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Relatório da Operação Alcatraz detalha evidências de conluio de empresários e servidores

O texto aponta indícios de conduta criminosa em relação a sete investigados, sendo que, ao longo da investigação, 54 pessoas já foram indiciadas

A Polícia Federal (PF) encaminhou na quinta-feira (22) o 17º relatório sobre o inquérito policial da Operação Alcatraz à 1ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis.

O texto aponta indícios de conduta criminosa em relação a sete investigados, sendo que, ao longo da investigação, 54 pessoas já foram indiciadas.

O novo relatório policial detalha evidências de conluio criminoso entre empresários e agentes públicos.

Juntos, eles teriam atuado para fraudar quatro processos licitatórios para contratação de empresas especializadas em prestação de serviços terceirizados perante a SEA (Secretaria de Administração do Estado de Santa Catarina). A ação do grupo teria acontecido entre os anos de 2016 e 2018.

O relatório policial apresentado à Justiça está à disposição do Ministério Público Federal, que poderá oferecer denúncia, requerer diligências complementares ou pedir o arquivamento do inquérito. A Polícia Federal segue nas investigações em relação a outros fatos ligados ao caso.

Reeleição barrada

O TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina) indeferiu o pedido de candidatura à reeleição de João Cidinei da Silva, atual prefeito de Anita Garibaldi, na Serra Catarinense, por considerá-lo inelegível.

Policiamento na frente da Alesc durante a manhã desta sexta-feira – Foto: Eduardo Cristófoli/NDTV

A decisão foi após julgamento do pedido de impugnação oferecido pelo MPE (Ministério Público Eleitoral). O TRE julgou recurso apresentado pelo promotor eleitoral Guilherme Luiz Dutra, do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), contra a decisão da 52ª Zona Eleitoral, que havia deferido o requerimento de registro da candidatura do prefeito, mesmo com a rejeição das contas do município relativas ao ano de 2018.

No recurso, assim como na impugnação, o promotor relatou que o TCE (Tribunal de Contas do Estado) aprovou, em decisão colegiada, pela rejeição das contas apresentadas pelo prefeito naquele ano.

Perplexidade

É assustador e ao mesmo tempo triste se constatar que nenhum daqueles 70% de eleitores que votaram em Carlos Moisés há dois anos, e nenhum daqueles que votaram contra ele, esteve na Assembleia Legislativa, ou seu entorno, nesta sexta-feira (23), para prestar-lhe solidariedade ou condenação.

O mesmo se pode dizer dos representantes da sociedade organizada. Um chefe de Estado foi entregue aos leões. Medo? Indiferença? Uma atitude que merece um estudo. Com a palavra, os entendidos.

Raul Sartori

Suado

O que valeu nesta sexta-feira (23), durante todo o dia de acompanhamento do processo de possível afastamento do governador e da vice, independente do resultado, foi a cobertura da imprensa, a ausência de defensores do governador, seja nas ruas ou na frente da Alesc, e o clima de total tranquilidade, do começo ao fim do rito, entre prós e contras.

Choram uns, alegram outros, o  comportamento foi de respeito até o desfecho. Agora tudo segue. Se o outro pedido de impeachment avança, o clima será completamente diferente do ocorrido durante toda a sexta-feira.

Cada um vai para seu lugar e fazer o que precisa. Seja a queda ou o arquivamento, o Estado viveu tempos de paralisia que comprometeram sua atenção ao cidadão. Se a pandemia foi um desafio ainda a ser conquistada, a cassação tirou SC do seu eixo de normalidade. Segue o barco.

Marcos Schettini