João Paulo Kleinubing (DEM) destaca pontos do plano de governo para prefeitura de Blumenau

Ex-prefeito e ex-deputado é o quarto entrevistado do Grupo ND na série que ouve os candidatos a prefeitura da principal cidade do Vale do Itajaí

O ex-prefeito de Blumenau e ex-deputado João Paulo Kleinubing é o quarto entrevistado da série promovida pelo Grupo ND que sabatina os candidatos a prefeito de Blumenau.

João Paulo Kleinubing (DEM) é o quarto candidato a prefeito de Blumenau entrevistado do Grupo ND – Foto: Ketlin Ciquelero/ND

Ao portal ND+ e a NDTV, o candidato de 47 anos respondeu questões baseadas na proposta de governo que apresentou do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Entre outros assuntos, JPK respondeu sobre mobilidade, segurança, pandemia e o que o motivou a tentar ser prefeito de Blumenau pela terceira vez:

“Por senso de responsabilidade. É com tristeza que eu vejo que hoje a cidade perdeu a sua força, perdeu o seu vigor, e o que o momento exige é que a gente coloque toda a nossa experiência, tanto minha quanto do Ronaldo (Baumgarten, candidato a vice) em favor da cidade. O nosso projeto é buscar unir a experiência que eu tenho no setor público com a experiência da iniciativa privada que o Ronaldo tem. Juntos fazemos muito mais pela cidade. A gente vê que a cidade precisa de uma nova velocidade, precisa de mais ousadia, precisa de muito mais coragem para poder enfrentar não só os efeitos da questão da pandemia, mas poder oferecer qualidade de vida e ousar com a solução dos problemas”.

Confira abaixo as entrevistas para o ND+ e para o programa Balanço Geral:

ND+: No seu plano de governo três itens específicos falam do transporte coletivo: ampliar corredores de ônibus, retomar as estações de pré-embarque e implementar melhorias na qualidade do transporte. O serviço foi considerado ruim pela administração anterior e por isso o contrato foi cancelado, foi feita uma nova licitação e tem outro serviço operando. O senhor pretende voltar para o serviço como era antes?

João Paulo Kleinubing: Na verdade o serviço não mudou, o modelo de prestação de serviço ele continua o mesmo, se optou por trocar a empresa que presta o serviço, mas não mudou a maneira com que o serviço é prestado. O que a gente pretende é, justamente, mudar a forma com que o serviço é prestado, temos que rediscutir o modelo da prestação do serviço do transporte da cidade de Blumenau. Esse modelo que você tem uma empresa que faz a arrecadação e que presta o serviço que tem como única fonte de receita a renda do usuário e a tarifa paga todos os custos do sistema, que é o modelo dominante no brasil, esse modelo não serve mais, não consegue dar qualidade para o sistema. O nosso desafio para atrair o usuário é trazer qualidade para o sistema. Os corredores de ônibus foram fundamentais para trazer qualidade para o sistema, deixou o ônibus mais competitivo, ou tão competitivo quanto o carro na ligação Aterro-Fonte por exemplo, reduzindo bastante o tempo de viagem.

As estações de pré-embarque, além de trazer qualidade e conforto para o usuário, elas também melhoram a eficiência do sistema na operação de embarque e desembarque na região central. O que é preciso é continuar o que estava previsto lá atrás. que é a expansão do corredor, fazendo o corredor sul ligando a Fonte até o Terminal Garcia e ligando o Aterro até o Terminal da Itoupava Central.

Todo esse conjunto de ações estava previsto no contrato com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que eu assinei em agosto de 2012, já saindo da prefeitura, e (temos que) olhar para a mobilidade não só para o transporte, mas para andar a pé e para a bicicleta. Por isso que um dos nossos principais conceitos é “fazer Blumenau em 15 minutos”. O objetivo é fazer com que na cidade qualquer pessoa possa ter acesso as suas principais necessidades a 15 minutos a pé ou de bicicleta da sua casa. Mobilidade não é movimentar o carro, mobilidade é mover as pessoas com segurança e com qualidade e é isso que nós vamos buscar. É preciso rever completamente o modelo do sistema de transporte da cidade.

Então, entre as principais questões é preciso trazer tecnologia para dentro do sistema. Você não precisa mais comprar passagem em dinheiro ou com um cartão, você tem que usar o teu telefone celular para poder comprar a passagem, é preciso agregar tecnologia, agregar informação para o usuário. Vamos discutir a climatização do ônibus, especialmente das linhas troncais. As estações de pré-embarque eram o início dessa discussão com relação a climatização, porque é isso que vai trazer qualidade para o sistema e atrair novamente o usuário. Durante esse período da pandemia as pessoas buscaram outras alternativas, muitos compraram carro e moto, o nosso desafio é trazer essas pessoas de volta para dentro do sistema ou a cidade vai ficar absolutamente inviável, este modelo é insustentável.

João Paulo Kleinubing (DEM) é o quarto candidato a prefeito de Blumenau entrevistado do Grupo ND – Foto: Ketlin Ciquelero/ND

ND+: O senhor diz que quer o plano Blumenau 2050. Por onde o senhor planeja começar essa retomada?

Kleinubung: O começo da retomada é com a sociedade. O Blumenau 2050 não foi montado, ele não é obra exclusiva da prefeitura. Blumenau 2050 é um planejamento para a cidade que, justamente, tinha por objetivo pensar a cidade para o futuro e executar as ações para que esse futuro pudesse acontecer, com ações de curto, médio e longo prazo.

As ações de curto prazo eram as previstas para 2015 e as de médio prazo para 2030. Nenhum caminho é certo para quem não sabe onde está indo. 2050 é essa visão para onde a cidade vai, quais são os valores que nós temos como cidade, quais são os princípios sobre os quais a cidade está sendo construída por todos nós. Ele é fruto de um extenso trabalho, envolvimento da sociedade, centenas de pessoas e dezenas de entidades que elaboraram aquele documento.

O recomeço do Blumenau 2050 é justamente trazê-lo de novo para a discussão, chamar de novo a sociedade para fazer essa discussão, rever aquilo que foi feito. A verdade é que boa parte das ações que aconteceram nesse período são fruto do Blumenau 2050: a discussão com relação ao binário da Rua Chile com a República Argentina; a ponte, que embora no local menos eficiente, mas que está sendo executada; a ponte do Badenfurt; as melhorias na (Rua) General Osório; o prolongamento da (Rua) Humberto de Campos; os dois novos terminais; todas estas obras estavam previstas no Blumenau 2050 e estão no contrato com o BID que, de novo, assinei em 2012. Foi a primeira vez que uma cidade de médio porte como Blumenau assumiu diretamente um contrato de financiamento internacional com o BID. Foram três anos de trabalho, de dedicação, justamente porque nós tínhamos um projeto que não era apenas de execução de obras, mas um projeto que pensava a cidade e reorientava o crescimento da cidade, principalmente em função do que aconteceu em 2008. Era preciso crescer com segurança, respeitando os limites que a natureza nos impõe. Acho que esse é o principal objetivo que a gente tem.

Então, Blumenau 2050 precisa ser retomado porque ele é o nosso direcionamento, para onde a gente está indo e ele que viabilizou todas essas obras. O BID só nos financiou porque havia todo esse planejamento na construção de um modelo mais sustentável de transporte. É com base nisso que a gente quer construir e essas ações que eu falo, da mudança, da criação dos corredores de ônibus, que também estavam previstas no contrato com o BID são fundamentais para construirmos uma cidade mais sustentável de fato e com mais qualidade de vida com relação ao futuro.

>> Confira a entrevista para o Balanço Geral:

ND+: O senhor já previu ações por conta da  pandemia de coronavírus no seu plano de governo. Como o senhor vai tratar a questão sanitária e também a econômica?

Kleinubung: Começando pela questão sanitária, eu acho fundamental, até porque não sabemos ainda quando a vacina será disponibilizada para toda a população. Fala-se que a vacina de São Paulo pode estar disponível em dezembro, o governo federal fala em disponibilizar a vacina para profissionais  de saúde e grupos vulneráveis a partir de abril do ano que vem, a Organização Mundial da Saúde fala em vacinação da sociedade apenas em 2022, então é fundamental, primeiro, que crie-se um plano de contingência para situações como essa, ou seja, é preciso aprender com o que aconteceu. Da mesma forma que nós aprendemos a entender a natureza aqui no Vale do Itajaí, é fundamental que se tenha um plano de contingência para situações como essa.

E é fundamental para o próximo ano, considerando que não se tenha ainda a vacina disponível para todos e até vendo o que está acontecendo hoje na Europa, da retomada dos casos, que a prefeitura monte um plano de testagem em massa e rastreamento de contatos, essa é a ação que mais deu resultado no mundo todo. Se você olhar para Coreia do Sul, para Nova Zelândia e para Alemanha – que talvez dos grandes países seja o que teve o melhor desempenho no combate a pandemia – teve o melhor desempenho com testagem em massa e rastreamento de contato. Não dá para repetir o que aconteceu esse ano no próximo, caso a gente tenha que tomar ainda algumas medidas.

A pandemia vai impactar em tudo nos próximos anos. Vai impactar na questão da educação por exemplo, e acho que esse é talvez o grande desafio do próximo ano, como recuperar esse ano, a questão educacional desse ano que ficou para trás. O Ministério da Educação fala em fazer dois anos em um, mas esses dois anos em um precisam ser feitos individualmente, vamos ter que avaliar, e o trabalho dos professores, dos coordenadores pedagógicos das nossas escolas vai ser fundamental. Nós temos que identificar em cada criança quem avançou mais, quem avançou menos, direcionar o trabalho. Vamos ampliar o horário das escolas, principalmente aquelas que têm resultado menor no Ideb, como já tínhamos feito no meu segundo mandato, sete escolas funcionavam em horário estendido.

E, naturalmente, a questão econômica implica especialmente em criar um ambiente de negócios mais favorável, a partir da simplificação, da desburocratização dos processos internos da prefeitura. É inviável que se leve mais de um ano para aprovar um alvará de construção na cidade de Blumenau como está acontecendo hoje. É por isso que nós vemos as empresas de Blumenau se instalando em Gaspar, em Indaial, em Pomerode, porque não conseguem dialogar com a prefeitura, não consegue ter na prefeitura um parceiro para o seu desenvolvimento.

ND+: Na questão da segurança pública, apesar de ser uma atribuição mais do Estado e da União, há ações que o município pode promover. Uma delas, apontada por especialistas, é a manutenção da cidade: iluminação pública, manutenção de áreas que estão vazias etc. Como o senhor pretende qualificar a manutenção da cidade?

Kleinubung: Primeiro, eu acho que quando a gente fala em segurança, se fala muito da parte mais repressiva, aumento de policiais, utilização das funções da Guarda Municipal… Eu defendo que a Guarda Municipal pode exercer um pouco mais de papel nessa questão, com armas não-letais, não com arma de fogo, mas com armas não-letais a guarda pode ampliar um pouco mais as suas funções. Mas a gente precisa tratar muito da questão preventiva e aí eu acho que é uma série de ações a serem realizadas.

A questão da manutenção é fundamental, tanto do ponto de vista de iluminação, manutenção e iluminação adequada dos nossos parques e praças. Infelizmente, é com tristeza que eu vejo que áreas que eu consegui viabilizar quando estava na prefeitura, praça da Gaitas Hering, praça da Escola nº 1, a praça da Artex, áreas de lazer importantes na cidade e que tem hoje um nível de manutenção muito ruim. A praça do Anel Viário Norte, que foi completamente destruída inclusive, ou seja, esses espaços que são de convivência da comunidade justamente para trazer a comunidade para se encontrar, hoje, por conta de falta de manutenção, acabam não cumprindo a sua função e acabam desfavorecendo a questão da segurança pública.

É  preciso, naturalmente, fazer todo um trabalho com relação as políticas de Assistência Social e educação no município. É preciso compreender que a segurança começa com isso, com a ampliação das oportunidades de educação, com a ampliação das oportunidades de lazer, de prática esportiva, de inserção profissional, para toda a cidade.

Acho que é preciso cobrar e envolver-se com o governo do Estado na ampliação do sistema de monitoramento, que também tem um papel a cumprir importante e acho que a partir dessas ações todas, a articulação com o Estado, a partir da cobrança de novos policiais, do aumento do sistema de vigilância da cidade, da integração das políticas de educação, saúde, assistência social, lazer e esporte em toda a cidade, principalmente esse trabalho em relação a questão da manutenção adequada. A exemplo de Nova York, que melhorou a questão da segurança justamente com o que eles chamavam da “política da vidraça quebrada”, ou seja, sempre cuidando da manutenção, sempre mantendo a cidade bem iluminada e com a manutenção adequada, fazem, acima de tudo a sensação de segurança, que é fundamental.

É na articulação de todas essas ações que a prefeitura precisa envolver-se dentro da questão da segurança pública, naturalmente reconhecendo a sua limitação e até onde vai a sua competência com relação a União e ao Estado.

ND+: As mulheres são a maioria da população e do eleitorado. Quais são as suas políticas públicas para as mulheres?

Kleinubung: Primeiro, eu acho que a gente precisa nessa eleição eleger mais mulheres para a Câmara de Veradores, minha esposa e minhas duas filhas me cobram muito essa questão. Acho que a primeira coisa que nós temos é estimular a participação feminina dentro do processo político.

Em termos de políticas especificamente para as mulheres, tem desde as políticas de proteção e com relação a questão da violência. Nós temos o nosso projeto com relação a primeira infância, que é justamente a integração das áreas de assistência social, educação e saúde num projeto que acompanha a criança e a mãe desde a gravidez até os 5 anos de idade, olhando para o todo da família.

Dentro da questão do desenvolvimento econômico, o apoio ao empreendedorismo feminino. Nós temos um projeto, na verdade, para facilitar e estimular tanto o empreendedorismo feminino quanto o empreendedorismo entre os jovens da nossa cidade de Blumenau, que é uma cidade com forte espírito empreendedor e é preciso apoiar estes grupos para aquilo que eles podem oferecer, inclusive de autonomia para esses grupos, e olhar nas suas necessidades.

Acho que essa articulação, na verdade, de políticas de apoio realmente às mulheres, inclusive de promoção da participação, da sua inserção na discussão com relação a cidade. Esse é um desafio enorme para a cidade, uma cidade que a gente precisa se questionar porque tão poucas mulheres foram eleitas vereadoras ao longo da nossa história. Então, é dessa maneira que a gente pretende olhar  para as mulheres, de uma outra maneira que ajude na sua participação.

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