Gean Loureiro fala sobre vacinação, greve da Comcap e rompimento de estação da Lagoa

O ano de 2021 começou conturbado para o prefeito da capital catarinense, que em 35 dias após a reeleição enfrentou adversidades conhecidas, como a pandemia, e alguns percalços como a greve da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital), que gerou desgaste e fogo cruzado entre a gestão municipal com o Sindicato e os trabalhadores.

Gean Loureiro (DEM), é categórico ao dizer que segue na retaguarda para garantir uma vacinação ágil: “Tenho R$ 20 milhões guardados”. O mandatário sinalizou uma possível compra de imunizantes no mercado internacional, mas ainda não conta com a aprovação da aquisição em instâncias superiores. É claro, a compra também pode ir por água abaixo caso o Planalto satisfaça os anseios de estrutura para a continuação do plano com velocidade.

No caso da Comcap, segue com a tese de que a população não deve ser refém do sindicato, e viu a medida que tomou, de contratar empresas privadas em período de greve, algo que não havia sido feito em ocasiões anteriores, como um ponto positivo.

“O que ocorria na prática: Era feita uma greve, e pra voltar da greve, é escolhido mais um super privilégio. E o prefeito tem que fazer, pois se não a cidade fica sem limpeza de lixo”, disparou.

A economia com os recursos oriundos desse conflito, que envolveu multa ao sindicato, deve gerar injeção de dinheiro em obras na cidade, como alargamento das faixas de areia de Jurerê e Ingleses, Ponte da Lagoa da Conceição e revitalização de vias expressas. “Essa economia vai permitir que Florianópolis possa continuar avançando”, cita, afirmando que há de entregar infraestrutura em seu mandato. Entregas essas, que podem tornar a cadeira de Governador do Estado, um alvo.

Apesar de não afirmar que irá, efetivamente, candidatar-se, cita que o povo irá buscar por alguém que “tem experiência administrativa, que entrega algo”. Para Loureiro, o foco ainda é a capital.

“Todo político tem o sonho de poder colaborar. Só que isso não é uma imposição em minha vida. Meu primeiro compromisso é com a cidade de Florianópolis”, diz o mandatário.

Abaixo, a entrevista realizada pelo jornalista e colunista, Paulo Alceu, nesta sexta-feira (5).

Em relação à Comcap, que foi um problema que enfrentamos logo no início deste ano, o senhor fez uma divisão. Essa medida foi tomada com o intuito de que eles não fizessem uma nova greve?

Na verdade, a população não suporta mais greves da Comcap, e com isso nós tomamos algumas medidas. A primeira delas foi acabar com o super privilégio que tinha, que traz um custo para todos nós, porque o dinheiro não é meu, não é seu, mas é de toda a sociedade. Nós vamos economizar mais de R$ 20 milhões por ano, e num mandato dá R$ 80 milhões.

Mais do que isso, reorganizamos a estrutura da Comcap, onde a área de coleta, que tem uma relação direta com o saneamento, fica com a secretaria de meio ambiente, e a área da limpeza urbana fica com a infraestrutura, que cuida das praças, que faz a limpeza dos córregos, para que a partir de agora possa ser efetivamente um órgão da prefeitura, integrado, com uma única orientação, e vendo que, com talvez algum estudo, se possa terceirizar alguns serviços, desde que tenham uma qualidade melhor e um preço melhor

Mas é uma medida que enfraquece um pouco a Comcap no sentido de poder ameaçar a população com greve

O que ocorria na prática: Era feita uma greve, e pra voltar da greve, é escolhido mais um super privilégio. E o prefeito tem que fazer, pois se não a cidade fica sem limpeza de lixo. Nunca se tinha tido uma oportunidade onde um prefeito havia contratado uma empresa terceirizada em época de greve.

Nós contratamos em dezembro, contratamos agora em janeiro, que foi uma greve de quase duas semanas, que o sindicato acabou a greve sem nenhuma conquista, porque a lei continua exatamente como estava antes, portanto, todos os privilégios. Ela [Comcap] teve oportunidade de estar melhor estruturada e continuar com esta estrutura, de continuar permitindo a terceirização, e mais, o sindicato sendo punido, pagando todo o prejuízo que causou de destruição na cidade

Que é muito mais de R$ 100 mil a multa que o sindicato deveria pagar, certo?

Na verdade, tudo que tinha na conta foi retirado do sindicato com essa multa e ele ainda parcelará o restante do valor. Acho que isso é pedagógico, é uma demonstração de que não dá para fazer uma greve, depredar o patrimônio público, ter destruição dos caminhões como ocorreu.

Prefeito, essa economia vai para onde?

Essa economia vai para mais obras do município. Tenho que fazer o engordamento da praia dos Ingleses, tenho que fazer o engordamento da praia de Jurerê, tenho que fazer o desassoreamento do Rio Sangradouro da armação, e o Molhe para voltar a areia da praia. Tenho que fazer a ponte da Lagoa da Conceição, tenho que fazer a revitalização da via expressa sul, tenho que fazer a marginal da via expressa continental. Ou seja, temos uma infinidade de obras que, sem recursos, não serão feitas. Essa economia vai permitir que Florianópolis possa continuar avançando.

Outro problema do início deste ano foi a situação da Lagoa. Qual foi a relação do senhor com a Casan para resolver isso por definitivo? Porque a Casan tá pisando feio, não?

A própria fundação municipal do meio ambiente de Florianópolis foi a primeira a agir, quando aplicou uma multa de R$ 15 milhões na Casan, como crime ambiental. Nossa vigilância em saúde também autuou a Casan pelo prejuízo que trouxe.

Nós contratamos um levantamento para ver a qualidade da Lagoa da Conceição, que consequências isso ocasionou. Também mexemos em toda a drenagem, já contratamos uma equipe para recuperar todas as estradas. Pegamos as famílias atingidas e colocamos em hotéis pagos pela prefeitura. Já que às vezes ficam discutindo, quem que tem que fazer, “É a Casan”, “É outro”. Mas agora nós vamos cobrar da Casan esse recurso. Eu não posso deixar a Avenida das Rendeiras trancada.

Mudanças no seu colegiado daqui para a frente: o senhor vai exonerar todo mundo agora dia 15?

Meu time foi um time de sucesso, mesmo dentro das dificuldades ele teve indicadores muito positivos, desde o combate à Covid-19, as ações de infraestrutura, na educação, na assistência social. Então não se justifica ignorarmos esse time que foi vencedor para vim um outro apenas com caráter de composição política. Nós vamos continuar com os nossos principais secretários. O secretário da saúde continua, da educação, continua, da fazenda, continua. O secretário da infraestrutura também continua.

A grande maioria vai continuar, o que vamos fazer é, muitas vezes, trabalhar para evitar uma acomodação que geralmente ocorre nos mandatos de quem foi reeleito. Porque já tá há quatro anos, indo pro quinto, fica até um oitavo. Então você modifica essas peças nesse tabuleiro, dá uma energia nova, um desafio novo, e como eles conhecem o prefeito que acorda cedo e cobra deles todos os dias, eles sabem que vão ter metas para cumprir

Prefeito, nós continuamos com a pandemia, continuamos em uma situação bem delicada apesar da vacinação. Como está no município, o senhor até sinalizou a possibilidade de comprar vacinas, não?

Florianópolis se preparou antecipadamente, foi uma das primeiras cidades do Brasil a lançar o Plano Nacional de Vacinação. Nós adquirimos com antecedência….Ah, vou esperar do Governo Federal, me mandar seringa, me mandar agulha? O refrigerador para armazenar? Nós temos hoje mais de 50 refrigeradores adequados em todos as unidades de saúde, conveniamos com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e também temos ultra-freezers de -70°C para a vacina da Pfizer, que precisa dessa especialidade.

Temos mais de meio milhão de seringas, agulhas, equipamentos de proteção individual, temos 522 vacinadores treinados, uma transparência completa, no formato que não dá chance para ocorrer fura-fila, como houve em alguns locais.

Temos, dentro das prioridades, as ordens que vão ser executadas. Vai ser feito agendamento, vamos ter as centrais de vacinação regionais, 50 unidades com vacinação, sistema drive-thru, um modelo muito arrojado. Isso porque eu acredito que eu maio ou abril não vamos ter vacinas suficientes para todos, e o que vai faltar é estrutura dos municípios para vacinar e imunizar a população até o fim do ano.

Para fazer isso, eu preciso ter, aproximadamente, a aplicação de 3 mil vacinas por dia, são duas doses, a que dá mais de um milhão de aplicações, em Florianópolis. Levando em conta que temos 300 dias até o fim do ano, se vê que estrutura precisamos ter. Estamos preparando essa estrutura pois a vacinação, além da esperança de evitar mortes, é ela que faz a economia retomar com força e vigor.

Estamos trabalhando muito nisso, deixando claro que Florianópolis pode, e vai ser sim, uma referência também na vacinação. Mas, dependemos do Ministério da Saúde, que ainda não autorizou os municípios a comprarem no mercado internacional, mas eu já tenho R$ 20 milhões guardados.

A partir do momento que tivermos liberação, vamos para o mercado comprar, a não ser que o Governo Federal tenha uma disponibilidade que consiga fazer na velocidade que o município deseja. Isso, para imunizar o mais rápido possível toda a população.

Prefeito, antes de terminar eu queria saber: o senhor está se preparando, é claro, para disputar em 2022 o Governo do Estado, e em relação a prefeitura, o senhor nesses dois anos pretende acelerar quais trabalhos para levar como campanha?

Acho que a eleição de 2022 pode ser consequência da atuação de cada pessoa que pretende emprestar o seu nome para ajudar a governar o Estado de Santa Catarina.

Mas o senhor gostaria?

Todo político tem o sonho de poder colaborar. Só que isso não é uma imposição em minha vida. Meu primeiro compromisso é com a cidade de Florianópolis, talvez como, eventualmente, se um dia a população catarinenses tiver esse desejo, eu posso continuar ajudando Florianópolis e os demais municípios catarinenses.

O mais importante agora é eu ter um trabalho, não é momento de discutir eleição de 2022, é momento de apresentar à sociedade o resultado, até porque na eleição eles vão olhar dos postulantes: “você tem experiência administrativa? Você entregou? Você demonstra para mim que, quando assumir, pode melhorar o nosso Estado? Você pode transformar a vida das pessoas para melhor?”

E eu também tenho um compromisso com o meu partido, que vou assumir, no dia 9 de março, a presidência estadual do Democratas. Queremos ter uma proposta para o Estado de Santa Catarina, sermos protagonistas disso, conversando com outras ideologias, com outros pensamentos partidários, que na verdade se somam para ajudar o Estado.

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