“Vamos reduzir os cargos comissionados na prefeitura de Chapecó”, diz Marcio Sander

O candidato do PSDB foi o quinto entrevistado pelo Grupo ND, ele falou sobre suas principais propostas caso seja eleito prefeito do município

O quinto candidato a prefeito de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, entrevistado pelo Grupo ND foi Marcio Sander (PSDB). Seguindo a ordem do sorteio, o candidato falou nesta sexta-feira (16) com o ND+ e o apresentador do Balanço Geral, Eduardo Prado. Sander apresentou suas principais propostas para comandar a prefeitura.

O candidato do PSDB falou sobre suas principais propostas. – Foto: Willian Ricardo/ND

Marcio Sander tem em 52 anos e é graduado em Administração. Foi vereador por seis vezes e assumiu o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Urbano por duas vezes. Esta é a primeira vez que o candidato concorre ao cargo mais alto do Executivo.

Confira a entrevista com Marcio Sander na íntegra:

Quais as suas principais estratégias para dar continuidade e superar a atual gestão de Luciano Buligon?

Existe o Plano Plurianual, um instrumento legal que quem assume como prefeito tem que fazer esse dispositivo legal e encaminhar ao Legislativo, o qual aprova. Primeiro tem que respeitar essa legislação que existe justamente para dar continuidade às obras. Os projetos que estão encaminhados têm que ser respeitados.

O que pretendo fazer de diferente é a reforma administrativa. Por exemplo no que diz respeito a gestão de gastos, a revisão dos contratos e a reforma administrativa. Tenho o compromisso de deixar apenas 65 cargos comissionados. Hoje são 250 e já chegou a 407. O que representa esses 65? É 1% do total de cargos que existem na prefeitura que hoje é de 6.476 cargos, entre todos os setores. E é esse 1% que vamos trabalhar nos cargos comissionados. O restante dos cargos de chefia vão ser ocupados conforme qualificação técnica, histórico de formação e experiência dentro do setor público para responder pelas funções.

As demais secretarias e funções vão ser todas nomeadas conforme qualificação e entendimento no setor. Minha maior preocupação é no que diz respeito ao pós-pandemia, principalmente, na saúde e na educação. Como voltarão as crianças para as escolas e como estará a cabeça deles para isso? Queremos implementar a questão do CAPs 24 horas e preparar os profissionais para que eles estejam prontos para agir no retorno às aulas.

Os investimentos no que diz respeito à saúde tem que aumentar, existe já um limite constitucional previsto de 15% no mínimo. Na educação existe o mínimo de 25% para ser investidos, mas podemos investir mais. Então esses recursos que serão economizados, em torno de 42 milhões em quatro anos, mais a outorga do aeroporto, mais outras atividades de privatização que pretendemos fazer, vamos investir prioritariamente em saúde e educação, em terceiro infraestrutura.

Caso seja eleito, qual será a sua principal bandeira como prefeito de Chapecó?

A principal bandeira é o comprometimento com a comunidade por meio de gestão. Minha formação é em administração, estudei para isso e tive uma convivência de 18 anos dentro da universidade, nove como aluno e nove como professor, que quero aproximar e transformar em oportunidades.

De que forma a sua experiência política pode contribuir para a prefeitura?

Marcio Sander também concedeu entrevista exclusiva ao Balanço Geral. – Foto: Willian Ricardo/ND

Eu penso que isso hoje faz toda a diferença. Administração pública não se faz com grito, com propostas indecentes e com o que não se sabe o que diz. Eu sei o que digo e o que posso fazer. Primeiro: minha formação é administração, fiz pós-graduação em tributária e gestão ambiental, e fui aprender. Tive a humildade de aprender gestão pública. Somado a minha experiência no Executivo eu coordenei duas revisões do Plano Diretor de Chapecó, uma no Executivo como presidente do Conselho de Desenvolvimento Territorial, e outra como presidente da Comissão Especial da Câmara de Vereadores e eu ajudei a construir isso.

Em segundo lugar, tenho a experiência de ter sido por quatro vezes presidente da Câmara de Vereadores o que me deu uma oportunidade muito grande de troca de ideia e respeito com as mais diversas opiniões. Além da parte administrativa de gestão, também administro a parte política e tive essa experiência que me ajudou muito. Eu sou candidato a prefeito pela primeira vez e essa disposição em ajudar vem da auto avaliação. Acho que cada candidato tem que ter humildade de saber se está preparado para não acontecer o que aconteceu como Governo do Estado. As pessoas precisam entender do que vão fazer, principalmente porque vai lidar com os recursos dos outros, com a responsabilidade da saúde e educação dos outros e você tem que estar preparado para isso.

Quais são suas propostas para atender os chapecoenses no que diz respeito ao lazer e ao turismo?

Eu tenho experiência nisso porque fui secretário de desenvolvimento econômico e turismo. Nós aumentamos em torno de 18% ao ano, quando atuei na secretária, o número de eventos em Chapecó. Foi o maior crescimento que teve. Eventos que sempre eram feitos em Florianópolis e Blumenau, por exemplo, vieram para Chapecó, além de incentivar aqueles que já estavam programados para fazer. Tenho experiência nisso e um ótimo relacionamento com o Sihrbasc e do Convention Bureau. Nós pela primeira vez oportunizamos que o Convention Bureau estivesse dentro do Centro de Eventos, por meio de autorização do Contur. Temos o Conselho Municipal de Turismo que sempre participei e sei como funciona.

Na área do lazer eu penso que Chapecó tem boas opções. Poucas pessoas sabem que temos 82 áreas institucionais do município e que podem ser utilizada para o interesse público. Quero criar uma comissão para verificar todas elas e ver quais podem ser utilizadas para o lazer, para uma praça de esporte ou área de convivência, por exemplo. No parque da Efapi a minha ideia é reservar as datas oficiais para grandes feiras e proporcionar a utilização do parque por 365 dias. Lá tem uma área de 211 mil metros e mais uma área com em torno de 25 mil metros. Vamos fazer um plano diretor de utilização, manter a Cidade dos Idosos, mas proporcionar o espaço da Efapi também para a comunidade. Fazer uma parceria público-privada com instalação de restaurantes, pista de caminhada, espaço de convivência de animais, local para andar de bicicleta e parque de diversão. Com toda essa estrutura dá para ser elaborado um projeto arquitetônico que sirva à comunidade 365 dias. É um espaço ocioso que é importante para os eventos e vai continuar sendo, mas vai ter um outro objetivo de atendimento à comunidade.

A praça Coronel Bertaso, por exemplo, que é o cartão de visita de Chapecó, será totalmente remodelada com iluminação para que as pessoas possam ir na praça em segurança. Teremos projeto de revitalização das praças. O Ecoparque fui o único vereador que provocou o assunto de ampliar o espaço. Essa área tem 121 mil metros apenas 42 mil metros está ocupado. Eu vou trabalhar, como provoquei a outra vez, e vou trazer a comunidade para essa discussão para que a prefeitura ofereça permuta de uma outra área e seja ampliado no espaço do Ecoparque para a utilização da comunidade. A área pode continuar sendo da Polícia Militar, mas pode ser ampliada para acesso da população.

E para a economia, quais são as suas propostas para os principais setores?

Sander foi o quinto entrevistado pelo Grupo ND em Chapecó. – Foto: Willian Ricardo/ND

Eu tenho uma experiência boa no setor de desenvolvimento econômico, quando fui secretário por duas vezes. Coordenei duas das maiores Efapis de Chapecó, em 2011 e a do Centenário. No desenvolvimento econômico ganhamos o prêmio da melhor Sala do Empreendedor de Santa Catarina, pelo Sebrae/SC. Montamos uma estrutura com oito servidores públicos com formações em economia, administração, contábeis, arquitetura e direito. Abrimos mais de 5 mil micro e pequenas empresas, incentivando o empreendedorismo. Vamos apoiar o agronegócio e as cooperativas por meio de infraestrutura que é o que eles precisam e ao mesmo tempo dar alternativa aos pequenos.

Nessa questão da diversificação da economia, moveleira, metal mecânica, agronegócio, eu tenho uma experiência muito grande nisso e temos um plano de incentivo no desenvolvimento econômico, mas em especial de ampliação da sala do empreendedor e para facilitar a abertura das empresas. Eu ajudei a construir e a lei de liberdade econômica no nosso município que já facilitou muito e essa experiência como secretário por duas vezes e como executivo na área de desenvolvimento econômico me dá condições para criar novas alternativas.

O novo plano de mobilidade urbana de Chapecó prevê a construção de um binário para agilizar o trânsito. Caso seja eleito, na sua gestão, essa proposta será mantida?

Vamos executar o plano. Tem que ser tirado do papel o que já foi elaborado, discutido com os setores e aprovado pela comunidade. O que falta é executar, mas isso passa também pela questão do Plano Diretor de Desenvolvimento Territorial. Eu coordenei por duas vezes essa revisão e em cima disso que foi criado o plano de saneamento e o de mobilidade urbana. Chapecó tem um diferencial na economia que com 103 anos tem quase 225 mil. Somos uma jovem cidade que cresceu.

Outro setor afetado pela pandemia da Covid-19 é a saúde. Muitos serão os desafios para a próxima gestão, uma vez que os reflexos da crise ainda serão sentidos. Quais propostas o candidato tem para melhorar a saúde em Chapecó?

Vai ser uma experiência de gestão, diminuição de custeio da máquina pública. O maior enfrentamento que vamos fazer na retomada são as consequências emocionais das pessoas no pós-pandemia. Têm pessoas preocupadas porque perderam o emprego e outros que ainda podem perder, a ressocialização das crianças e professores na escola e da sociedade como um todo e lidar com a preocupação de uma segunda onda de pandemia. O gestor terá que estar prevenido. Temos que intensificar e preparar. Passamos por uma grande provação e temos que aprender a ser mais humanos, mais gestores, aprender as prioridades e tomar decisões em cima disso.

O que os chapecoenses podem esperar de Marcio Sander, caso seja eleito prefeito?

Eu nasci e me criei aqui. Minha vida pública está exposta. Meu trabalho registrado nas funções que ocupei no Legislativo e nos cargos no Executivo. Tudo com muita responsabilidade dentro dos princípios da administração pública. Andei na linha e procurei aprender. Todo esse meu conhecimento e experiência de vida, como ser humano inclusive, quero colocar em prática para servir a comunidade. Essa é uma opção minha. Tem que ter coragem, disposição e compromisso, mas, acima de tudo, tem que ter espírito público e é isso que tenho tido ao longo dos anos. Conquistei meus cargos por meio de mandato, disputando eleição. Nunca fui de esperar arrumar cargo. Deixei outras atividades como professor universitário para poder servir e aprender e esse aprendizado me deu a condição de poder representar bem as pessoas.

O candidato concorre pela primeira vez à prefeitura – Foto: Willian Ricardo/ND

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