Porto de São Francisco do Sul: conselheiro denuncia cabide de emprego

Ele também diz que é favorável à extinção da empresa pública, decisão que foi anunciada pelo governador Carlos Moisés

Um dia após a notícia de que o governador Carlos Moisés decidiu extinguir a SCPar (Santa Catarina Participações), o Grupo ND teve acesso a um documento que foi encaminhado ao presidente da estatal pelo conselheiro Almir Wagner, no qual ele se diz favorável à extinção da empresa pública e ainda acusa o próprio governador e a equipe do Estado de criar um cabide de empregos, atrasarem licitações importantes, tornando-se alvos de escândalos de corrupção que resultaram na atual situação da SCPar, empresa criada em 2005 pelo próprio governo.

Porto de São Francisco do Sul pode ser privatizado após a extinção da SCPar – Foto: Divulgação/Secom/NDPorto de São Francisco do Sul pode ser privatizado após a extinção da SCPar – Foto: Divulgação/Secom/ND

Os escândalos de corrupção e adulteração de licitações foram, inclusive, denunciados pelo jornalismo do Grupo ND e levaram a demissão de toda a direção do Porto de São Francisco do Sul.

O conselheiro diz, ainda, que a privatização do Porto, medida proposta pelo governador com a extinção da empresa pública, vai contra a história de São Francisco do Sul e coloca em xeque a economia do município do Litoral Norte, que “depende quase que exclusivamente do Porto. Há centenas de pequenas e médias empresas que atuam no porto como operadores de carga ou prestadores de serviços em geral”, fala no documento.

Almir Wagner conta que soube da extinção da SCPar e possível privatização dos portos de São Francisco do Sul e Imbituba – os dois administrados pela empresa – pela coluna de Moacir Pereira, mas afirma que há cerca de duas semanas, os diretores do porto acompanharam o governador à Brasília. Na capital, a comitiva teria se reunido com Tarcísio Freitas, ministro de Infraestrutura para tratar do assunto.

Atualmente, a SCPar conta com 250 trabalhadores entre seletistas e estatutários e outros cerca de 400 avulsos, como os estivadores, que possuem permissão para trabalhar no porto Com a privatização, por não possuir vínculo empregatício, eles ficam sem permissão de entrar no espaço privado.

O conselheiro salienta que a privatização gera dúvidas sobre o funcionamento dos portos e sobre a total ou parcial entrega à iniciativa privada. “No caso da privatização dos portos, vemos como uma afronta à cidade de São Francisco do Sul. O porto é centenário e sempre foi público. O governo do Estado de SC nunca investiu um único centavo no porto e agora vem com essa iniciativa de privatizar”, fala.

De acordo com as informações de Moacir Pereira, a primeira medida adotada foi a nomeação de Ricardo Moritz para a presidência da SCPar. A intenção é que ele tome as providências para privatizar e depois extinguir a empresa pública. O Governo do Estado estaria, ainda, elaborando um projeto de lei sobre o assunto para encaminhar à Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina).

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