Grupo ND entrevista candidato à prefeitura de Chapecó, Antonio de Campos

O candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) falou sobre suas principais propostas para administrar o município

Nesta quarta-feira (14) foi a vez dos chapecoenses conhecerem o candidato à prefeitura do município Antonio de Campos (PSOL). Ele foi o terceiro entrevistado pelo Grupo ND na série de entrevistas com os sete candidatos que concorrem a vaga no cargo mais alto do Executivo. Campos também concedeu entrevista ao apresentador do Balanço Geral, Eduardo Prado.

Campos concorre pela primeira vez à prefeitura de Chapecó. – Foto: Willian Ricardo/ND

Antonio Valmor de Campos é professor universitário, doutor em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Foi vereador e candidato à prefeito em Maravilha e a deputado estadual. Além disso, concorreu ao Senado.

Abaixo você acompanha a entrevista exclusiva com o candidato:

Quais as suas principais estratégias para dar continuidade e superar a atual gestão de Luciano Buligon (PSL)?

Primeiro precisamos fazer um rompimento com algumas situações. Uma delas é em relação a otimização dos recursos públicos. Por exemplo, a redução de cargos comissionados agora todos estão falando que vão fazer, mas quase todos que estão candidatos já passaram pela administração e não fizeram. Então uma das coisas que nós faremos é isso: reduzir os cargos comissionados, valorizar os profissionais de carreira e buscar para algumas questões parcerias com o governo estadual e federal de uma forma republicana.

O que o senhor defende como urbanização dos bairros, que está descrito no seu plano de governo?

Nós compreendemos Chapecó como uma cidade bem estruturada, principalmente no Centro, mas nos bairros existe uma carência muito grande de urbanização e de transporte coletivo. Esse projeto de urbanização que defendemos começa pelos bairros garantindo condições, por exemplo, de vias públicas, trânsito, habitação, saneamento básico e serviços públicos de saúde e educação que são precários. Nós temos creche em Chapecó que faz uma década que está em construção e ainda não foram oferecidas as vagas às crianças. Urbanizar é isso, criar um conjunto de condições para que as pessoas dos bairros tenham as mesmas condições de dignidade que tem quem mora no Centro.

Caso seja eleito, qual será a sua principal bandeira como prefeito de Chapecó?

O principal é promover uma grande participação popular para tornar transparente a administração com isso fazer dois processos. O primeiro pedagógico para que as pessoas compreendam o que é feito com o dinheiro arrecadado e que o imposto não é do prefeito, do vereador e nem dos secretários, é do povo chapecoense e com isso combater a corrupção. Quando se tem uma gestão transparente em que a população participa e tem conhecimento pleno das coisas, a corrupção fica muito mais difícil de acontecer.

Hoje uma situação que chama a atenção é o número de migrantes que busca uma nova oportunidade em Chapecó. Como promover o desenvolvimento social acolhendo quem vem de fora sem deixar de assistir quem é daqui?

Chapecoenses conheceram as ideias de Campos para o município. – Foto: Willian Ricardo/ND

A questão da migração é mundial, não é apenas de Chapecó. Estamos na rota das cidades de porte médio que recebe um grande número de migrantes inclusive pelo tipo de mão de obra que absorvemos aqui. O que precisamos fazer primeiro é compreender que o migrante não vem aqui só para ter benefícios, ele também vive aqui e gera desenvolvimento com seu trabalho, com a movimentação do comércio, da indústria, da geração de renda. Agora, nós precisamos fazer algumas questões fundamentais para os migrantes que chegam aqui.

O primeiro deles é o acolhimento. Não basta trazê-los, por exemplo, por um período determinado com o apoio da empresa que o contrata. É preciso que a administração pública coloque ele a par das informações indispensáveis, dos serviços públicos disponibilizados, de como é a nossa cultura e também trazê-los para a demonstrar a cultura deles, para que possamos compreender a cultura de quem vem e demonstrar para eles a nossa cultura para que se sintam acolhidos. Outra questão é que defendemos a educação em tempo integral e, por isso, temos a intenção de colocar no currículo a língua dos principais povos que chegam aqui para que eles se sintam parte desse desenvolvimento.

Fundamental é que a gente trace uma estratégia de planejamento para que possamos garantir um serviço público de qualidade na saúde, na educação, na segurança pública, no futuro. Porque se não pensarmos assim vamos fazer com os chapecoenses se revoltem com a presença dos migrantes aqui. É preciso conciliar questões educacionais, culturais, de saúde e de planejamento estratégico para que eles possam ao mesmo tempo contribuir com o desenvolvimento de Chapecó e se sentir acolhidos.

De que forma a atual experiência política e na educação pode contribuir para a prefeitura?

A minha experiência política vem da participação em partidos que se comprometem com a causa dos trabalhadores, das minorias. Sou militante nos direitos humanos há mais de três décadas e tenho comprometimento com esses povos. Não tenho nenhum problema em dizer da nossa defesa do direito das mulheres, dos indígenas, dos negros, dos migrantes, do LGBT. Então são esses públicos que nós entendemos que precisam ser incluídos no projeto de desenvolvimento, não apenas tutelado, mas precisam ser incluídos.

Essa minha experiência nessa participação política, também como já fui vereador em outro município, além da minha atuação sindical por quase 30 anos onde dialoguei com todos os tipos de políticos e com governos. Com certeza essa trajetória ética da minha postura é muito transparente e tranquila naquilo que eu defendo vai contribuir para fazer uma boa administração em Chapecó.

Estamos passando por um momento difícil com a pandemia da Covid-19. Um dos setores que mais tem sofrido com isso é a educação. Qual é o seu principal projeto para a educação do município?

O candidato também concedeu entrevista ao Balanço Geral. – Foto: Willian Ricardo/ND

O primeiro é universalizar as vagas para creches e para o ensino fundamental. Segundo é erradicar o analfabetismo no município.  Agora, isso depende de um planejamento estratégico, de investimentos e de reestruturação. Não basta universalizar as vagas, nós queremos que seja em tempo integral, principalmente em bairros de trabalhadores que precisam deixar seus filhos em creches e escolas. Temos que cumprir o Plano Municipal da Educação, que foi alterado ano passado, diminuindo a meta para 70% em alguns atendimentos. Queremos ampliar até a universalização em tempo integral valorizando os profissionais da educação.

E para a economia, quais são as suas propostas para os principais setores da economia chapecoense?

Nós temos uma visão ousada. Entendemos que é preciso fortalecer a agricultura para além da agroindústria, isso inclui, produção de alimentos agroecológicos e orgânicos, para que o agricultor ganhe um pouco mais e o consumidor tenha uma redução de custo. Isso não vai afetar o comércio, porque o impacto não é tão significativo, mas para a agricultura é muito bom.

Outro ponto estratégico para o desenvolvimento de Chapecó é trazermos pra cá outras matrizes de desenvolvimento da área industrial, por exemplo, no setor das tecnologias. Temos um grande espaço aqui em Chapecó para tornar a cidade uma vanguarda de desenvolvimento tecnológico. Outro ponto importante é o metal mecânico. Chapecó tem um grande número de agroindústrias e nós ainda somos carentes de uma indústria forte no setor metal mecânico.

Também tem a questão da saúde. Temos dois cursos de medicina aqui em Chapecó que colocarão no mercado mais de 100 profissionais por ano e precisamos potencializar isso fomentando com as universidades e com o Hospital Regional a criação de residências médicas incluindo outros cursos de saúde. Queremos transformar Chapecó em um grande polo de saúde em santa Catarina, não só para atender Santa Catarina, mas também o norte Gaúcho e o Sudoeste do Paraná.

Outro setor afetado pela pandemia da Covid-19 é a saúde. Muitos serão os desafios para a próxima gestão, uma vez que os reflexos da crise ainda serão sentidos. Quais propostas o candidato tem para melhorar a saúde em Chapecó?

Antonio falou sobre suas propostas para Chapecó. – Foto: Willian Ricardo/ND

Primeiro é fazer uma grande parceria com a imprensa. Ela figura entre os órgãos mais respeitados do Brasil. Então uma campanha educativa, série e acordada com toda a imprensa democrática é um ponto fundamental. O segundo é que pretendemos diminuir efetivamente em 50% os casos comissionados para investir em educação, na regularização fundiária e na saúde. Na saúde precisamos aumentar o número de médicos, investir mais e otimizar os recursos da saúde e, principalmente, diminuir o tempo do exame e da especialidade. Porque o tempo longo prejudica o paciente e aumenta os custos. Rapidez na especialidade e nos exames a serem feitos e muito planejamento estratégico para que os recursos sejam otimizados.

O que os chapecoenses podem esperar de Antônio de Campos caso seja eleito prefeito?

Primeiro o meu grande compromisso é com a ética na política, uma forma diferente fazer política. Nós do PSOL acreditamos em uma política solidária, democrática, transparente e sem conchavos, onde realmente o eleito vai administrar os recursos públicos na forma em que todos tenham benefícios equitativos. A outra questão fundamental que nós defendemos, além da participação, é a justiça fiscal. Fiscalizaremos de forma eficiente, sem punição, para que os recursos do município sejam arrecadados na forma correta, equitativa e bem aplicadas.

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