“Quero ser a primeira mulher a governar Joinville”, diz Tânia

Candidata do partido Cidadania, Tânia Eberhardt falou sobre o seu plano de governo e as ações que pretende implantar em Joinville

Mais um candidato à prefeitura de Joinville foi sabatinado pelo Grupo ND. Nesta sexta-feira (23), foi a vez de Tânia Eberhardt, do partido Cidadania, falar sobre suas propostas para a maior cidade catarinense em entrevista à NDTV Record Joinville e ao Portal ND+.

Tânia Eberhardt tem 68 anos e é formada em Pedagogia. Como servidora municipal concursada, atuou em diversos órgãos do governo, como as secretarias de Saúde, Assistência Social e Recursos Humanos, Hospital São José e Fundamas. Foi secretária do Estado da Saúde e diretora geral do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. Foi vereadora por dois mantos consecutivos, de 2004 a 2012.

Entrevista com Tânia Eberhardt foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Luana Amorim/ND

Confira a entrevista:

Joinville estará, no início de 2021, ainda em cenário de pandemia. Como pretende aquecer a economia da cidade?

Nós precisamos chamar todo mundo para a responsabilidade. Nós entendemos que o pior já passou, nós vamos trabalhar fortemente na questão, ainda, de tomar os cuidados que precisam ser tomados e voltar a trabalhar. Todo mundo precisa voltar a trabalhar, tomando os cuidados precisos.

Nós vamos fazer essas discussões principalmente com a parte epidemiológica do serviço de saúde que precisa acompanhar de perto essas questões e nós estamos, inclusive, propondo no nosso plano de governo um maior apoio à equipe epidemiológica do município para não sermos mais pegos de surpresa. 

Você precisa ter técnicos preparados para uma pandemia como essa, a gente espera que essa esteja terminando, mas outras poderão vir. E com a equipe epidemiológica você discutir com a sociedade como um todo como nós vamos voltar a produzir. Não temos mais como deixar de fazer isso.

Em seu plano de governo, você fala em ampliar a oferta de programas de incentivo à qualificação docente nos níveis de mestrado e doutorado. Como fazer isso? Qual seria a atribuição da prefeitura?

A prefeitura, na pior das hipóteses, precisa liberar o servidor do ponto para fazer o seu mestrado e doutorado e, hoje, ela evita isso. Quando os cursos são afim de áreas interessadas, a prefeitura pode até prover algumas bolsas de estudos. Nós não vamos nos comprometer com valores nesse momento porque nós precisamos conhecer a realidade da prefeitura, haja visto que só para o Ipreville ela deve quase R$ 1,3 bilhão. 

Então, nós precisamos tomar esse cuidado. Agora, na pior das hipóteses, liberar o servidor para o seu mestrado. Nós queremos cada vez mais servidores melhores, aperfeiçoados e tecnicamente preparados para assumir a responsabilidade de servir bem ao público.

Você fala em realizar a licitação do transporte. Tem previsão de como isso deve funcionar? Quais características o transporte coletivo da cidade deve ter e como diminuir o preço da tarifa que, hoje, é uma das mais caras do Estado?

A primeira coisa que eu entendo é que quando você abre um processo de licitação que tem que ser claro, transparente e o mais aberto possível para que muitas empresas possam concorrer, quando você faz isso, automaticamente, você melhora a qualidade do veículo, as condições do transporte e, com certeza, melhora o preço do transporte coletivo. O edital precisa ser discutido tecnicamente com os advogados, com o pessoal que faz as licitações. isso tem ditames, você precisa cumprir o que determina a lei.

Você fala em criar um santuário para animais silvestres em Joinville. Há uma previsão de onde seria esse lugar e com quais recursos ele seria construído?

Esses recursos nós precisamos buscar fora e nós precisamos buscar esse local. Tem quem diga que pode ser até no horto florestal, que nós podemos tornar ele um horto botânico. Tem o grande Morro do Boa Vista que pode ser uma das sugestões, mas que será tecnicamente discutida. Nós vamos fazer isso.

Você fala em potencializar a Cidadela Antarctica. Qual é o seu projeto para o local? Ele continuaria sendo administrado pela prefeitura?

Não, nós vamos abrir um concurso para entregá-lo à iniciativa privada, porém, com a manutenção de algumas características. A Cidadela é um prédio importante para a cidade, a história dela começa com uma cervejaria, nós não podemos perder essa característica da história dela. Entre tantas outras coisas que nós queremos implantar lá, estão a sala de leitura, sala de cinema, um café cultural, nós queremos produzir cervejas artesanais lá para que o turista venha, possa ver como se fabrica e possa saborear uma boa cerveja que nós temos muitas na cidade. Mas ele será administrado pela iniciativa privada.

Hoje, Joinville não tem nenhum espaço público dedicado exclusivamente ao esporte que possa receber um grande número de pessoas. Na época do Festival de Dança, por exemplo, os jogos de basquete e futsal são interrompidos no Centreventos. Como resolver esse déficit?

A Arena pode ser utilizada, melhorada, existia toda uma programação para que a Arena Joinville fosse ampliada e eu acho que pode ser um grande espaço para melhorar essa questão da atividade esportiva. Nós precisamos dar um jeito no Ivan Rodrigues, que está no Centro da cidade, praticamente inutilizado. E nós não podemos esquecer que o Ivan Rodrigues já foi palco dos grandes festivais de dança, os primeiros festivais eram feitos lá. Então, rever esses espaços públicos que nós temos e rever a questão de ampliar a Arena Joinville.

A licitação e as obras do rio Mathias estão suspensas e tendem a ser um desafio para quem assumir a prefeitura. Como você pretende lidar com a questão?

O rio Mathias nós estamos chamando de tatu exótico porque ele acabou furando toda a cidade, todo o Centro de Joinville. Nós temos certeza de que temos que recuperar as condições dos comerciantes que foram prejudicados por conta dessa obra. Isso precisa ser visto de imediato. Precisamos recuperar essas ruas, essa infraestrutura para que os comércios comecem a voltar.

Com relação à obra propriamente dita, provavelmente, nós vamos precisar de uma consultoria jurídica muito forte porque já foi investido muito recurso público lá e nós precisamos de uma avaliação técnica dos engenheiros para saber sobre a continuidade e a finalização dessa obra. E da parte jurídica porque eu não vou me comprometer em concluir uma obra se não resolver o que foi feito até agora. 

Então, nós precisamos de orientação técnica pra isso de engenheiros e juristas para dar continuidade a essa obra. O que eu tenho certeza é que o comércio em torno não será prejudicado e nem adiadas as necessidades que temos que fazer. Primeiro, vamos resolver o problema do comércio e depois o final dessa obra, dado o grande investimento que já foi feito lá.

Eu preciso avaliar todo o processo licitatório, como foi, de quem é a culpa, se a prefeitura fiscalizou, onde está o nó. O que a gente sabe é que é um grande nó que a gente tem que desatar. E qualquer coisa que se diga com antecedência me parece irresponsável, é preciso fazer uma avaliação muito profunda sobre tudo o que aconteceu lá, responsabilizando as pessoas que não fiscalizaram isso, como o próprio poder legislativo, que quando quis abrir uma CPI foi agora, às vésperas das eleições, quando isso poderia ter sido feito muito antes.

Uma de suas propostas é melhorar as condições de trabalho dos servidores. Você poderia dar exemplos de como pretende fazer isso? Com quais ações?

Primeiro, o servidor precisa ser respeitado. As suas decisões, opiniões, sugestões precisam ser ouvidas. Nós estamos sugerindo a criação de um serviço de ouvidoria para o servidor, onde será feito um canal, como o disque 156, pra que o servidor possa manifestar a sua insatisfação.

Nós precisamos capacitar, investir na capacitação do servidor público. Muito pouco foi investido nesses últimos anos em todas as áreas e precisamos dar a eles condições de trabalho, como materiais, equipamentos, boas condições de trabalho. 

E nós também estamos sugerindo a questão do cuidar de quem cuida porque tem áreas que são extremamente estressantes do serviço público, como a saúde, a educação. São atividades em que você está em contato direto com o cidadão e que não é fácil. 

Então, você também precisa ter um serviço de saúde que atenda bem os nossos servidores. Às vezes, um apoio terapêutico. Como eu já fiz, as aulas de ioga, o coral do servidor que já teve e não tem mais. São coisas que já criamos no passado e precisamos voltar a ter. O servidor precisa ir para o trabalho feliz.

Uma das queixas dos empreendedores joinvilenses é em relação à burocratização. Como você resolver essa questão? 

Abrir as gavetas, tirar o que está escondido lá, tentar ver por que isso ficou e acabar com a burocracia. A gente tem dito que o prefeito não pode ficar sentado na cadeira se não ele é engolido pela burocracia. E nós temos falado também que queremos levar a prefeitura para dentro do celular, que hoje todo mundo tem. 

E na medida do possível, eu preciso fazer as minhas coisas em casa. Algumas coisas nas secretarias, nas mini prefeituras, que nós vamos dar pra elas um suporte muito maior do que têm hoje, e tentar colocar a prefeitura no celular para que eu possa resolver a maior parte das coisas pelo celular. Ou seja, burocracia zero. Acabar com as filas na prefeitura em todos os setores.

Entrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Luana Amorim/ND

Você fala em implantar as pontes Anêmonas, Nacar, Plácido Olímpio, entre outras. Com quais recursos pretende fazer isso?

Algumas coisas é possível fazer com recursos próprios e outras terão que ser buscados fora. Eu não sou uma pessoa de gabinete, eu vou precisar muito dos meus deputados. Por isso, eu tenho feito a sugestão de que aqueles hoje candidatos a prefeito que foram eleitos para serem deputados, se mantenham deputados e que a gente faça, em harmonia, uma administração conjunta, um pacto por Joinville. 

Porque pós-pandemia nós vamos encontrar muitas dificuldades, não só nas pontes, nas ruas, nas escolas, na assistência social, porque será um ano em que as pessoas vão se encontrar muito desempregadas. Então, nós vamos precisar de recursos do Estado e da União. Eu sou uma pessoa de fácil acesso, de boa conversa, quero estar sempre com o governador e com o presidente buscando recursos. Mas nós elegemos deputados pra isso, para serem a primeira ponte entre o governo municipal e os governos estadual e federal. 

Por isso, eu tenho feito um desafio aos nossos deputados para que a gente faça um pacto por Joinville e, aproveite que eles foram eleitos, e se foram eleitos é porque tinham essa credibilidade, continuem no cargo para o qual foram eleitos e juntos busquem recursos para reconstruir Joinville.

Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?

Eu acho que o eleitor precisa pensar muito antes de votar. Não deve votar no mais bonito ou no mais simpático, mas em quem tem história. Eu tenho 40 anos de história dentro do serviço público. Passei por áreas difíceis, como a saúde, a assistência social, administração, recursos humanos, habitação, ou seja, toda essa história me credencia a pedir o voto do joinvilense.

Passei por esses serviços todos e consegui isso sem ter deixado nenhuma marca e nenhum registro de ter feito alguma coisa que desonre o povo joinvilense. Fiz sempre com muita vontade, integridade, passei por momentos difíceis, mas não deixei nunca de cumprir com o meu papel de servidora pública. 

E eu quero continuar sendo servidora pública desse município por mais quatro anos com um caneta com um pouco mais de tinta. Tenho dito sempre que conheço o passado, sei os caminhos para que se possa buscar soluções para a nossa cidade. Além de que nós estamos numa terra feminina, a terra implantada por Dona Francisca, e eu sou uma mulher. E quero ser a primeira mulher a governar Joinville, que está precisando de um olhar feminino. Nós estamos carentes, já não temos mais flores, não temos mais árvores plantadas, nós precisamos tirar esse cinza e esse baixo astral que tomou conta da nossa cidade e eu acho que posso fazer isso.

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