Candidato Jairo Santos (PRTB) detalha propostas para a prefeitura de Blumenau

Ele é o segundo concorrente a prefeitura de Blumenau a responder as perguntas do Grupo ND. Confira o que ele respondeu ao portal ND+ e a entrevista completa do Balanço Geral

Natural de Curitibanos, o advogado Jairo Santos sequer se lembra da cidade natal quando vai responder a pergunta sobre sua origem, de tão blumenauense que se considera. Ele é o segundo a passar pela série de entrevistas do Grupo ND com os candidatos a prefeito de Blumenau.

Candidato a prefeitura de Blumenau Jairo Santos (PRTB) concede entrevista ao Grupo ND – Foto: Ketlin Ciquelero/Grupo ND

Aos 46 anos, 44 deles vividos em Blumenau, Santos aceitou a proposta de concorrer à vaga de prefeito na sua quinta participação em eleições – nos três últimos pleitos ele chegou a ser suplente de vereador. Em 2020, acredita ser a melhor opção entre os 12 candidatos que concorrem ao cargo.

“Eu sou o candidato mais preparado entre todos os outros, eu estou há mais de 20 anos me preparando para isso. Assim como um aluno de Medicina quando termina de se formar quer ser médico, eu quero ser gestor porque eu me preparei para isso. Eu não sou nenhum aventureiro, eu não sou ninguém que vai surfar onda de nada, me preparei para isso e as provas estão aí. Eu fui reconhecido por alguns veículos de comunicação como o destaque da década como gestor, e por um veículo de comunicação como destaque dos 20 anos como gestor, porém, em respeito ao eleitor, ao cidadão, eu não vinha para cá num tempo que não era o apropriado, para ser um aventureiro, quando não tinha plenas condições. Hoje eu tenho 100% de condições de ser o gestor público do município”, afirma.

Confira abaixo a entrevista completa que o o candidato concedeu ao portal ND+ e também ao programa Balanço Geral:

ND+: Na questão da mobilidade, o senhor fala no seu plano de governo de integrar modais, que é um conceito defendido por muitos urbanistas. Como o senhor pensa em colocar isso em prática?

Jairo Santos: Primeiro , nós temos que trazer todas as pessoas que entendem de cada modal para o campo da discussão, isso a gente não consegue fazer sozinho, não sai só da cabeça do prefeito. Agora, nós temos visto pelo mundo soluções que deram muito certo, então nós queremos incluir o ciclista, a pessoa, o trânsito a pé, o trânsito de veículos, temos que olhar muito para os motoboys de Blumenau, que atualmente são muitos, cresceu muito essa categoria, principalmente por conta da pandemia, da questão do delivery, e o transporte público é uma questão primordial.

Em relação ao transporte público, primeiro resolver esse contrato, que na minha opinião, como advogado, conhecendo de contrato, aparenta ter sido dirigido para que nós tivéssemos apenas uma empresa, e se nós continuarmos na mão de uma única empresa essa situação vai continuar, essa questão de greves e tudo mais. Então assim, nós temos que olhar pro conforto das pessoas como um todo: integrar todos os modais, transporte por aplicativos… O que nós podemos fazer em relação ao transporte por aplicativos? Tirar alguns veículos da prefeitura do trânsito, essa é uma situação que nós vamos explorar mais adiante na campanha, tirar o máximo de carros do trânsito, principalmente da região central, e fazer com que a gente consiga concretizar esse sistema de integração de modal a pé, ciclista, veículo e ônibus de forma que a gente valorize principalmente a questão do comércio da região central.

Vejamos, o transporte público de Blumenau, por exemplo, é uma questão que eu defendo há anos, que ele não poderia ficar na mão de uma única empresa. O que nós podemos fazer? Esse contrato, da forma como ele foi feito, está gerando R$ 5 milhões agora de indenização para a empresa, isso é dinheiro que está indo para o ralo, porque não pode um contrato prever uma cláusula dessa num momento que todos perderam. Se todos perdemos, não é uma empresa de ônibus que não pode perder um pouco também. E não vejo que eles perderam. Tem R$ 13 milhões comprometidos para o ano que vem, eu como prefeito já estou dizendo não vão receber. Nós não vamos pagar esses R$ 13 milhões e vamos reaver esses R$ 5 milhões. O transporte público de Blumenau deve ser loteado entre cinco ou seis empresas de forma diferente, para que a cidade não fique nas mãos de um único transporte público e sem qualidade, porque eles fazem greve todo dia, quando bem entendem. Com cinco ou seis empresas nenhuma vai fazer greve, porque quando uma fizer a outra substitui. Agora, nós vamos trazer especialistas para discutir a questão do modal transporte público como um todo, trazer especialistas de todas as áreas, discutir com os 5 mil ciclistas que tem em Blumenau interessados nessa situação, interessados em se locomover de bicicleta.

Jairo Santos (PRTB), candidato a prefeito de Blumenau, em entrevista ao apresentador do Balanço Geral Blumenau, o jornalista Rodrigo Vieira (à esquerda da foto) – Foto: Ketlin Ciquelero/Grupo ND

ND+: Entre as necessidades apontadas por especialistas para melhorar a educação estão a valorização dos professores e o desenvolvimento de uma política inclusiva, para acolher toda a comunidade e a diversidade de alunos.  Qual a sua proposta neste sentido?

Santos: Essa questão todos os candidatos e toda eleição é falada a mesma coisa, eu não sei de onde se tiram esses números que é sempre assim “Ah, os professores têm que ser valorizados”. Eles são valorizados. Nós temos que ter alguns critérios muito bem estabelecidos: o que é valorização dos professores? Se nós formos falar só em questão de salário, até concordo que eles têm que ser valorizados, mas o que nós temos que levar em consideração, o que nós não podemos admitir, é que na minha época é que aluno não batia em professor. O que houve nesse trânsito?

Quando eu estava no Exército, quando eu era sargento lá eu dizia para os nossos soldados “vão dando margem para esse politicamente correto, para essas situações que estão acontecendo, daqui 20, 30 anos vocês vão ver onde nós vamos parar”. Nós paramos nisso, por conta desse politicamente correto, por conta dessas situações que nos fizeram chegar nessa situação.

Falta educação, educação vem de casa, educação não é com professor. O professor ele dá cátedra, ele ensina, ele leciona, educação vem de casa, nós temos que começar a educação em casa. Valorizar o professor é fazer com que eles não coloquem nas suas pautas aquilo que eles aprenderam aí, fruto de Paulo Freire, enfim, colocar na cabeça das crianças que tudo é liberado, que tudo está valendo, que não é assim que funciona.

Valorizar o professor é evitar com que essas situações, com que os alunos vão para a sala de aula e não respeitem o professor. Nós temos que começar a formar na base; é reformar, na verdade, reformar essas crianças, esses que estão chegando, aqueles que já foram para frente, para que eles entendam que o professor está ali para ensinar e não doutrinar. O que nós temos que fazer em relação a valorizar os professores é principalmente essa questão.

Eu não trato da questão de salário, não, por quê? O salário é uma questão primordial, todos no Brasil têm direito assegurado pela Constituição, se nós formos partir do ponto de vista de salário, todo servidor público está sendo desvalorizado, a categoria como um todo, não é só o professor.

Agora, em relação a melhorar essa situação em sala da aula é isso, é fazer com que os professores entendam também que eles são professores e não doutrinadores, aí eles serão valorizados.

ND+: Na área de Assistência Social o senhor diz no seu plano de governo que vai “fomentar políticas conforme preconiza a legislação e buscar por fim a política assistencialista”. No âmbito do município, o que exatamente o senhor considera uma política assistencialista e o que especificamente pretende fazer para fomentar as políticas de assistência social?

Santos: Veja bem, se nós fizermos um resgate histórico de 20 anos em relação a política de Assistência Social em Blumenau, não teve um secretário de Assistência Social que não foi eleito vereador, todos foram.  Por quê? Por conta da política assistencialista, é assistente social subindo o morro, dando cesta básica e pedindo voto para o seu candidato, isso é assistencialismo. A pessoa que precisa ela não pode ficar refém da falta de conhecimento, imaginando que quem tem a força da caneta, o secretário de assistência social, ou o assistente social, o profissional que está lá, que a força da caneta vai inibir algum direito seu.

Quem tem dificuldade, tem, a lei assegura de qualquer forma, seja o profissional que for. Então, o que nós vamos fazer é que a política assistencialista não integre o nosso município. Por exemplo, eu me comprometo desde já a colocar na Assistência Social um profissional que não será candidato dali quatro anos, pela primeira vez Blumenau vai ter essa oportunidade, por quê? O profissional entrando lá e tendo o anseio político, tendo a vontade de ser candidato, ele consegue dirigir essa forma de assistência social que vira assistencialismo para a sua futura candidatura. Então, o que que nós temos que analisar, a LOAS, Lei Orgânica da Assistência Social, os direitos humanos, enfim, a Constituição, no seu artigo 7, dos direitos sociais, ela garante seja quem for o profissional e seja quem for o necessitado, a sempre que precisar ter os auxílios do governo. Agora isso não pode servir, em hipótese alguma de cabo eleitoral. Os benefícios estão assegurados pela lei, e é isso que nós vamos fazer. Por isso que eu fiz questão de colocar no nosso plano de governo, porque essa questão de politicagem assistencialista na Assistência Social na nossa gestão vai acabar.

ND+:  O senhor cita muitas parcerias em seu plano de governo, para diversas áreas. Não considera isso uma espécie de terceirização de parte da administração?

Santos: Não considero terceirizar, até porque tem muitas empresas interessadas em ajudar o município, muitas pessoas jurídicas. Essas parcerias, às vezes elas são parcerias público-privadas e também parcerias público-público, porque tem algumas situações que eu quero trazer para cá, como por exemplo a primeira escola cívico-militar municipal. Essa é uma parceria público-público, porque o governo federal disponibilizou um regramento no qual é possível trazermos um colégio cívico-militar. A prerrogativa, primeiro, é do governo estadual; ele não se manifestando ou ele sendo contrário, podemos nós do município fazer de forma direta entre governo municipal e governo federal. Esse é um motivo de parceria público-público.

Uma outra questão, nós temos aqui vários imóveis tombados pelo patrimônio histórico que estão um lixo, jogados realmente. Nós temos lá o casarão da Itoupava Central, enfim vários, temos pontes também tombadas pelo patrimônio histórico e que as empresas muitas vezes querem manter aquilo, só que eles não conseguem fazer o dinheiro entrar pela prefeitura, e nem devem. Também não tem nem a confiança de fazer o dinheiro entrar pela prefeitura, porque pensa que está indo para uma situação e está indo para outra. É isso, é nesse sentido que nós estamos prevendo as parcerias público-privadas e público-público.

ND+: As mulheres são a maioria, tanto da população quanto do eleitorado. Quais são as suas políticas públicas especificamente para as mulheres de Blumenau?

Santos: Eu não faço acepção de sexo de pessoas, eu faço uma proposta de governo que vai trabalhar para todos, independente de maioria ou minoria. Nós temos que trabalhar para todos, porque se eu começar admitindo que, por nós termos um número maior de mulheres nós temos que fazer uma política especializada para mulheres, a questão das minorias de Blumenau não serão atendidas. A nossa política é para todos, independente, nós já temos as políticas de Assistência Social que asseguram, nós podemos ter uma delegacia especializada aqui, principalmente na questão da violência contra a mulher, mas isso eu posso fomentar, não é da competência do prefeito, é da competência do governador. Obviamente, não quero adentrar na competência alheia, agora eu posso fomentar, e isso nós faremos.

Como acabei de falar, precisa específico. Dei o exemplo da delegacia da mulher, principalmente, a questão da violência contra a mulher. Outras políticas já existem, desde o tempo que eu era da Assistência Social, desde 2004 nós temos na Assistência Social um espaço dedicado exclusivamente às mulheres. Agora, muito do que elas pretendem elas têm que vir a campo e nos dizer, eu não consigo imaginar que nós temos que ter uma política diferenciada para as mulheres simplesmente porque o Jairo pensa nisso, nós temos que trazer quem entende dessa matéria e aí sim nós tomarmos alguma iniciativa.

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