Renúncia em massa de conselheiros provoca crise na FECAM contra comando de Clenilton

Prefeitos questionam a decisão do atual presidente sobre a contratação e demissão de cargos dentro da entidade sem o aval do conselho

Pelo menos seis prefeitos que fazem parte do conselho da Fecam (Federação Catarinense dos Municípios) renunciaram ao cargo entre esta terça (9) e quarta-feira (10).

O motivo seria um desacordo com a atual presidência da entidade, o prefeito de Araquari, Clenilton Pereira, que teria demitido e contratado uma série de funcionários sem o aval do conselho administrativo.

Saída em massa de conselheiros Clenilton assumiu a presidência da entidade no dia 20 de janeiro – Foto: Fecam/Divulgação/ND

Entre os nomes que deixaram o conselho da entidade estão:  Mário Hildebrandt, prefeito de Blumenau; Milena Andersen Lopes Becher, prefeita de Vargem; Rudi Sander, prefeito de São Carlos; Orvino Coelho de Ávila, prefeito de São José; Giovani Nunes, prefeito de São Joaquim; e Joares Carlos Ponticelli, prefeito de Tubarão.

Crise teve início após série de contratações e demissões

Em um documento, no qual o ND+ teve acesso, o conselho apresenta os pontos nos quais são contrários a conduta de Clenilton à frente da entidade, principalmente em relação a contratação e demissão de pessoas.

“Desde que o prefeito Clenilton Pereira assumiu a FECAM com currículo de gestor, ele conseguiu, em menos de um mês desmantelar a área técnica da entidade para acomodar aliados políticos”, diz um dos trechos.

Segundo o documento, Clenilton trouxe para a diretoria executiva a ex-prefeita de São Cristóvão do Sul, Sisi Blind, rebaixando o atual diretor para um cargo não previsto no Plano de Cargos e Salários da entidade, o deixando na “geladeira”.

Ele também teria acertado para ocupar um cargo, que não é previsto nos documentos da entidade, o candidato derrotado a vice-prefeito de Joinville, Rodrigo Fachini, com um salário de R$ 5 mil e mais 100% de comissão, “o que não tem previsão em nenhuma resolução estatutária, e coloca-se como um dos salários mais altos da entidade”.

Os prefeitos alegam que a criação das funções ocorreu sem que o conselho fosse consultado.

“A entidade segue algumas resoluções, afinal, embora seja privada, é mantida com recurso público dos municípios. Por isso, os processos de seleção de cargos, com exceção do diretor, são feitos através de processo seletivo, o que também foi esquecido pela atual direção”, pontua o documento.

Além da contratação, também são questionadas algumas demissões que teriam ocorrido no corpo administrativo da instituição.

“Entre os demitidos, pessoas de muito tempo de casa, alguns com mais de 10 anos e muita experiência no atendimento aos municípios, saíram sem qualquer explicação da direção, tendo sido informados por um escritório de advocacia terceirizado. E a coisa não para por aí. Tentou-se dar uma justificativa de corte de gastos, mas os novos cargos criados possuem altos salários e algumas vagas já estão sendo ocupadas por apadrinhados políticos”, salienta o texto, que ainda diz que Clenilton tentou aprovar um Regimento Interno, sem o conhecimento dos membros da entidade.

Reunião tensa durou mais de três horas

Devido as inúmeras reclamações, os prefeitos convocaram uma reunião para tarde desta terça-feira, pedindo uma explicação ao presidente sobre o motivo das decisões. Confrontado, Clenilton teria alegado que as situações ocorreram para gerar uma “economicidade na federação”.

Insatisfeitos com o retorno, os prefeitos de Blumenau e Vargem pediram pelo afastamento do conselho. “Este é o meu quinto ano à frente da prefeitura e em que participo da federação. Nunca vi uma situação como essa acontecer nas gestões anteriores”, afirma Milena Beccher, prefeita de Vargem e que era vice-presidente da Fecam na atual gestão.

“Com isso, acabamos perdendo uma relação de confiança. Quando montamos a chapa, pensamos que as decisões seriam tomadas em colegiado, porque elas tem uma credibilidade. Nesse caso, isto não ocorreu”, completa a chefe do Executivo de Vargem.

Mário também diz que a iniciativa levou em conta a questão do conselho não estar presente durante a tomada das decisões.

“O presidente apresentou seus argumentos, mas nós continuamos a entender que precisaria ter ocorrido uma conversa com todos os prefeitos antes da decisão ser tomada”, reitera.

Questionada sobre a possibilidade dos prefeitos pedirem a renúncia de Clenilton, a prefeita de Vargem alegou que não há essa conversa, no momento, entre os demais membros.

“Ele precisaria renunciar por iniciativa própria. Se isso acontecer, e todos os conselheiros renunciarem, uma nova eleição pode ser convocada”, explica Milena.

Clenilton se defende das acusações

Na manhã desta quarta-feira, o prefeito de Araquari, Clenilton Pereira, enviou um vídeo à reportagem rebatendo a situação. Segundo ele, ao assumir a presidência, encontrou “muita coisa errada e que não funcionava” e que tomou as decisões que eram precisas.

“Estamos fazendo um choque de gestão. Estamos trabalhando com muita transparência e austeridade. Já economizamos mais de R$ 60 mil, ao final, vamos economizar cerca de R$ 1 milhão. Estou cuidando do dinheiro de cada município”, pontua.

Por fim, ele alega que assumiu a Fecam para fazer a diferença e “não deixar como estava”.

Nova reunião será realizada nesta quarta

Nesta quarta, uma nova reunião, de forma virtual, está marcada com membros do conselho político da entidade, formado pelos presidentes das associações dos municípios catarinenses. A intenção é a mesma do encontro realizado na terça: mostrar as ações e os motivos para elas terem ocorrido.

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