“Não vou privatizar Celesc e Casan”, diz pré-candidato Jorginho Mello

Senador falou sobre suas motivações para chegar ao governo do Estado, como lida com as cobranças feitas ao governo Jair Bolsonaro, seu aliado, em relação à falta de repasse federal

O senador Jorginho Mello (PL) foi o quinto convidado da série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do Estado de Santa Catarina iniciada na segunda-feira pelo Grupo ND no programa “Conexão ND Voto+” que vai ao ar, sempre às 22h30, na Record News.

Em sua entrevista, Jorginho falou sobre suas motivações para chegar ao governo do Estado, como lida com as cobranças feitas ao governo Jair Bolsonaro, seu aliado, em relação à falta de repasse federal para obras no Estado. Também comentou sobre as tensões entre os poderes Executivo e Judiciário e o que tem ouvido da população catarinense nas viagens ao interior do Estado.

Senador diz que conhece os 295 municípios de Santa Catarina – Foto: Léo Munhoz/NDSenador diz que conhece os 295 municípios de Santa Catarina – Foto: Léo Munhoz/ND

Senador, o senhor foi o primeiro a se manifestar como candidato a governador de Santa Catarina. Qual é a motivação para esse projeto?

Eu quero servir a população de Santa Catarina. Eu acho que acumulei bagagem para servir a população do meu Estado. É isso que me motiva a ser governador. Quero fazer com que o catarinense seja mais valorizado de diversas formas. O Estado brasileiro, o Estado como um todo, serve para que as pessoas vivam melhor, sejam mais treinadas, mais capacitadas, qualificadas, um Estado que tem um nome extraordinário em todo país. Quando se fala de Santa Catarina, as pessoas respeitam. Lá em Brasília é assim. Dizem até que Santa Catarina não precisa de nada, que é um estado redondinho, arrumado e nós precisamos de muita coisa. Precisamos cuidar das pessoas, então, isso me motiva ser candidato a governador. Eu já anunciei isso desde que me elegi senador. A minha candidatura não é de susto, não é de protesto. Eu anunciei lá atrás, me preparei durante toda a minha vida pública e quero ajudar as pessoas. Quero que as pessoas sejam mais prestigiadas em Santa Catarina.

Eu imagino que o senhor deve ser cobrado sobre um crônico problema do Estado que é a falta de recursos, obras e serviços do governo federal em Santa Catarina. No governo Bolsonaro, esse problema se agravou. O que o senhor tem dito aos eleitores, lideranças estaduais e empresários sobre essa ausência, ou pouca destinação de recursos a Santa Catarina?

Precisamos fazer uma avaliação. O governo Bolsonaro é o que mais destinou dinheiro para Santa Catarina nos últimos 10 anos. Temos números e eu posso passar para vocês. Por exemplo, só na pandemia, passou R$ 1,8 bi. Para estradas, R$ 350 milhões. É o governo que mais colocou dinheiro em Santa Catarina. As obras estão andando. Deu R$ 2,6 bi do apoio emergencial aos catarinenses. O Pronampe [Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte], emprestamos R$ 5 bi em Santa Catarina para salvar micro e pequenas empresas. O governo Bolsonaro foi, nos últimos dez anos, o que mais deu recursos. Para estradas, em 2021 e 2022, deu mais dinheiro do que para a Bahia, que tem mais estradas que nós. A crítica é injusta. O presidente Bolsonaro tem sido parceiro e o governo tem ajudado Santa Catarina.

O senhor falou que quando se fala de Santa Catarina dizem que não precisa de nada. Como é que dá pra mudar esse conceito? Como que Santa Catarina pode conquistar mais respeito perante o governo federal?

Ficando próximo do presidente da República. Não é inteligente para um governador se eleger no prestígio do presidente e, depois, abandonar, achar que se elegeu pelos seus belos olhos. Isso prejudicou Santa Catarina. Se afastou [Carlos Moisés] do governo. A gente precisa estar próximo ao governo para reivindicar. Se somar a nossa bancada, que é muito atuante. O nosso Fórum Catarinense, os 16 deputados e os três senadores, a gente joga junto lá em Brasília e tem dado resultado. Agora, uma pessoa que deveria ser o animador disso, a liderança desse grupo, sempre esteve ausente. Isso prejudicou Santa Catarina. O Estado tem necessidades. Nós temos que concluir todas essas obras. A 285 falta 1,5 km, que liga o Rio Grande do Sul com Timbé do Sul, com a 101, com Porto Imbituba. Nós temos a 280 do Norte, furando o túnel lá, depois de Jaraguá, uma beleza de obra, está funcionando bem, está andando. A 163 estamos revitalizando. A 282 vamos fazer de Águas Mornas até Alfredo Wagner, a terceira faixa. Todas elas estão funcionando bem, dentro dos cronogramas. Mas o afastamento que o governo atual teve do governo federal, além de ser uma traição, prejudicou muito Santa Catarina.

Senador, o promotor de justiça Odair Tramontin, concorrente seu ao governo de Santa Catarina, fez críticas contundentes aqui ao Supremo Tribunal Federal e disse que é o pior Supremo da história. O senhor concorda?

Eu concordo, mas não o Supremo como um todo. Alguns ministros. O Supremo, infelizmente, saiu da raia da constitucionalidade. Passou a ser um ‘puxado’ de partido político de oposição. Isso é muito grave, porque aprendemos a cumprir decisão judicial. Passar a ter um ativismo judicial incontrolável, sem necessidade, decidir pela sua vontade, para contrariar alguém. Isso não pode, não cabe em momento nenhum da política, da democracia e da liberdade. O Supremo tem que ser aquela trincheira de segurança jurídica, de fortalecimento da democracia, corrigir o que transcorreu errado. O partido de oposição que perde uma votação lá no Congresso, a primeira coisa é recorrer ao Supremo, porque sabe que o Supremo vai dar. Isso está errado. É condenável.

Esse debate sobre liberdade de expressão, como é que o senhor avalia?

Eu avalio com muita preocupação. Por exemplo, o deputado Daniel Silveira foi preso, tornozeleira. Eu não concordo com tudo que ele falou, mas ele tinha o direito de falar. Porque quando você vota em alguém, você dá uma procuração. E, nesta procuração, está a possibilidade de votar como quiser, expressar a opinião, de fazer as suas defesas, de fazer críticas. Isso está intrínseco na procuração que você deu. Então, ele podia usar. É sagrado o parlamentar falar. Aí ele foi preso e o ministro Alexandre de Moraes foi o acusado, foi o réu, condenou, foi o que julgou, foi o que denunciou, está tudo errado. Não pode ser assim, isso é um mau exemplo, porque a liberdade é uma coisa muito cara pra nós.

Senador falou sobre o que pensa e o que quer da política de SC – Foto: Reprodução/NDTVSenador falou sobre o que pensa e o que quer da política de SC – Foto: Reprodução/NDTV

Mas aí o Senado se acovarda e não toma nenhuma providência, que é a única instituição que pode reagir a esses abusos do Supremo.

Infelizmente, eu próprio assinei Lava Toga, assinei convocação de ministro, mas infelizmente o presidente Davi Alcolumbre tinha dificuldades com algum processo andando no Supremo. O presidente Pacheco, advogado de carreira, família famosa. Grandes honorários que estão tramitando, então, não quer contrariar porque tem interesse. A saída é ter um presidente do Senado que não tenha rabo preso. Por isso, lá atrás, eu fiz questão de votar para o Amin e convenci o Dário Berger a votar junto, para tentar botar alguém diferente. Se não fica só entre aquelas pessoas que fazem rodízio e não tomam providências. Quem faz a pauta é o presidente do Senado. Então, se eu posso fazer sabatina para ministro do Supremo, se posso aprovar o nome dele, não posso convocar ele para ir lá me explicar como é que ele está fazendo? Isso não é desrespeito. Depois que eles colocam aquela toga, eles viram Deus. Isso está errado. Eles têm feito um desserviço para o Brasil. Esticando a corda. Sempre uma atenção. Eles tinham que ser um um poder que acalmasse o jogo.

Mas o presidente Bolsonaro não contribui para esticar a corda?

Um puxa de lá, o outro puxa de cá. O presidente Bolsonaro tem posições e tem 60% dos votos do brasileiro. O ministro que está lá não tem um voto. Então, não pode ficar fazendo esse contraponto. Tem que cuidar da Justiça, das decisões e não julgar pela capa. Tem que julgar de verdade. Isso criou uma tensão tão grande que chegam a dizer que vai dar uma crise. Não vai dar crise nenhuma. Eu espero que esfrie essa chapa. Essa chapa é prejudicial a todos nós. Ninguém vai ganhar com isso.

O senhor tem viajado muito pelo interior de Santa Catarina. O que que o povo mais apresenta de reivindicação em relação a atuação do governo do Estado?

Eu tenho o privilégio de conhecer os 295 municípios. Ninguém conhece tantos municípios como eu. As potencialidades, as dificuldades, o que os prefeitos pensam, os vereadores, as lideranças, o que temos de cultura. Um dos problemas é que o Estado arrecada muito, apresenta balanços recheados de arrecadação e devolve pouco. Devolve pouco na saúde pública, em saneamento. Tem uma série de dificuldades. Por exemplo, entra governo e sai governo: ‘vamos acabar com a ambulância terapia’ e nunca terminaram. Por quê? Porque o eleitor tem que sair lá de São Miguel do Oeste para Florianópolis, para fazer uma quimioterapia, uma radioterapia. As pessoas querem a saúde mais perto. Isso precisa ser construído e dá pra fazer. Dotar um hospital de serviços que possa atender aquela população. O pessoal também se queixa de infraestrutura, melhoria na educação. A nossa educação tem escola abandonada, escola chovendo dentro. O governo tem que servir para atender o cidadão, as pessoas.

Mas se tem dinheiro, por que a situação chegou a esse ponto?

O governo não sabe fazer. Não é do ramo. Tem dinheiro sobrando. Agora Plano Mil: ‘quem quer dinheiro?’ Até parece o Silvio Santos. Não tem projeto. Aí pede para quem tem projeto. Não é assim. Dinheiro público tem que ser gasto com responsabilidade. Eu sou municipalista por convicção. Acho que tudo acontece no município. Tem que prestigiar os prefeitos, a comunidade. Não pode qualquer projeto. Nós temos um hospital de Chapecó que está prestes a fechar as portas, por falta de recurso. Como é que sobra tanto dinheiro e o Estado não socorre uma das coisas mais importantes, que é a saúde pública?

A maioria dos municípios tem muitos desempregados e muitas vagas sendo oferecidas. Falta qualificação. Como resolver essa equação?

Tem que chamar SENAI, SENAC, FIESC, SEBRAE e fazer um grande mutirão. Usar as universidades comunitárias, que hoje estão ociosas na parte do dia, para fazer curso de qualificação técnica. Formar cursos mais rápidos para dar condições aos catarinenses de conseguir um emprego, de melhorar o seu emprego, ganhar mais, porque falta mão de obra. Tem que qualificar.

Pré-candidato é aliado do presidente Jair Bolsonaro – Foto: Leo Munhoz/NDPré-candidato é aliado do presidente Jair Bolsonaro – Foto: Leo Munhoz/ND

Por que isso não é feito hoje?

Porque não há interesse para fazer ou não sabem fazer, ou não estão conectados com a população. O governo tem que estar conectado com a população para saber as necessidades. O ensino. Temos escolas chovendo dentro. Isso não é possível. Temos que melhorar o ensino, fortalecer para que as crianças venham melhor preparadas. Segundo grau, qualificação para arrumar um bom emprego melhor. O terceiro grau, que é a universidade, ajudar o catarinense a fazer o grande sonho que é uma universidade. Isso melhora a vida dele e, consequentemente, a vida do estado. Santa Catarina é um Estado que enche a boca quando a gente fala. A gente tem que agregar valor. O Estado pode mais e não faz.

Como tornar o Estado mais ágil, menos burocrático e economizar também recursos públicos com mudanças administrativas?

Eu sei. Fui deputado estadual, federal, hoje sou senador e sei como é que tem que destravar essa legislação. O Estado não pode ser um ‘tranca rua’ e, na maioria das vezes é. Tem que limpar isso.. Eu quero apresentar, para a população de Santa Catarina, soluções que vão ao encontro das necessidades. Não adianta o Estado se exibir sobre arrecadação monstruosa e o nosso catarinense estar com dificuldade de pagar suas contas. Precisamos fazer esse diagnóstico de tudo que está atravancando. O Estado não pode atrapalhar a vida das pessoas. Esse Estado pode ser o melhor do Brasil.

Como incrementar turismo e cultura?

Fomentando produções culturais de cada região assim. Você vai a Treze Tílias, por exemplo, faz um um feriado sobre o que aquele município é capaz de fazer. Você vai em São Joaquim, em Urupema, em qualquer região de Santa Catarina. Tendo atração cultural, você traz o turismo. Quem vai a Blumenau, por exemplo, não vai ver o rio, vai por causa da Oktober, por causa da cultura germânica. Quem vai a Treze Tílias vai conhecer as esculturas. O Estado tem que ser um fomentador, um animador disso, que daí você traz o turista.

E sobre o aspecto da gestão pública também há uma premissa do governo do Bolsonaro de privatizações. O senhor acredita que em Santa Catarina há espaço para concessões à iniciativa privada, das empresas estatais?

Eu não digo privatizações, mas parcerias. Por exemplo, eu não vou privatizar nem a Celesc nem a Casan. Eu vou fazer funcionar melhor. Atender as pessoas melhor. A Celesc é uma empresa consolidada, que vende uma preciosidade que é a energia de forma exclusiva. Eu não posso admitir que nós não tenhamos energia trifásica em todos os cantos de Santa Catarina. Por exemplo, lá em Treze Tílias, a Tirol queria ir para o Paraná. Sabe por quê? Porque eles estavam processando leite para fazer o queijo, manteiga, aí dava uma queda de energia e eles tinham que jogar tudo fora. Prejuízo. A Celesc tem que se preocupar em levar energia para todos os cantos de Santa Catarina. Mesmo caso a Casan. Como é que você admite que Santa Catarina seja o penúltimo lugar em saneamento básico? Isso é uma vergonha, não combina com Santa Catarina. A Casan não tem que se preocupar só com água. Tem que se preocupar com água, distribuição, municípios que não dão lucro, mas ela tem que atender e também fazer parceria público privado, porque senão vai desaparecer.

Participe do grupo e receba as principais notícias
das Eleições 2022 na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Política SC

Loading...