‘Somos favoráveis à privatização’, anota pré-candidato Odair Tramontin

O terceiro entrevistado no programa “Conexão ND Especial Voto+”, na Record News, foi o ex-promotor do Ministério Público, Odair Tramontin (Novo)

O Grupo ND iniciou uma série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do Estado de Santa Catarina. O terceiro entrevistado no programa “Conexão ND Especial Voto+”, na Record News, foi o ex-promotor do Ministério Público, Odair Tramontin (Novo).

Na entrevista, o pré-candidato destacou o combate à corrupção que está no DNA do partido Novo. Comentou a falta de capilaridade do partido, que tem apenas um prefeito (Joinville), um deputado estadual e um federal em Santa Catarina. Acompanhe os projetos do ex-promotor para o Estado.

Pré-candidato destacou que o partido não utiliza o Fundo Eleitoral – Foto: Leo Munhoz/NDPré-candidato destacou que o partido não utiliza o Fundo Eleitoral – Foto: Leo Munhoz/ND

O senhor está licenciado (como promotor). Primeiro, concorreu à Prefeitura de Blumenau, e agora vem esse desafio do governo do Estado?

Eu saí da fase de combater as consequências da corrupção, dos desmandos, para enfrentar as causas. Eu sou promotor há quase 34 anos, dentre tantas coisas que eu fiz na minha vida, como combater o crime organizado. Eu fui muito firme no combate à corrupção e por volta de 2016, quando veio a Lava Jato, eu acreditei que nós estávamos entregando o país do futuro, que me prometem desde que eu sou uma criança, e não chegou. E com o fim da Lava Jato eu cheguei à conclusão de que nós temos que combater os desmandos, a ineficiência de serviços públicos, o peso do Estado, mudando o jeito de fazer política e me identifiquei muito com o partido Novo. Por isso, resolvi sair da indignação, até de uma certa frustração jurídica de não ver essas transformações que eu almejei ao longo da minha vida, e me coloquei à disposição para fazer um reparo da minha geração que abandonou a política e foi trabalhar, foi estudar e aí nós tivemos esse cenário de política como profissão. Pior, quase que como um negócio. E nós do partido Novo defendemos que a gente tem que ter profissionais na política e não políticos profissionais. Então, é com essa condição que eu estou com a alma leve, me apresentando para esse desafio, que é um desafio muito importante na minha vida.

A Lava Jato foi para a maioria da população, que trabalha, população ordeira do Brasil, um sinal extraordinário de esperança de um Brasil novo, fim da corrupção ou pelo menos a redução da roubalheira. Mas tribunais superiores acabaram praticamente liquidando com a Lava Jato. Então a esperança acabou virando uma grande decepção. O senhor concorda com essa análise?

Absolutamente favorável à tua análise. Na verdade nós invertemos os papéis, nós tivemos um fio de esperança na construção do país que nós desejamos, do país do futuro, país dos nossos filhos e netos. E, em um passe de mágica, no tapetão literalmente, reformando decisões que o próprio Supremo (Tribunal Federal) tomou, simplesmente eles transformaram os mocinhos em bandidos e os bandidos em mocinhos e não é esse o Brasil que a gente quer, não é esse o Brasil que merecemos. Por isso que eu sou muito crítico do Supremo. Na minha avaliação, a pior composição que nós tivemos, não nos últimos tempos, mas na história do Brasil. E nós precisamos então fazer o protagonismo diferente, nós precisamos fazer uma política diferente. O Supremo é escolhido pela classe política, indicado pelo presidente da República, mas referendado pelo Senado Federal e que também tem atribuição para afastar eventuais ministros e, infelizmente, a gente não tem percebido esse tipo de movimentação. É nessa condição que eu transpiro entusiasmo. Eu quero ver um país diferente e por isso que eu saí lá da fase da comodidade.

O senhor vai colocar a corrupção como principal plataforma de governo durante a campanha, vai tentar trazer protagonismo para esse debate do combate à corrupção em Santa Catarina?

A corrupção sempre vai ser uma prioridade em qualquer coisa que eu fizer, isso também é no partido Novo, o partido que sempre tem trabalhado pela aprovação dessa reforma da prisão em segunda instância. Mas, no nosso jeito de fazer política, a corrupção nos governos do Novo, que o caso de Joinville e Minas Gerais, acaba ficando secundária, porque lá não teve nem CPI, não teve impeachment, a corrupção tem passado muito longe do partido Novo, que aliás é muito rigoroso na questão da ficha limpa para aceitar inclusive para filiação. Mas, seguramente, eu serei sempre um vigilante, porque o combate à corrupção está no meu DNA, está também no DNA do partido Novo.

As entregas do Novo são expressivas, mas muitas vezes o eleitor está esperando pelo “salvador da pátria”, um “vendedor de esperanças”. Como tornar esse discurso mais palatável para chegar nos corações dos eleitores?

Eu reconheço que nós temos muita dificuldade. Porque nós somos um partido jovem ainda, temos pouca capilaridade, e, principalmente, nós temos pouco tempo de televisão, vai dar em torno de 15 segundos, mas nós temos uma coisa que vai diferenciar e vai pesar muito nessa eleição, porque nós somos o único partido que tem as mãos limpas do dinheiro público utilizado pelos partidos do chamado “fundão eleitoral” para fazer campanha. Eu tenho certeza que o povo não concorda com essa forma. Tirar dinheiro da saúde, da educação, da infraestrutura para financiar campanhas políticas. As pessoas não têm noção do que significa esses R$ 4,9 bilhões. Nós temos no Brasil cerca de 33,5 milhões de brasileiros com carteira assinada. Se você dividir os R$ 4,9 bilhões dá quase R$ 150 que cada brasileiro vai pagar para os políticos fazer campanha, para andar de helicóptero, para pagar megaproduções, muitos deles que roubaram dinheiro do cidadão. Eu estou fazendo a campanha que eu chamo do “S”: da sola de sapato, do suor e muita saliva. Nós temos dificuldade de chegar, mas a gente, quando chega, chega forte, chega convincente, porque essas plataformas são coincidentes com aquilo que pensa o cidadão comum.

Edição de quarta-feira conta com Odair Tramontin (Novo) – Foto: Reprodução/NDTVEdição de quarta-feira conta com Odair Tramontin (Novo) – Foto: Reprodução/NDTV

Nessa viagem que o senhor tem feito por Santa Catarina o que o senhor percebe que é mais importante neste momento que o governo precisa fazer?

O calo do catarinense seguramente é a infraestrutura. O nosso Estado tem pouco mais de 1% do território, é o sexto PIB do Brasil e, seguramente, tem a pior infraestrutura do Brasil. Nós temos apenas uma única grande rodovia duplicada, que é a 101, que já está sucateada de Palhoça até a divisa com o Paraná há mais de dez anos. Nós temos o nosso agronegócio no Oeste, que é o maior centro de produção de proteína animal do mundo, e que tem grandes dificuldades para o escoamento da produção. Eu sou natural do Extremo-Oeste, sou de família de agricultores lá do município Campo Erê, próximo da Argentina. Eu vim do Oeste pra fazer universidade em Florianópolis há 40 anos e a infraestrutura rodoviária continua exatamente a mesma, e principalmente no Oeste as rodovias estaduais estão em estado lastimável. O governo atual abandonou o Oeste de Santa Catarina.

E como mudar esse cenário? Os governos não fizeram por quê?

É falta de prioridade. Eu tenho sempre dito que os governos, eu conheço o Estado por dentro, conheço as estruturas, os governos não cortam despesas, não é falta de dinheiro, é falta de foco. Eu não sou um vendedor de ilusões. Usarei o protagonismo de um governador, a liderança de um governador e dos nossos parlamentares, para cobrar do governo federal. Nós precisamos ser incisivos, nós não podemos simplesmente ficar esperando. E aquilo que for da alçada do governo estadual, se nós não tivermos dinheiro, vamos fazer concessões para a iniciativa privada. O Novo é o partido das concessões, nós entendemos que a sociedade já amadureceu. Inclusive no Oeste eu conversava com as pessoas e já não tem mais aquela negação do pedágio, elas preferem pagar o pedágio, mas saber o horário que sai, o horário que chega, e que volta com vida, inclusive porque não é só uma questão de movimentação da riqueza, de desenvolvimento econômico, é uma questão de vida ou morte. A infraestrutura será a linha dorsal do nosso programa de governo porque nós entendemos que esse é um debate que precisa ser apresentado nessa campanha.

Quais são as suas propostas para o setor de saúde?

A saúde é um problema crônico, e a principal causa é de que se faz política na saúde. Eu não quero aqui fazer acusações levianas, mas me parece que tem um ex-secretário de saúde que é candidato. Isso significa dizer que a saúde precisa de um choque de gestão. Nós temos que fazer gestão na saúde, nós temos que administrar a saúde. A saúde não pode ser administrada no compadrio, nas pactuações circunstanciais. Nós temos muito dinheiro na saúde. Falta eficiência. Nós precisamos “catarinizar” o nosso Estado, precisamos levar a estrutura do Estado por toda Santa Catarina e esse é um problema que a gente vê nesse vai e vem, principalmente nessa questão depois da Covid. Fala-se em 140 mil cirurgias represadas. Com tanto dinheiro, e o governador fica fazendo o show dos milhões cotidianamente. Isso é inaceitável. Nós vamos mudar esse quadro colocando pessoas certas nos lugares certos, porque é assim que se faz gestão.

O Grupo ND constatou em vários eventos em Santa Catarina uma unanimidade: os empresários se queixam de falta de mão de obra. E a área social diz que tem gente desempregada. Como equacionar essa questão?

Essa é uma pauta mais pessoal que eu vou apresentar no governo do Estado. Eu sou produto da escola pública desde o meu primeiro dia de aula até a universidade federal. O Brasil é um dos países que mais gasta em educação, cerca de 6% do PIB, e entrega um dos piores serviços. Eu sempre digo: um investimento dinamarquês entregando o serviço da África subsaariana. Qual é o problema? Se você for analisar as avaliações do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) nós estamos lá na rabeira. E qual é o problema? Nós precisamos urgentemente trazer a educação para o século 21. A mesma aula que você teve, eu que estou um pouquinho mais para trás tive, esse jovem teve, o filho dele está tendo. Nós estamos na era digital. E não é só dar computador, tablet, que é o que os governos têm feito. Nós precisamos preparar o professor. O Estado brasileiro investe muito dinheiro em educação superior, abandonou o ensino médio, porque o nosso ensino técnico é sofrido, mas precisa mudar o foco da escola pública, que precisa ensinar lógica, precisa ensinar matemática, precisa ensinar português, precisa ensinar ciências biológicas e não ensinar ideologia, não ensinar se o aluno vai ser menino ou menina. A escola não está aí para substituir a família, ela é complementar à família e nós precisamos ter autoridade moral, autoridade de caráter para enfrentar e colocar essas coisas nos seus devidos lugares.

O senhor comentou anteriormente sobre política de privatizações, que é uma marca do partido Novo. Qual o pensamento do senhor em relação à Casan e à Celesc?

A gente precisa dialogar, conversar, até porque uma privatização desta envergadura depende da aprovação da Assembleia Legislativa, mas o partido Novo tem no seu DNA a privatização. Nós somos favoráveis à privatização. O Estado é um mau gestor comprovadamente, a história recente demonstrou isso. E, principalmente, na Casan, eu acho que ela precisa ser avaliada com muita firmeza enquanto ela ainda vale alguma coisa. Nós vamos privatizar aquilo que for necessário, aquilo que a Assembleia autorizar.

O senhor já fez um comentário a respeito do problema da discriminação de Santa Catarina em relação ao governo federal. Segundo as últimas informações são R$ 90 bilhões que vão pra Brasília e voltam menos de 10%. Como resolver essa questão?

Com participação política, com liderança. O governador de Santa Catarina tem que ter protagonismo, nós temos que ser recebidos com tapete laranja, não com tapete vermelho, um tapete laranja lá no Palácio do Planalto, porque nós somos o Estado que tem os melhores índices em educação, em longevidade, nós temos muito a mostrar ao Brasil. Santa Catarina é amada pelo Brasil, só que ela precisa se representar, se fazer valer.  Então o que não pode é governador ficar brigando com o presidente, o governador precisa dialogar com o presidente, precisa ser respeitado pelo presidente.

O Novo tem pré-candidato à Presidência da República, mas nós também estamos num contexto de um cenário de polarização de Lula e Bolsonaro. Entre esses dois por que caminho o senhor iria?

Nós temos o nosso candidato, o Luiz Felipe d’Ávila. Nós vamos defender as ideias dele. Ele é um candidato muito preparado e, lá no segundo turno, quando chegar o segundo turno, o partido vai se reunir, vai decidir e vai estabelecer alguns cortes, algumas premissas. Por exemplo, se tiver algum candidato que tem ficha suja, não vai passar nem na rua onde se situa o partido Novo. Se tem algum candidato ladrão, mas não vai passar nem no quarteirão onde se situa o partido.

Ex-promotor aposta no combate à corrupção em SC – Foto: Leo Munhoz/NDEx-promotor aposta no combate à corrupção em SC – Foto: Leo Munhoz/ND

Onde é que o governador Moisés mais acertou?

Eu não sei se ele acertou muita coisa.

Onde é que ele errou então?

Ele errou desviando dinheiro ou deixando desviar, não sei, R$ 33 milhões de dinheiro público da saúde, e principalmente traindo os catarinenses que apostaram nele numa novidade, num governo novo. Entregou o governo, na verdade, eu falo o ex-governador Moisés, porque depois do processo de impeachment ele entregou o governo para a Assembleia Legislativa. Hoje quem administra é a Assembleia Legislativa. Esse é um legado que nós não gostamos e por isso que eu continuo insistindo para o catarinense não desistir da novidade, porque o partido Novo entrega novidade com consistência. No partido Novo não tem o Tiririca, um Alexandre Frota, um Moisés, nós temos pessoas qualificadas e os exemplos são esses que eu dei, o Zema, o Adriano em Joinville e os nossos deputados.

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