eu não tenho como pagar esse calçamento, é muito caro”, e realmente para muitas pessoas o é, e o município não tem que ter esse papel de punir e sim de buscar soluções para a sociedade e para a cidade. E e essa solução eu vou encontrar, porque eu vou para os bairros. Eu tenho certeza que os dois primeiros anos do nosso governo será de botar em ordem a casa, tenho certeza. 

 Confira na íntegra a entrevista para o Balanço Geral: 

ND+: Uma das suas propostas para a saúde é “adequar as estruturas físicas e humanas para novo modelo de financiamento da atenção básica”. Que novo modelo é este e o que precisa ser adequado, na sua visão?

Arenhart: Nós temos conversado bastante com as pessoas ligadas à saúde de Blumenau, então a gente pensou o seguinte: se as nossas intendências estão fortalecidas, nessas intendências temos que fazer um investimento maior, inclusive da triagem e do recebimento das pessoas. Porque se as pessoas dos bairros confiarem nos seus postos de atendimento inicial, esse atendimento primário, e onde não é nada grave, eles podem ser feitos ali nos bairros.

Os hospitais sempre nos dizem que estão abarrotados de coisas que não precisariam ir ao hospital e hoje, até com a  pandemia nós vimos, o relato das próprias pessoas dos hospitais, dos prontos-socorros, dizem que muitas vezes as pessoas vão porque imaginam que o pronto-socorro vai ser mais rápido o atendimento, e muitas vezes está tirando o atendimento de alguém que chegue grave. Então, essa otimização desses atendimentos nos bairros tem que priorizar a chegada das pessoas e elas se sentirem seguras lá.

Não é um investimento tão alto, é só ter coisas básicas, ter um ultrassom muito bom ali, isso também não é um investimento tão alto assim, com parcerias público-privadas a gente consegue e dá esse primeiro atendimento mais seguro para as pessoas, para as próprias mulheres gestantes, que são a minha preocupação também, para que elas não precisem, quando sentem uma dor, se assustarem, acharem que é o parto que está se adiantando, porque às vezes é mãe de primeira viagem, então ela tem que sentir segurança no postinho dela, saber que ali tem um médico, um corpo de enfermeiros, que nós temos enfermeiros maravilhosos.

Estou conhecendo nossos postinhos e te digo também que tudo que está funcionando eu não vou chegar derrubando só porque não fui eu que fiz, eu vou dar continuidade a esses trabalhos e aumentar a condição de abraçar realmente a população desse bairro e essas pessoas serem atendidas lá com segurança, serem estabilizadas, verem que não é nada grave e, se for grave realmente, aí sim se levará para os nossos hospitais públicos, o Santo Antônio e o Santa Isabel, que são hospitais que estão com alta complexidade, com coisas muito grandes. 

Nós somos referência em transplante de órgãos em Blumenau no Hospital Santa Isabel, então esses hospitais precisam ter a liberdade de trabalhar com a alta complexidade. Nós temos muitas filas de ortopedia, de pessoas que estão há quatro, cinco anos, temos fila de mulheres aguardando a retirada do útero porque estão com endometriose, que não é uma doença grave mas faz a mulher sofrer. Então, essas triagens, nós precisamos ter uma colocação da importância e da necessidade da urgência ou da emergência. São coisas muito pontuais e isso precisa acontecer nos bairros, as nossas intendências têm que ser otimizadas, melhoradas, e dar alçada para eles poderem atender a sua população. 

Candidata à prefeitura de Blumenau, Debora Arenhart (Cidadania) apresenta propostas de governo – Foto: Moisés Stuker/Grupo ND

  

ND+: O seu plano de governo traz um tópico específico sobre mulheres, que são a maioria da população e do eleitorado de Blumenau. A senhora pode detalhar quais são as suas políticas publicas para mulheres?

Arenhart: As mulheres de Blumenau também são meu foco, muito importante. Não que vá fazer governo somente feminino, somente para as mulheres, mas eu vejo que as nossas mulheres muitas vezes são mães e pais numa casa, elas têm jornada tripla. Elas estão de manhã acordando cedo para ir à fábrica; chega em casa, faz almoço para os filhos; de tarde vai fazer um pouquinho de trabalho de diarista e à noite vai para a faculdade porque elas querem melhorar de vida, querem realizar um sonho.

Então, essas políticas públicas, para mulheres que sofrem violência doméstica, que é uma ferida social muito triste e muitas dessas mulheres não encontram amparo porque elas não sabem que existe uma casa em Blumenau. E uma casa é pouco, nós precisamos encontrar uma forma de aumentar a capacidade dessa casa que atende as mulheres que sofrem violência doméstica.

Elas chegam numa delegacia e muitas vezes são homens que vão fazer a avaliação física depois delas terem sofrido uma agressão tão forte, tão horrível. Eu tenho relatos de mulheres que convivi ao longo da minha vida de presidente de ONG, que estavam com costela quebrada, machucada, com criança no colo chorando e um homem pedindo para ela tirar a roupa para ver como estava o ferimento e fazer o exame de corpo de delito, é muita humilhação. Já foi a humilhação de ter sofrido a violência e ainda chegar num local onde deveria ter só mulheres para recebê-las.

Isso é uma luta nossa, é uma luta das mulheres vereadoras em consonância com a Debora prefeita e o Giba vice. Nós vamos buscar otimizar e melhorar o atendimento dessas mulheres porque elas existem, elas não podem ser invisíveis à sociedade nem à administração pública. Nós temos que buscar com toda a força, junto ao governo do Estado inclusive, que as nossas mães que estão no Hospital Santo Antônio tendo seus bebês saiam de lá com os registros, que não precisem ainda ir depois de pós-parto buscar registro no Centro da cidade. Então, são todas lutas pelas mulheres e pelas crianças, é legítima a nossa luta. 

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