Laudelino Sardá

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Tirania Política

O país, o Estado e o município não se adequam a uma realidade ideal, em que se possa pensar e agir em busca de soluções sociais

O custo dos parlamentos brasileiros – Senado, Câmara Federal, assembleias estaduais e as câmaras municipais – é bem superior à consciência dos seus integrantes. O país, o Estado e o município não se adequam a uma realidade ideal, em que se possa pensar e agir em busca de soluções sociais.

O Senado Federal – Foto: Waldemir Barreto/Agência SenadoO Senado Federal – Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Uma vez eleito, o parlamentar enclausura-se em seu cenário político, no hábito da perversão, de cabalar votos através de iniquidades que privilegiam eleitores e não o cidadão. A compra, nesta semana, de 600 celulares de última geração pela Assembleia Legislativa é uma demonstração de abuso de poder.

Imagine se todos os servidores públicos tivessem esse direito? Ora, não é sem motivo que o parlamento brasileiro é o segundo mais caro do mundo, ficando abaixo apenas dos EUA. O Congresso Nacional, por exemplo, custa seis vezes mais do que o da França.

Por que um deputado estadual pode ter até 22 assessores e gastar R$ 40 mil com despesas de passagens, combustível, telefone e até almoxarifado?

A consciência e responsabilidade de cada parlamentar obrigam-no a explicar a razão pela qual um aluno entra na academia de polícia ganhando mais de R$ 16 mil. Aliás, a forma como o governador Carlos Moisés privilegia a sua classe incita outras ao corporativismo, para alcançar o poder das vantagens.

O poder político brasileiro vive equidistante da realidade social. E nós, povo consciente, temos a única alternativa de acreditar em mudanças por meio do Poder Legislativo, apostando sempre na democracia.

Enquanto isso na praia da Cachoeira

– Veja Venanço, não é o Zé Babão que vem lá?

– Posentão, e já chega reclamando.

– Ô Babão, o que houve?

– Ah, eu tô da cara virada. Puta meda, gente, os deputados deram um aumento pros alunos da Academia de Polícia e pros policiais que nem o governador Moisés consegue botar a cara fora da janela do palácio.

– Ô Babão, tás tolo, tás? Olha uma coisa, a gente só paga imposto. Quem leva vantagem é os que estão no poder. Tu achas que os políticos pensam em nós?

– Verdade, Venanço, e nós tolo votamos no dia sem sequer ver o que cada um dos candidatos fez pela gente.

– É verdade. Vocês têm razão. Vamos pescar siri e nos livrar do vento sul.

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