“Os 40 deputados não são oposição”, afirma Mauro de Nadal

Emedebista assume a presidência da Alesc na próxima segunda (1º)

O deputado estadual Mauro de Nadal (MDB) vai assumir, durante um ano, a presidência da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). Após um acordo do MDB, a maior bancada, ficou definido que ele vai suceder Julio Garcia (PSD) a partir de 1º de fevereiro.

Depois, em 2022, quem assume o comando da casa é outro colega do MDB, o parlamentar Moacir Sopelsa, que está se despedindo da vida pública.

Paulo Alceu recebe o deputado do MDB, Mauro de Nadal – Foto: NDTVPaulo Alceu recebe o deputado do MDB, Mauro de Nadal – Foto: NDTV

Em entrevista ao jornalista Paulo Alceu, no Conexão ND, Mauro de Nadal falou sobre sucessão na Alesc, o acordo entre as bancadas, a relação Legislativo e Executivo e, claro, sobre como pretende conduzir o trabalho à frente da casa.

Paulo Alceu: Estamos diante de disputa ferrenha pela presidência da Câmara Federal, mas na Alesc, não. O que é melhor, a disputa ou o consenso?

Mauro de Nadal: Temos, hoje, um pré-acordo dentro da bancada do partido. Lá na frente, pra isso se concretizar, teremos nova eleição. Haverá a renúncia do presidente e uma nova eleição, para o Sopelsa assumir no último ano. Mas isso é algo que a gente vem construindo dentro do Parlamento. A gente percebe, hoje, que o Baleia Rossi (MDB) [deputado federal, candidato à presidência da Câmara dos Deputados, em Brasília] tem uma desenvoltura muito grande dentro do nosso partido. Isso tem credenciado ele a ter o respeito e carinho de todos emedebistas no Brasil, embora seja uma figura política nova, a nível de Congresso.
Lá estamos falando de 513 parlamentares, é difícil encontrar um acordo, um consenso para condução da casa. Aqui em SC, se não me falha a memória, estamos há mais de 15 anos nessa forma de acordo prévio.

Esse modelo veio com o próprio Julio Garcia, que está deixando a presidência, certo?

Sim, veio com ele, depois outros deputados que o sucederam vieram na mesma linha: de fazer um entendimento prévio na casa, para a eleição não ter disputa. A Alesc tem percebido, ao longo desse período todo, um amadurecimento muito grande na discussão das matérias. Cada deputado defende seu ponto de vista, sua região, o modo de ver a política acontecer em SC. Mas no momento em que a gente discute a organização da casa, o modo de a casa trabalhar, há uma certa convergência entre as ideias dos parlamentares e isso tem facilitado o entendimento para compor.

Depois que o Sopelsa entrar, vai mudar tudo na Alesc? Comissões, cargos na mesa?

Não. As comissões são eleitas por dois anos. Essa é uma decisão interna que o partido teve, até um gesto da nossa parte. Eu vinha, por autorização do partido, fazendo essa construção com os demais pares da casa, mas o Sopelsa está encerrando sua carreira como deputado e foi um gesto nosso em homenagem a ele, que está no final de carreira e não vai mais disputar eleições. Eu compreendo que é um grande gesto em homenagem ao trabalho e história dele dentro do nosso MDB.

Neste ano à frente da Alesc o que o senhor pretende fazer?

A gente já vem trabalhando junto com nosso presidente Julio Garcia, na qualidade de vice-presidente, e colocamos algumas filosofias importantes. Hoje, a sociedade não quer só o político por político. Quer o político que seja também gestor. Procuramos, ao longo desse período, fazer uma boa gestão na casa.

Essa gestão passou por economias e algumas adaptações, dentre as quais, a transformação de toda parte de informática da casa, ou seja, com o tempo – isso no curto prazo – vamos eliminar o uso de papel. Isso vai trazer economia muito grande para a Alesc, porque lá funciona tudo em duplicidade.

Economia, otimizar o que já temos dentro da casa, fazer um aproveitamento ainda maior dos servidores, para evitar que a gente precise fazer grandes contratações, para essas adaptações todas. E também, em paralelo a isso, uma sintonia muito grande com as necessidades dos catarinenses, algo que temos marcado muito ao longo dos últimos dois anos.

Esses dois anos de Julio Garcia foram diferenciados, porque tínhamos um governo um pouco distanciado dos poderes, agora, parece que o governo se aproximou e há sintonia entre Legislativo e Executivo. O que muda a partir de agora com o senhor na presidência?

O que temos observado no governo Moisés, desde o início, é o seguinte: a própria bancada do MDB, por algumas vezes, teve oportunidade de sugerir ao Secretário da Casa Civil, algumas reformas no governo. E, naquele momento, as sugestões não foram aceitas por quem cercava o governo, porque tinham um entendimento diferente daquilo que estávamos sugerindo.

Mas o que foi sugerido à época, está acontecendo agora: uma abertura do governo para que o parlamento verdadeiramente possa exercer um papel de auxílio ao governo. Os 40 deputados não são oposição.

Eles representam as mais variadas regiões de Santa Catarina e todos preocupados em ajudar a fazer um governo bom. Nosso trabalho agora é fazer a Alesc ser mais participativa nos processos decisórios de políticas importantes para o Estado.

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