Carla Ayres: feminista, lésbica e vereadora do PT em Florianópolis

Cadeira única do partido na Câmara Municipal, ela deu vida à Galeria Lilás para denunciar a ausência das mulheres no Parlamento da Capital

Na sequência da série de reportagens com os vereadores empossados para a 19ª legislatura da CMF (Câmara Municipal de Florianópolis), apresentamos a trajetória da única representante do PT. Conheça, a seguir, as prioridades de Carla Ayres para a cidade e suas preferências na hora do lazer.

Feminista, lésbica e vereadora do PT na Capital

Carla Simara Luciana da Silva Salasario Ayres tem 32 anos, 16 deles dedicados ao PT, ou seja, metade da vida na construção da militância partidária.

Carla Ayres, sentada e de máscara preta, com braços sobre as pernasCarla Ayres (PT) disputou pela segunda vez o cargo de vereadora na Capital em 2020 e conquistou o mandato – Foto: Anderson Coelho/ND

Quando jovem, Carla se inspirou em uma professora de Português que se candidatou a vereadora, se elegeu e, mais tarde, foi presidente da Câmara Municipal de Jales, cidade do interior paulista, onde Carla nasceu. Foi no exemplo da antiga mestra que Carla entendeu que a política deve ser ocupada por mulheres.

Ao concorrer ao cargo de vereadora em Florianópolis em 2016, recebeu 1.080 votos. Foi a terceira mais votada no partido. Como terceira suplente do PT, assumiu a Câmara por dois meses, em um rodízio promovido pelo mandato do vereador Lino Peres.

“Gosto de falar que construo há tanto tempo esse partido porque a política está passando por um momento de descrédito. Os partidos estão passando por isso e essa fidelidade partidária, sobretudo esse mandato que a gente conquistou aqui, faz parte dessa construção”, explica.

Eleita para o primeiro mandato, Carla ressalta, no entanto, que não se filiou para disputar eleições. A candidatura vitoriosa de 2020 veio para dar sequência às discussões, inclusive sobre a baixa representação de mulheres na cidade.

“Em 347 anos, apenas sete mulheres haviam sido eleitas. Inclusive conseguimos implantar aqui a “Galeria Lilás”, não só para homenagear essas mulheres, mas para denunciar os números”, destaca.

Assim como em 2016, Carla quer tirar determinados temas do armário. Ela fala sobre mudanças nas políticas antidrogas, na gestão da segurança pública e até na legalização e descriminalização do aborto. Desde o primeiro momento, Carla se diz abertamente lésbica e feminista.

“A eleição de 2016 possibilitou, inclusive, que a gente driblasse um certo antipetismo. Ao receber 1.080 votos fui a mulher mais votada da história do PT de Florianópolis”, lembra.

Na eleição de 2018, Carla foi candidata a deputada estadual para fortalecer o nome e o debate. Ela fez 3.319 votos em Florianópolis e 7.471 em todo Estado.

Em 2020, veio a vitória. Carla Ayres foi eleita vereadora com 2.094 votos. Veja como foi a votação dela por bairro de Florianópolis:

“Esse acúmulo foi fundamental para que a gente chegasse a 2020 depois de ter ocupado durante três momentos a suplência da Câmara e ter feito atuações bastante consistentes do reforço desse projeto.

Prioridades do mandato

Carla Ayres gosta de lembrar que seu mandato é petista e promete se posicionar ao lado “dos trabalhadores e trabalhadoras”, além de ter um olhar para quem historicamente é tornado invisível.

Feliz com a vitória de cinco mulheres nas eleições de 2020, ela conta que  todas já se conheceram e concordaram que, em vários momentos podem ter divergências, mas que o direito das mulheres será uma pauta comum.

Horas vagas

Carla considera que tudo é política e, por isso, no último ano não teve muitos períodos de descanso. Porém, nas horas vagas, gosta de ler. Ela concluiu seu doutorado em 2018 e, após entrar na vida acadêmica, faz apenas leituras teóricas.

Carla Ayres e família em frente à fachada da Câmara de Vereadores de FlorianópolisCarla Ayres (PT) ao centro, sua companheira e o enteado, aliados de culinária da vereadora – Foto: Anderson Coelho/ND

Carla diz ainda que seus hobbies se dividem entre cozinhar e ouvir música. “Quem me segue nas redes sociais encontra muitos momentos em família, com minha companheira e meu enteado, e na culinária.”

Para quem gosta de roteiros com temáticas políticas e sociais, a vereadora sugere o filme “Virando a mesa do poder”, que aborda a eleição de mulheres negras e jovens nos EUA.

Também indica o documentário “Sementes”, sobre mulheres que se tornaram vereadoras e deputadas após a morte de Marielle Franco no  Rio de Janeiro, em 2018.

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