Conheça a bancada de vereadores do Podemos em Florianópolis

O Podemos elegeu três vereadores na Capital: o reeleito Gabrielzinho e os vereadores Pri Fernandes e Gemada, que iniciam o primeiro mandato

Na sequência da série de reportagens com os vereadores empossados para a 19ª legislatura da CMF (Câmara Municipal de Florianópolis), uma bancada. Conheça, a seguir, as prioridades, preferências no lazer e trajetórias políticas de Gabrielzinho, Pri Fernandes e Gemada, representantes do Podemos.

Gabrielzinho: um nome do Sambaqui na Câmara Municipal

Gabriel Meurer, o Gabrielzinho, tem 35 anos e nasceu com uma doença rara chamada hipocondroplasia, que limita o desenvolvimento do  corpo. Oriundo do Procon estadual, foi candidato pela primeira vez em 2016 no PSB e se elegeu. Em 2020 mudou de legenda, saiu do PSB e foi para o Podemos, e foi reeleito.

Gabriel Meurer, o Gabrielzinho, de camisa branca e óculosGabrielzinho é conhecido nos bairros de Santo Antônio e Sambaqui e fez exatos 213 votos em cada um desses bairros – Foto: Anderson Coelho/ND

“A entrada no PSB foi a convite do ex-deputado federal Paulinho Bornhausen, com quem eu tenho uma relação de amizade de muitos anos, e do atual presidente do Podemos – na época presidente municipal do PSB, Ronaldo Freire. Temos uma amizade fora da política e do PSB, na época, estava com uma visão bacana”, lembra.

Gabrielzinho conta que mudou de sigla porque, quando entrou no PSB, Eduardo Campos era o principal nome do partido nacionalmente e queria a legenda mais voltada ao centro. No entanto, o PSB voltou para a esquerda.

“Em 2018, com a eleição de presidente, ficou aquele extremismo, e o centro meio pulverizado. O PSB se alinhava com a ala de esquerda (…) Quando o PSB foi nessa linha mais de esquerda, o Paulinho [Bornhausen] acabou se afastando”, diz.

Gabrielzinho explica que Bornhausen buscou, então, outras siglas e enxergou no Podemos um partido mais voltado ao centro, que defende questões importantes para o grupo, como por exemplo, a prisão em segunda instância, o fim do foro privilegiado e o combate a privilégios.

Segundo o vereador reeleito, a experiência do primeiro mandato ensinou bastante. “Principalmente em janeiro de 2017, com o pacotão. Tivemos que aprender, na marra, como funcionavam 40 projetos em 15 dias. Foi um aprendizado. Erramos em algumas partes, acertamos em outras, mas sempre tentando buscar o melhor para a nossa cidade”.

Para Gabrielzinho, a vitória em 2020 é fruto do trabalho. Ele também destaca sua atuação nas redes sociais, onde se considera bastante ativo e transparente com a população.

O político considera que tudo isso acaba refletindo no voto. Gabrielzinho recebeu 3.690 votos e foi o terceiro mais votado na cidade. No Sambaqui, sua base eleitoral, ganhou 213 votos. Em Santo Antônio, outros coincidentes 213.

Veja como foi a votação de Gabrielzinho nos bairros de Florianópolis:

“A gente esperava, por tudo que fez, um pouco mais de votos, mas devido às circunstâncias, acaba sendo positivo (…), acho que foi fruto de um trabalho que não tem hora pra iniciar, nem terminar e, muitas vezes, a gente abre mão da questão pessoal para se dedicar à cidade”, conta.

Prioridades do mandato

Gabrielzinho quer dar sequência ao primeiro mandato; atender às comunidades, fazer a defesa da pessoa com deficiência, dos direitos do consumidor e das questões de transparência e moralidade pública.

“Não adianta a gente só ficar discutindo o buraquinho, a homenagem a fulano de tal, da rua tal. Temos que discutir questões macro: mobilidade urbana, saneamento básico, plano diretor e o desenvolvimento da economia pós-pandemia”, defende.

Horas vagas

Quando quer espairecer, Gabrielzinho gosta de assistir a jogos de futebol, de preferência do Avaí. Antes da pandemia, preferencialmente na Ressacada. Ele também gosta de ir à praia e estar em contato com amigos.

“Isso recarrega as energias: churrasco, conversa, bate-papo, isso é fundamental”. Na hora de ver um filme prefere o gênero drama, porém, é mais ligado a canais de esporte.

Recentemente, leu e indica o livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, do treinador, escritor e orador norte-americano Dale Carnegie. Segundo ele, a obra trouxe mais tranquilidade para atuar na vida privada e a lidar melhor com a diferença dos elogios que recebia pela atuação no Procon, às críticas comuns do universo da política.

Pri Fernandes: na luta pelo direito dos animais

Psicóloga, mãe de Mariana e de cachorros, ativista pelo direito dos animais, Priscila Fernandes Farias, ou simplesmente Pri Fernandes, 46 anos, chega à CMF para exercer seu primeiro mandato.

Há mais de 20 anos, ela direciona parte de sua vida a criar mecanismos efetivos para melhor a realidade dos animais na capital catarinense.

Pri Fernandes, vereadora do Podemos em Florianópolis, abraça um cachorro de pelos brancosPri Fernandes (Podemos) está no primeiro mandato como vereadora em Florianópolis e promete defender a causa animal – Foto: Divulgação/ND

Em 2020, ela participou da segunda disputa eleitoral. Na eleição de 2018, Pri foi candidata a deputada estadual pelo PSB, mas acabou na suplência.

Na eleição passada, mudou de partido, acompanhando o grupo político que estava no PSB e assumiu o Podemos. “Vieram e reforçaram o convite para concorrer como vereadora de Florianópolis. Aceitei e vencemos”, resume.

Veja a distribuição dos votos que Pri Fernandes recebeu nos bairros de Florianópolis:

Pri Fernandes disse que lançou a candidatura porque não se sentia representada na Câmara, tanto como mulher, quanto como protetora de animais. Ela recebeu 2.092 votos. “Aprendi que quando não estamos satisfeitos precisamos ir lá e fazer. E fizemos”, declarou.

A causa animal

Segundo Pri Fernandes, a chegada à CMF pode ser atribuída à bandeira da causa animal. “Pelo fato de a única mulher eleita [Maria das Graças, DEM] ter negado a proteção às mulheres e traído protetores e ONGs de proteção animal”, disse.

Consequência desse discurso, Pri Fernandes reafirma que sua principal bandeira será a proteção aos animais, mas avisa: não apenas isso. “Trabalharemos o combate à violência doméstica, ao idoso e às crianças”, segundo ela pautas que foram ignoradas pela legislatura anterior.

Ajuda aos animais até nas horas vagas

Mesmo nas horas vagas, a vereadora se devota à causa. “Me dedico muito à proteção animal. Sou muito envolvida com resgates e animais vítimas de abandono e maus tratos”, conta.

Para custear essas ações, Pri realiza um brechó de rua, todos os sábados: o BreDog Floripa.

Mas a família não fica em segundo plano. A filha de oito anos ganha todo o carinho. “Minha dedicação é basicamente para os animais e minha família”, declarou.

Pri Fernandes tem como leitura principal o “Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec.

Gemada: do transporte coletivo para a Câmara Municipal

Gilberto Alcebíades Pinheiro, o Gemada, está com 41 anos e trabalhou boa parte da vida no transporte coletivo. Começou na função de cobrador, mas depois tornou-se motorista. Ele disputou sua primeira eleição em 2020, no Podemos, a convite do presidente municipal do partido, Ronaldo Freire.

Gilberto Alcebíades Pinheiro, o Gemada, em frente ao terminal de ônibus do Rio Tavares, o TirioGemada trabalhou durante 26 anos no transporte coletivo e agora vai para a Câmara Municipal – Foto: Anderson Coelho/ND

“Conheci o presidente do partido anos atrás, na liderança comunitária, quando ele foi presidente da Comcap. Meu irmão trabalha lá, e a gente admira o Ronaldo e o grupo que ele montou. Aí veio a conversa dele comigo, de buscar uma pessoa de extrema confiança da família, e eu optei pelo Podemos”, revela.

A filiação foi no início de 2020. No alinhamento, a palavra do partido de que um grupo de candidatos teria o mesmo nível, ou seja, a eleição era possível para todos e quem fizesse o trabalho melhor, ou tivesse um trabalho anteriormente, teria condições de se eleger.

Gemada conta que se envolve no serviço comunitário desde 2000. Nascido e criado na Costeira do Pirajubaé, defende que não perdeu a raiz, e que atua nos bairros do Sul da Ilha. As demandas chegavam também no local de trabalho, no transporte coletivo.

“Apesar de estar à frente da presidência do conselho comunitário, nunca deixei de atender a nenhuma demanda. Seja na comunidade, seja no transporte coletivo, em que trabalhei por 26 anos, sete anos como cobrador e 19 como motorista”, lembra.

Gemada disse que nunca teve a intenção de ser vereador e que se pudesse ajudar de outra forma, talvez não disputasse o cargo. No entorno, os amigos começaram a incentivar e o pai, já falecido, sempre falava: ‘tens que parar de trabalhar para os outros’.

Segundo ele, a vitória veio porque a campanha foi transparente, honesta e verdadeira. O lema da campanha foi: Acelera Floripa – ação trabalho sem promessa. Gemada fez 1.839 votos.

Veja a distribuição dos votos de Gemada por bairro de Florianópolis:

“Se eu pudesse ajudar fora da Câmara Municipal, para mim, não teria motivo de assumir como vereador, mas como fui intendente do Campeche de 2013 a 2015, com dificuldades (…) tinha que ser motorista, dirigir a caçamba, andar na máquina”, lembra.

Prioridades do mandato

Candidato de primeira viagem e vereador eleito para o seu primeiro mandato, Gemada preferiu não fazer propostas na campanha. Acreditou no apoio que pediu aos eleitores com quem conversou e, agora, quer voltar para agradecer nas casas onde esteve.

“Não fiz propostas. Não sei o que vou enfrentar, o que vou pegar. Proponho estar presente e não me omitir. Lutar pelo melhor para todas as comunidades”, promete.

Horas vagas

Nas horas vagas, Gemada gosta de estar em família, de jogar bola com os amigos do transporte. Ele se considera uma pessoa da comunidade e, por isso, gosta de estar junto dos amigos que cresceram com ele.

“Temos uma casinha perto da Guarda do Embaú, em Palhoça, uma casinha simples. Até falaram que vendi para a campanha, mas não. Nos finais de semana, vou para lá me distrair com minha família”, conta.

O vereador não se considera alguém muito ligado em filmes, mas, antes da eleição, assistiu ao filme brasileiro O Vendedor de Sonhos, adaptação do livro de Augusto Cury.

Gemada fez uma série de agradecimentos após a vitória, mas quis prestigiar, em especial, o ex-cunhado e amigo, Felipe, que perdeu a mãe durante a campanha, mas permaneceu sendo “o sombra” de Gemada em todos os compromissos de campanha.

“Tinha um amor incondicional pela mãe, mas não deixou se abater e mostrou que estava firme comigo. Por isso, agradeço muito”, finaliza.

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