“Necessidade urgente”, diz presidente do Ipreville sobre reforma da previdência

Guilherme Casali falou sobre a administração do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Joinville em entrevista ao ND+

As entrevistas com o primeiro escalão do novo governo de Joinville continuam aqui no ND+. O objetivo é entender quais são os desafios, as prioridades e os planos de cada pasta nesse novo momento da administração. E nesta quinta-feira (28), o entrevistado é Guilherme Casali, presidente do Ipreville (Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Joinville).

Guilherme é advogado, mestre em Direito e especialista em Direito Empresarial com ênfase em parceria público-privada. É servidor concursado do Ipreville há 19 anos, onde também já atuou como gerente jurídico.

Guilherme Casali é o novo presidente do Ipreville – Foto: Rogério da Silva/NDGuilherme Casali é o novo presidente do Ipreville – Foto: Rogério da Silva/ND

“Quando vi a oportunidade de uma seleção técnica e isenta, eu me inscrevi. Eu me sinto muito gratificado de poder participar de um governo em que as pessoas comungam da mesma ideia. A sensação que eu tenho é de que os secretários e a grande maioria dos servidores estão muito felizes”, diz o secretário. Confira a entrevista:

Quais os desafios e as prioridades em relação ao Ipreville?

O Ipreville é um orgulho muito grande para a nossa cidade porque é bastante estável e consolidado. Sempre surgem as questões relacionadas aos passivos, mas isso porque temos uma gestão cuidadosa. Aqui no Ipreville temos esse olhar de cuidar do servidor para daqui a 150 anos, que é o que chamamos de cálculo atuarial. Quando a gente faz essas projeções atuariais é para que a sustentabilidade do sistema permaneça. Esse é o desafio, a sustentabilidade do sistema.

Não existe nada que seja muito mirabolante ou algo muito novo porque a reforma da previdência já aconteceu em 2019 para os servidores públicos federais e para os trabalhadores vinculados ao INSS e é uma evolução da questão previdenciária. Eu estou no município há 19 anos e já vi várias reformas da previdência, o servidor público já passou por várias. É um desafio a ser superado, mas é algo que já aconteceu no passado e que, provavelmente, vai acontecer de novo no futuro.

De imediato, eu colocaria como maior desafio a manutenção e a sustentabilidade de um sistema que é muito bom. Em um ranking nacional, o Ipreville é considerado o terceiro maior do país, um dos melhores das cidades do nosso porte, se não o melhor.

Joinville tem cerca de 9.800 servidores – Foto: Carlos Jr./NDJoinville tem cerca de 9.800 servidores – Foto: Carlos Jr./ND

A reforma da previdência é um desafio para o instituto?

O desafio não é passar pela reforma, ela é obrigatória. Não tenho o que inventar, tenho que me adequar. O que me preocupa é manter a sustentabilidade do sistema, a reforma tem que vir e é necessária, quanto mais adia, mais prejudica o município. O prefeito deixa de ter a possibilidade de gerir a cidade com recursos federais, deixa de entrar recurso federal no caixa do Ipreville. Não vejo como a gente nadar contra a correnteza porque ela é muito forte e vai nos levar.

O que o Ipreville pode fazer em relação à adequação à reforma?

Nós fechamos os balanços de 2020, fizemos o cálculo atuarial e identificamos o cenário. Diante dele, vamos encaminhar uma minuta para o conselho do Ipreville analisar e aprovar, mas ainda estamos fechando a redação final. É uma necessidade urgente e que envolve muitas questões complexas, não só as alíquotas, mas as regras e a possibilidade de uma previdência complementar no futuro, não é algo leviano.

Como está a dívida da prefeitura com o Ipreville?

Com a pandemia, o governo federal suspendeu os pagamentos que os empregadores poderiam deixar de pagar para a previdência. Com isso, suspendeu-se os pagamentos desde março do ano passado da cota patronal. É uma situação do cenário financeiro-econômico de um ano típico da pandemia.

Além disso, durante a gestão anterior, o governo deixava de pagar a cota patronal e parcelava depois de alguns meses porque precisava pegar a certidão negativa. As dívidas foram todas repactuadas, só que esses parcelamentos anteriores também foram suspensos durante a pandemia. 

Porém, as dívidas e parcelamentos não comprometem o patrimônio do Ipreville. Em termos de aplicação financeira, de remuneração e de valorização desse dinheiro, isso não causa déficit atuarial. A origem do déficit não é a dívida da prefeitura, mas as regras de aposentadoria que são divergentes do cenário atual.

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Joinville e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.

+

Política SC