“Joinville se tornou a capital dos moradores de rua”, diz Anelisio Machado

Em entrevista ao Grupo ND, o candidato à prefeitura de Joinville pelo Avante falou sobre os desafios e seus planos para o governo

A NDTV Record Joinville e o portal ND+ iniciaram nesta segunda-feira (12) a série de entrevistas com os 15 candidatos à prefeitura de Joinville. O primeiro entrevistado foi Anelisio Machado, do partido Avante, que tem como vice Joacir Siqueira de Souza.

Anelisio Machado tem 54 anos, é técnico em Mecânica, graduado em Pedagogia e pós-graduado em Gestão de Pessoas. É proprietário de uma escola de educação profissional e supletivo, diretor de uma emissora de TV e presidente do Fluminense de Joinville. Em 2018, se candidatou ao cargo de deputado estadual, mas não foi eleito. Esta é a primeira vez que concorre a prefeito nas eleições municipais.

A entrevista com Anelisio Machado foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Luana Amorim/ND

Confira a entrevista:

No seu plano de governo, a parceria público-privada aparece em diversas áreas. Como pretende estimular as empresas a participarem dessas ações? 

Eu tenho como base a própria Assessoritec, já que nós temos feito parcerias da escola com o poder público. Em 2010, nós fizemos a pintura da Arena Joinville, a Assessoritec bancou toda a pintura, que estava prevista, em licitação, R$ 500 mil. Em função da gente trabalhar em cima do projeto, nós gastamos em torno de R$ 50 mil. Porque nós compramos a tinta, nós contratamos as pessoas para trabalhar. A iniciativa privada consegue negociar valores menores.

Mas como a prefeitura pagou? A prefeitura pagou em publicidade, ela deixou, durante um período de tempo, nós utilizarmos a publicidade fora da Arena, placas dentro da Arena e também um camarote pra gente. Então, essa parceria público-privada não custou absolutamente nada para a prefeitura e evitou um desperdício de dinheiro da prefeitura. Então é nesse sentido que a gente quer trabalhar a iniciativa público-privada.

Voltando à mesma Arena Joinville, se der condições a empresários de fazerem ajustes ao redor da Arena e utilizarem como uma forma de sustentabilidade, a Arena Joinville se torna lucrativa e não um prejuízo, assim também a Cidadela Antarctica, as praças e jardins e tudo que estiver ao redor de Joinville. Quando o empresário se sente parte do processo, quando a comunidade também se sente parte desse processo, nesse sentido eu vejo que a parceria público-privada consegue fazer Joinville ficar melhor e a marca daquela empresa também fica de bem com a sociedade.

As parcerias público-privadas exigem um planejamento e um alinhamento para que não haja possibilidade de desvio. Como fiscalizar?

Minha educação, minha família vende que se você fala, você cumpre. E eu tenho isso na minha conduta de vida, só que é lógico, nós estamos falando de uma máquina grande que é a prefeitura de Joinville e de uma estrutura onde tem pessoas que vão utilizar como negócio. Então, é necessário estar muito bem documentada essa parceria público-privada, com as regras pré-estabelecidas, com prazos pré-definidos e situações de quebra de contrato caso não atenda as exigências.

Basta olhar algumas praças e jardins bem cuidados e outros mal cuidados. Existem empresas que querem cuidar, então se troca a empresa que não está fazendo bem o trabalho por uma outra que queira fazer um trabalho de qualidade. Então a documentação desse processo juridicamente bem estruturado pra que tanto a prefeitura como a empresa estejam realmente querendo ajudar a cidade de Joinville e quem mora aqui.

Em seu plano de governo você fala sobre a necessidade de se preparar para possíveis novas pandemias. Quais as ações que você pretende fazer nesse sentido em Joinville?

Em primeiro lugar, nós temos que ter mais informações. Essa pandemia foi um fiasco do poder público municipal e estadual. Fizeram o povo de Santa Catarina, de modo geral, de bobo. Quando foi fechado todo o Estado, em Joinville tinha apenas um caso de óbito, se não me engano, ou não sei se tinha, e nós tínhamos 29 cidades de Santa Catarina que tinham Covid-19 somente, o restante não tinha.

Fecharam todo o Estado, que são quase 290 municípios, no entanto, não fecharam os aeroportos, sendo que a principal via de transmissão foram os aviões. O vírus não consegue atravessar o oceano, nem pelo ar, a não ser dentro de um avião ou navio. Então por que não travaram a entrada do vírus? As pessoas estava lá fora em um local em que tinha pandemia, eles têm que chegar e ficar em quarentena, isolados. Então, existiu uma falha grave de organização e alastrou-se e tivemos esse prejuízo gigantesco.

Foi feito um fechamento geral e disse que seria de sete dias, mas virou sete mais sete mais sete. Isso é um erro absurdo de governar, esse tipo de erro não pode, um governante tem que estar mais atento ao conjunto. Então, as pandemias estão sujeitas a qualquer momento. Porque essa pandemia todo mundo desconfia que ela é montada, se tem a dúvida. Os produtos foram comprados da China, de onde surgiu a pandemia, então tudo se desconfia dessa pandemia. Dá pra confiar num governo chinês? E aí continua se comprando máscaras, equipamentos e produtos da China.

Eu fico olhando de fora e pensando que país é esse? Tanta gente que sabe fazer as coisas, tantas instituições de ensino, tanta empresa de qualidade e nós indo buscar esses produtos de fora? A Anvisa travando o desenvolvimento dos produtos e compra-se sem nenhuma garantia porque a Anvisa não está lá na China para ver que produto está vindo. Isso pra mim é um absurdo.

Então, quando há um sinal de pandemia, se presta atenção na orientação do povo de forma adequada. Nós, até hoje, não temos uma informação clara sobre essa pandemia. A prova é que agora, na época da eleição, se pode abrir tudo. Por que não se abriu antes? Os números a gente também tem dúvida. Por que não são expostos os números como era antes? Quem governa tem que governar para o povo e não para uma próxima eleição. Essa é a minha preocupação número um. Então, quando a pandemia dá o primeiro sinal, começa a observar e a estudar pra não informar errado ao povo, que não merece esse castigo.

Joinville estará, no início de 2021, ainda em cenário de pandemia. Como pretende aquecer a economia da cidade? O que podemos esperar de ações em relação à retomada da economia em todos os setores, especialmente o cultural?

Eu, particularmente, fui afetado no cultural porque tenho uma empresa de eventos. Eu tenho a sorte de ter outros empreendimentos e não tive que fechar, mas muita gente teve que fechar. Os músicos que estão pedindo cestas básicas, músicos de qualidade que não estavam preparados para um tempo tão longo, primeiros a fechar e últimos a sair. Então, como fazer com que isso volte a estar em atividade? 

Os músicos e o setor de cultura e entretenimento não estão sendo ajudados por ninguém, eles foram simplesmente abandonados, sendo que grandes empresas foram auxiliadas,  foram feitos financiamentos a taxas pequenas, mas o setor mais afetado não foi facilitado. Porque o setor de entretenimento é o setor mais de risco, então os bancos não garantem. Então, por que o governo não entrou pra garantir?

É a falta de enxergar o verdadeiro cenário das pessoas que mais precisam e que mais são afetadas. Então, como se faz pra que esse momento retome? Primeiro lugar: começar a acreditar mais nas pessoas, os empreendedores da nossa cidade parece que são considerados pessoas criminosas, não pode isso, não pode aquilo. Você vai abrir uma empresa e por causa de 2cm de altura de um bacio eles não deixam abrir. Essa falta de respeito com os empreendedores da cidade não pode mais acontecer. 

Então, a gente tem que dar condições para desburocratizar a cidade e dizer “comece a tua empresa”, “eu vou confiar em você”. “Eu vou te dar um prazo para se organizar, mas comece a empresa e se você não cumprir os prazos, aí você vai fechar”. E deixar a fiscalização em cima. Eu vejo que o único jeito de restabelecer a economia é deixar o povo trabalhar, é dar a liberdade das pessoas de ir e vir, coisa que não aconteceu desde março no nosso Estado. 

Travaram a liberdade de ir e vir: pessoas com mais de 60 anos não têm direito a sair de casa para ir numa panificadora, pra ir no supermercado. Ao mesmo tempo, as pessoas que usam drogas têm direito a ir num ponto de drogas. Que direito de ir e vir é esse? Todo mundo sabe onde estão os pontos de droga de Joinville, mas lá não precisa mexer? Os idosos acima de 60 anos foram excluídos, foram jogados ao lixo, estão em casa assustados, entrando em depressão e tendo a sua saúde afetada no lado social, físico e mental. Transformaram a pandemia em um grande problema por não pensar no povo.

Uma de suas propostas é oferecer transparência total em relação às ações do governo. Quais instrumentos devem ser utilizados nesse sentido?

Hoje, tem celulares muito bons por R$ 500, ou seja, está acessível. Tem celulares que você, pela internet, disponibiliza tudo que acontece dentro da prefeitura, isso é transparência. Queremos um portal da transparência ainda mais transparente. “Mas não podemos dizer que um tablet custou R$ 2 mil reais”. Então, compre pelo preço dele, por R$ 300. 

A redução dos cargos comissionados é fundamental para começar a transparência. Se os concursados passaram é porque têm competência, então valorize. Verifique quem tem espírito de liderança para assumir uma posição de liderança dentro do setor público. Evita-se o desperdício do dinheiro público. É dessa forma que nós vamos trabalhar. O faturamento de serviços e impostos da prefeitura é alto. Se nós economizarmos só 10% em gastos públicos, isso sobra em torno de R$ 25 milhões para investimento em obras. Não precisa ficar pedindo esmola em Brasília. É só ajustar a cidade. 

Então, a transparência de minha parte é total, inclusive dos meus movimentos: aonde eu vou, onde eu fui, o que eu fiz. E redução total de desperdício de utilização de carros, de telefones, de benefícios para o poder público. Tem que reduzir. Não do funcionário público, que tem seu direito adquirido, mas do prefeito e dos secretários. E também não precisa tantas secretarias. Temos secretarias que se batem porque existe ego. Então, é preciso reduzir secretarias.

Entrevista foi exibida no programa Balanço Geral – Foto: Luana Amorim/ND

A licitação e as obras relacionadas ao rio Mathias foram suspensas. Como você pretende lidar com a questão? 

Eu sou formado técnico em Mecânica, estudei Engenharia Mecânica e quando eu vi eles fazendo o projeto, eu cheguei a comentar “o que eles estão fazendo?”. É inadmissível o erro que se cometeu ao começar as obras do rio Mathias. O rio Mathias não vai resolver problemas de enchentes em Joinville: por mais que você faça a sucção da água dali e jogue pro rio Cachoeira, este rio transborda quando tem maré e enchente. E vai transbordar onde? Em outro bairro? Eu vou tirar água do Centro e jogar em outro bairro da cidade? Pra mim, é um erro absurdo.

Os engenheiros que projetaram e quem aprovou a obra cometeram um erro grave. É um desafio gigantesco porque a gente não sabe o que tem ali. A ideia de fazer furos para estaquear e depois colocar uma galeria, com toda a tecnologia que nós temos hoje, é um jeito totalmente errado. Mas tem que se fazer um estudo, pegar engenheiros especialistas nesse tipo de atividade pra verificar se é viável continuar desse jeito ou rever o processo de outra forma.

Então eu não posso, levianamente, falar que vou seguir aquele modelo ali. Pra mim, ele já mostrou que não funciona, que está errado. O engraçado é ficar seis anos em cima de uma das principais ruas, que é a Jerônimo Coelho, fechar aquilo ali e, depois de anos, abrir uma outra rua sem deixar pronta aquela e fazer o mesmo erro. É querer desperdiçar o dinheiro público mesmo, houve um erro muito grave e esse modelo eu não quero ver acontecer se estiver à frente de Joinville.

A habitação é um problema histórico de Joinville. Como pretende resolver essa questão principalmente em um cenário de escassez de recursos federais?

Joinville tem a tradição de vir um povo guerreiro, trabalhador, empreendedor pra cá, isso é histórico. Mas nos últimos anos é um tal de “não pode isso”, “aqui não dá”, “isso não deixamos fazer”. Que respeito nós temos pelas pessoas que chegam na nossa cidade? Tem que se pensar isso. Joinville está totalmente travada pra tudo, você vai tentar liberar uma obra e desiste, deixa levar a multa. Essas são questões que não podem mais acontecer na cidade, nós precisamos dar dinâmica. Se nos dermos dinâmica, o povo é trabalhador. 

Precisamos observar se estão invadindo. O trecho da Vigorelli atrás, na Vila Cubatão, só não vê quem não quer ver o que estão fazendo lá. Eu não tenho nada contra aquele povo, tenho contra quem deixou fazer daquele jeito. Se existe uma propriedade privada, eu cerquei e invadiram, quem invadiu é ladrão. A polícia tem que proteger a propriedade privada do ladrão. Se é uma área pública, se eles vieram atrás de uma oportunidade e invadiram, vamos achar uma saída. Eles são ladrões? Temos que observar. 

Temos que achar locais e há muitos locais em Joinville, terrenos públicos abandonados, que estão gerando lixo, pragas e prejudicando a saúde do povo e que poderiam ser utilizados para a construção de estruturas organizadas a preços populares, que essas pessoas paguem a um preço de aluguel.

A mesma coisa com as pessoas de rua. Joinville se tornou a capital dos moradores de rua, temos que trabalhar muito em cima disso. Eles precisam de dignidade. Vamos achar um jeito de resolver esse problema, nós precisamos e rapidamente tirá-los das ruas. Nós temos vários prédios abandonados da prefeitura e vamos ajustar esses prédios para que as pessoas possam ir dormir até se estabeleceram na cidade, com quartos separados, lugar pra tomar banho e alimentação digna. 

Não podemos tolerar a esmola em Joinville, vamos dar dignidade e ensiná-los a pescar. E nessas casas onde as pessoas serão recolhidas, vamos colocar a educação profissional para eles, a fim de que possam estar desenvolvendo alguma atividade. Quem não concorda com isso, não vai ficar em Joinville. Quer vir para Joinville, vem para trabalhar. Quem vir pra cá para não fazer nada, não terá espaço.

Os profissionais da cultura reclamam da extinção da Fundação Cultural de Joinville e sua unificação com a secretaria de turismo. O senhor pretende manter esse formato?

Eu vejo que não é o nome de uma secretaria que vai fazer a diferença, mas sim a pessoa que gerencia, a forma de gerenciar e o que poder público oferece para esse gestor. O gestor tem que ter no seu plano de governo quanto vai gastar naquele setor. Eu não posso dizer hoje porque não tenho a noção e o acesso a todas as informações da prefeitura. Mas no meu governo vai ficar claro que para secretaria de Cultura vai ser disponibilizado X. 

Então, tem sentido a secretaria de cultura estar junto com a de turismo no meu entender. Turismo e cultura andam juntos porque o turista vem pra cá se tiver alguma coisa que atraia. E para que venha pra cá eu preciso olhar para a Serra, olhar para a Baía Babitonga e dizer venham pra cá. Mas fazer o que? Nós só temos o Barco Príncipe pra andar na baía, nós não temos competições de canoagem, de vela, de pesca. E o lado da cultura? Nós temos o Festival de Dança e ficamos o ano inteiro sem um palco de dança na cidade. Então, vamos fazer concursos de dança o ano inteiro, concursos de música, festivais, vamos fazer concursos de arte, dar espaço ao pessoal do circo, da literatura. Vamos abrir a oportunidade para todas as áreas da cultura porque isso é turismo junto. Eu não estou inventando a roda, o custo disso é muito pequeno. 

Hoje, Joinville não tem nenhum espaço público dedicado exclusivamente ao esporte que possa receber um grande número de pessoas. Na época do Festival de Dança, por exemplo, os jogos de basquete e futsal são interrompidos no Centreventos. Outro espaço sem utilização é o Ginásio Ivan Rodrigues. Como resolver esse déficit?

Eu falo sempre que saúde é uma questão de bem-estar social, físico e mental. Quem pratica esporte tem bem-estar físico, mas convive com pessoas e, automaticamente, não está em depressão. Com o bem-estar social, isso desenvolve a serotonina, que faz com que as pessoas tenham alegria de viver.

Então, é um absurdo ver o Ivan Rodrigues fechado, onde eu já joguei futsal, comecei uma equipe e ajudei a reformar o piso. O nosso ginásio Abel Schulz reformaram, mas poderiam ter pensado algo mais forte, fizeram o básico do básico, poderia ter sido feito com mais carinho e com a participação da iniciativa privada. Mas é muito pouco pra Joinville, que é a terceira maior cidade do Sul do Brasil.

Nós temos do lado da Arena condições de se construir uma situação especial. Nós não temos hoje uma piscina para as pessoas simples. Nós temos vários campos pela cidade, mas qual é o apoio do poder municipal pra eles? Nenhum. Os campos e quadras que existem nas comunidades, o poder público poderia estar junto com eles, mas prefere inclusive travar. Agora, se nós pensamos em ser uma cidade pra frente, precisa se criar um centro mais fortalecido ou incentivar mais clubes sérios, que possam fazer parceria com a prefeitura para utilizar os espaços. 

Temos que construir uma área pensando no basquete, pensando no esporte de alto rendimento pra Joinville voltar a ser uma cidade do esporte. Nós temos as quadras das escolas municipais: por que elas não são abertas nos finais de semana e feriados pra comunidade? Os pais cuidam. Vamos fazer com que as pessoas entendam que a escola é da comunidade e fazer competições de vôlei, futsal, tênis, peca, competições para que as pessoas se encontram no fim de semana. O que a gente já tem está muito mal utilizado.

Como você pretende resolver o impasse em relação à licitação do transporte coletivo em Joinville e reduzir o preço da passagem, que é uma das mais caras do Estado?

Pra mim, é um absurdo o que acontece em Joinville. Nada contra as duas empresas que estão ali, em hipótese alguma, mas sim contra o modelo que está acontecendo. Nós temos números que mostram que vem caindo o número de pessoas andando de ônibus. As duas empresas que hoje atuam são obrigadas a repensar o modelo e quem assume a prefeitura tem que pensar nas estratégias.

Hoje eu pego um aplicativo junto com um amigo e pago R$ 8 e se estivermos os dois de ônibus custa R$ 10. Só que o aplicativo me pega na porta e me deixa na porta, o ônibus passa numa rua principal e eu preciso andar até ele. Então, nós precisamos criar rotas alternativas e não precisa ser ônibus. Por que não se abre oportunidade para as vans entraram no mercado? Nós temos que estudar toda essa parte da licitação, esse contrato ao pé da letra e mexer nesse processo, que não está mais adequado às pessoas. Não é só o valor, que é alto, mas também a logística. Esse modelo não serve mais.

Outra questão são os itinerários, em que os ônibus atrapalham muitas vezes o trânsito, sendo eles os donos da rua e os carros e motos sendo esquecidos. Nada contra as duas empresas, mas temos que rever o modelo urbano de Joinville em termos de transporte. Situações estão pensadas pela nossa equipe, em outras alternativas além do ônibus.

Joinville carece de parques, de áreas verdes, de mais convívio social. Como pretende resolver essa carência, em que prazo e com quais recursos?

Eu sou do tempo em que a gente tomava banho na entrada do Mirante, no Zoobotânico. Nós tínhamos ali uma piscina de água gelada e cristalina e era liberada pra tomar banho. E no meio daquela lagoa, tinha duas canoas que as pessoas podiam pegar e sair pra passear. Por que cortar essas coisas tão boas para a população?

Ao redor do Morro do Boa Vista quanta coisa dá pra fazer sem prejudicar a natureza. E na Serra do Mar, quantas propriedades podem fazer isso? Em São Francisco, se faz tudo na água na Baía Babitonga, mas em Joinville é essa situação de nada pode, nada deve. Nós estamos na mesma bacia hidrográfica, o que está acontecendo? 

O pessoal do Espinheiros vem fazendo milagre, é um exemplo do que pode ser feito de diferente. O pessoal do Morro do Amaral, que local maravilhoso, mas nunca fizeram um asfalto pra quem quiser ir lá comprar um fruto do mar daquele povo que precisa e vive daquilo. Deixaram de asfaltar um trecho na Vigorelli, então que pelo menos se faça um tratamento adequado. Mas não tem água e nem luz, que falta de humanidade naquela Vigorelli. Se eles invadiram e ficaram lá 40 anos, vamos respeitar, que chegue pra eles as condições básicas. Não vai muito dinheiro, é só enxugar alguns gastos do dinheiro público. 

Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?

Eu fui muito bem recebido quando vim pra Joinville em 1976. Vendi muito picolé no campo do JEC e em 1998 em comecei uma escola depois de muitos anos de educação e trabalho. E sempre que eu entrava nas salas de aula eu falava uma coisa básica: não venham para buscar um diploma, venham pra adquirir conhecimento e se transformar em alguém de valor no mercado. Olha pra dentro de ti e diz “eu posso crescer e me desenvolver” e é esse jeito que a gente trabalha, dizendo para as pessoas “acredite em ti e vai adiante, a tua fé te faz andar”. Assim já dizia um cara há dois mil anos atrás e é a ele que sigo. 

Eu não estou para brincadeira, estou para fazer um trabalho sério junto à prefeitura de Joinville e quero deixar um legado de um trabalho organizado e que sirva de exemplo, não só na cidade, mas no Brasil e em outros lugares do mundo. Então, por isso eu peço, humildemente, o voto das pessoas, para que olhem uma pessoa que quer realmente se dedicar quatro anos a um trabalho muito sério para a comunidade. Me dê a oportunidade e pode cobrar porque eu vou trabalhar sério por Joinville.

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