“Saúde é uma das prioridades”, aponta pré-candidato Gean Loureiro

O segundo entrevistado no programa “Conexão ND Especial Voto+”, na Record News, foi o ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (União Brasil)

O Grupo ND iniciou na segunda-feira a série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do Estado de Santa Catarina. O segundo entrevistado no programa “Conexão ND Especial Voto+”, na Record News, foi o ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (União Brasil).

Na entrevista, Loureiro se disse preparado para ser governador do Estado, falou de coligações partidárias, dos maiores problemas de Santa Catarina na visão dele e o fato de se tornar “conhecido” em todo o Estado. O ex-prefeito da Capital catarinense avaliou ações do governador Carlos Moisés e fez críticas à falta de relação entre o governo estadual e federal. O pré-candidato do União Brasil disse avaliar a possibilidade de privatizar a Celesc e a Casan.

Ex-prefeito de Florianópolis revela seus planos para o governo de SC – Foto: Reprodução/NDTVEx-prefeito de Florianópolis revela seus planos para o governo de SC – Foto: Reprodução/NDTV

O senhor se considera preparado para governar Santa Catarina?

Eu estou preparado porque tenho muita experiência administrativa. E pelo fato de eu ter passado por sete secretarias municipais, pela Fundação Estadual do Meio Ambiente, por dois mandatos no Executivo, na Prefeitura da Capital, ter uma qualificação acadêmica, conhecer a estrutura pública a fundo e conhecer os detalhes das regiões de Santa Catarina, entendendo qual o ritmo que um governante tem que dar para que a equipe possa funcionar. Por isso eu me considero preparado e busco me qualificar a cada dia com muita humildade para poder ter a melhor proposta e o melhor estilo de governar para os catarinenses.

A frase é sua: “sozinho ninguém chega lá”. Nesta eleição para governador precisa de uma coligação densa. O senhor já está com o PSD. Tem mais alguma possibilidade de ampliar essa coligação?

Sim, a gente vem construindo possibilidades de poder ter uma ampliação. É claro que União Brasil, o partido que mais tem tempo de rádio e TV, tem uma estrutura pelo Estado que se alia a um dos três maiores partidos de Santa Catarina, que é o PSD, formando um grande número de parlamentares estaduais e federais e vereadores. Eles ganham uma musculatura que já faz essa chapa ser uma chapa muito competitiva. Mas até o dia da convenção, que ainda falta quase três meses, nos permite ter uma pré-campanha buscando ter novos aliados. Só que mais importante do que aliados partidários é ter a conversa com a população. Nós vamos discutir o nosso plano de governo, dialogar com a sociedade civil e chegar no período eleitoral com uma proposta onde o eleitor já teve a sua participação.

Essa pré-campanha, quando que o senhor entende que pode anunciar, eventualmente, novos partidos integrantes da chapa e nomes pra composição. Que vagas que o senhor oferece? Vice e Senado? Que tipo de mapeamento está sendo desenvolvido?

Eu sempre tenho muito respeito com os acordos políticos tratados. Sempre cumpri 100% deles. Num acordo que tivemos com o PSD, o União Brasil ficou com a chapa de candidatura ao governo e o PSD com a chapa de vice e de senador. Agora isso não impede que, tendo a visão do PSD, em conversas com esse grupo, não pode ceder uma dessas vagas para um novo partido com estrutura que possa formar esse quadro. O PSD tem grandes nomes que pode formar e participar da chapa. Mas essa escolha vai estar mais à frente. Hoje nós já temos quem lidera o processo, através do meu nome. Nessa composição vamos construir uma grande plataforma de governo, discutir com a sociedade, estar presente em todas as regiões e chegar na convenção e em conversas políticas que vão acontecendo até lá, no entendimento de que há uma atração estar conosco, não pela vitória por si, mas que estamos construindo a melhor maneira de transformar Santa Catarina.

O senhor tem viajado muito pelo interior de Santa Catarina ultimamente. O que mais você ouviu da população? Quais são os maiores problemas de Santa Catarina hoje?

Eu sempre busquei no intervalo do período que eu estava como prefeito, nos finais de semana e nos períodos da noite, poder estar próximo ao eleitor, até porque a minha condição de presidente estadual do partido me obrigava a viajar. Eu já tive experiências de candidatura estadual, seja como deputado estadual ou deputado federal. Mas uma candidatura majoritária é diferente. Desde o dia 31 de março, quando eu renunciei ao cargo, eu faço pelo menos dois roteiros por semana nas regiões de Santa Catarina. Eu já tive um estudo preliminar conhecendo a economia local, a cultura de cada região, as principais demandas e, a partir de agora, a gente está aprofundando isso. Além de conhecer eu venho discutindo com o prefeito, com os vereadores, discutindo com a associação comercial, com lideranças comunitárias, e esse debate vem sendo muito importante porque ele engrandece a proposta.

O senhor está indo às regiões para conhecer, mas também pra ser conhecido. E algumas pessoas comentam: o Gean é pouco conhecido em Santa Catarina. Como é que está sendo essa receptividade, esse processo?

Eu trabalho num processo pré-eleitoral com dados estatísticos, então eu não interpreto como uma crítica falar que meu nome não é estadualizado ainda. Eu sou muito conhecido na Grande Florianópolis, onde as intenções de voto me colocam em primeiro lugar com uma intenção disparada na frente dos demais. E nas demais regiões ainda existe um grau de conhecimento, especialmente do Gean Loureiro. Quando bota Gean Loureiro, prefeito de Florianópolis, já muda a figura. As pessoas começam a compreender. Porque sabem que teve uma administração exemplar, exitosa, com bons resultados. A receptividade tem sido ótima, porque a gente chega com muita humildade, já com uma estrutura formada de dois partidos, PSD e União Brasil.

A cada nova eleição há um problema crônico de Santa Catarina que é sempre debatido nas campanhas: discriminação do Estado em relação ao governo federal. O senhor tem alguma ideia para mudar esse cenário de discriminação?

Primeiro, o governador tem que estar muito presente no governo federal. Ele tem que trabalhar de maneira aliada aos representantes da Câmara Federal e do Senado.

Isso aconteceu atualmente no atual governo?

O governador atual, apesar de ter sido eleito pelo mesmo partido do presidente Bolsonaro, ele apresentou divergência logo no início. E nós tínhamos uma grande oportunidade de se aproximar do presidente Bolsonaro. Tinham dois governadores no Brasil do mesmo partido do presidente, Santa Catarina é um. E o que podia facilitar acabou gerando dificuldade. Mas eu não estou aqui para fazer avaliação do governo atual e sim da maneira que a gente pretende trabalhar. Independente de quem for o presidente nós vamos ter sim uma relação institucional muito próxima. Hoje a estrutura parlamentar se dá de maneira muito forte nessa relação Congresso e presidente da República. Voltou a ter uma força muito grande, os deputados federais e senadores. Nós temos que aproveitar a estrutura dessa representação catarinense para trabalhar em conjunto, não deixar um trabalhar de uma forma, outro de outra e quem tem que liberar isso é um governador. O governo federal fez muito por Santa Catarina, ajudou na gestão da pandemia, queda de arrecadação, veio recurso, tudo isso aí. Eventualmente podia vir mais, talvez faltou a interlocução que o Estado, o ambiente político, poderia fazer.

Altair Magagnin e Moacir Pereira conversaram com ex-prefeito de Florianópolis Gean Loureiro – Foto: Reprodução/NDTVAltair Magagnin e Moacir Pereira conversaram com ex-prefeito de Florianópolis Gean Loureiro – Foto: Reprodução/NDTV

Santa Catarina aportou quase meio bilhão de reais em rodovias federais, mas com dinheiro de impostos catarinenses. Como é que o senhor avaliou essa decisão, principalmente quando se tem muito dinheiro indo para Brasília e pouco dinheiro voltando. O senhor aprova o que o governador Carlos Moisés fez?

A gente tem que avaliar como o cidadão pensa. O cidadão não está preocupado se a rodovia é municipal, estadual ou federal. Ele quer que a obra seja realizada. Aqui em Florianópolis eu executei obras em rodovias estaduais. Não fiquei esperando o governo do Estado fazer. Agora, quando se repassa o recurso de uma obra que já estava licitada e contratada pelo governo federal – eu não estou questionando, eu acho que tem que fazer mesmo – mas eu poderia discutir de abater da dívida que o Estado paga desse valor para poder executar mais obras em Santa Catarina. Eu posso discutir outras rodovias que têm que ser feitas. Se nós trabalharmos em parceria, governo federal, estadual e municipal, a chance de ter sucesso é muito maior. Eu não estou aqui dizendo que o governo não tenha que ter participação, ele pode ter participação, nós temos um objetivo comum de entregar rodovias importantes, temos outras BRs no nosso Estado, rodovias federais que já precisavam ter uma estrutura nova, totalmente revitalizada, que hoje traz uma insegurança, uma queda da produtividade da nossa indústria. Fui um tocador de obras em Florianópolis. Como governador a gente também vai tocar, porque é muito mais que repassar o dinheiro para uma prefeitura executar uma obra de um município, eu tenho que interligar esses municípios. Aí é o governo do Estado que tem que fazer.

O senhor já está fazendo uma pequena crítica em relação ao plano 1000. O que o senhor acha do plano 1000? O senhor concorda com Raimundo Colombo (ex-governador), que é seu aliado, de que é um troca-troca, que o governador está cooptando os prefeitos de Santa Catarina?

Acho que a questão do uso político de um programa do governo do Estado não me cabe fazer avaliação nesse momento. Me cabe o mérito. Primeiro se destacar que qualquer parceria com as prefeituras vai ser bem-vinda. Entretanto, só isso não é suficiente. Como falei, você acaba escolhendo obras dentro do município e não obras estruturantes que ligam uma região, que desenvolva uma região. O problema que existiu com o governo do Estado foi a falta de projetos de engenharia. Ele não tinha projetos de engenharia, muitas das licitações deram desertas, ele não conseguiu executar as obras e, com o recurso em caixa, a oportunidade foi perguntar: quem que tem projeto por aí? Alguém tem projeto? Porque eu tenho dinheiro aqui, me ajudem a gastar o dinheiro. E acabaram buscando isso. Nesse contexto acaba-se, eventualmente, não se tendo as prioridades fundamentais para desenvolver o Estado.

Além de obras de infraestrutura, o que mais Santa Catarina precisa?

Eu acho que a saúde é uma das prioridades. Os nossos hospitais regionais pelo Estado vivem em um estado de muita dificuldade. Se pegar o Hospital Regional de Chapecó, que é administrado pela maçonaria, a gente vê que se não tiver um apoio, um suporte, vai fechar as portas. Os hospitais municipais, sem nenhum tipo de apoio. Na verdade, a saúde tem que ter uma participação muito mais efetiva da estrutura estadual nessas decisões. Ela não pode delegar responsabilidades e não ter participação. Ela tem que ter o SUS de maneira integrada e não dizer: isso aqui é municipal, eu não tenho nada a ver com isso, isso é estadual, cuido eu. Na verdade, ele não está cuidando direito das estruturas estaduais. Tem que olhar a estrutura de saúde como um todo e ter um plano que possa atender e diminuir distâncias de exames e consultas especializadas e todas cirurgias de alta complexidade.

Pré-candidato lamentou a situação dos hospitais regionais – Foto: Reprodução/NDTVPré-candidato lamentou a situação dos hospitais regionais – Foto: Reprodução/NDTV

O senhor foi prefeito durante a pandemia. Qual é o legado que isso tudo deixou, inclusive de estrutura. O que é possível manter?

É interessante que muitos diziam que a gente tinha que ter uma opção, entre a saúde e a vida das pessoas ou entre a economia e os empregos. Eu fico muito tranquilo quando o Instituto Votorantim, em São Paulo, avaliou todas as capitais e apontou Florianópolis como a melhor gestão da pandemia em indicadores. E, ao mesmo tempo, a primeira vez no nosso Estado, em 2021, Florianópolis foi a cidade do Estado que mais gerou empregos. A gente conseguiu aliar a boa gestão da pandemia com o apoio à economia e aos empregos na nossa cidade. Florianópolis hoje é a melhor atenção básica em saúde dentre todas as capitais do Brasil. É necessário ter investimentos, porque saúde não tem preço, mas tem custo. Mas você não deve deixar de ter qualquer tipo de investimento que é feito com qualidade.

Sobre a questão energética, eventualmente o senhor cogita a privatização da Celesc e aí aproveitando também em relação a Casan?

A gente tem que avaliar o seguinte: um serviço público para ser mantido com recurso público tem que primeiro ter muita qualidade. E justificar que o público traz um custo para toda a população menor do que se fosse privado ou garantia de poder fazer. A Celesc hoje, se você visitar qualquer região de Santa Catarina, não consegue falar com mais ninguém, porque sumiram as estruturas de atendimento. Ninguém fala mais, ninguém dá uma satisfação, a pessoa está ali esperando uma estrutura trifásica há não sei quantos anos, investimentos para se realizar… O que adianta o governo do Estado ser o sócio majoritário da Celesc se ela não cumpre o seu papel social? Aí eu não sei se é melhor terceirizar o serviço, se é melhor federalizar. Mas tem várias opções que podem ser tratadas. A nossa prioridade é atender com qualidade, prestar um serviço com qualidade.

O senhor já sabe em quem é que vai apoiar para a presidência da República?

Eu vou apoiar aquele que o meu partido apoiar. Hoje não tem definição. Tem um nome colocado, que é o do presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar, mas obviamente que nós sabemos que esse nome é para se avaliar o cenário e ter uma definição posterior. Eu acho que a probabilidade do União Brasil, se tiver opção, vai ser pelo Bolsonaro. Estamos discutindo internamente, colocando a nossa opinião, não vamos deixar de ter opinião, mas no momento correto, até em respeito ao partido, a gente vai se posicionar.

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