A reforma e a Assembleia

Projetos só devem chegar ao Legislativo na semana que vem, depois de um encontro do governador com os deputados, mas maioria da base quer explicações para entender melhor as propostas

Quando o governador Raimundo Colombo e secretário Nelson Serpa (Casa Civil) retornarem ao Estado, no sábado, e começarem a decidir junto com o vice-governador Eduardo Pinho Moreira os detalhes finais da reforma administrativa, terão que dar um peso maior ao processo de convencimento da base aliada na Assembleia. Há dúvidas entre os deputados sobre os pontos não esclarecidos da matéria, trabalho ao qual Colombo deverá se dedicar tão logo tenha terminado as análises do texto.

Como o princípio da reforma é aumentar a agilidade do Estado, dar uma qualificação nos serviços e enxugar a máquina pública, a diminuição de cargos comissionados tem direto impacto entre os parlamentares. A maior parte da base aliada, ávida por estes espaços, considera a reforma secundária neste momento, e que o foco deveria ser trabalhar a gestão com a atual estrutura. Alguns arriscam dizer que será um “desgaste desnecessário”.

O governo, que centralizou em Serpa a missão de ser o porta-voz das principais alterações, pondera que as mudanças de comportamento e conceitual representarão um passo adiante para os próximos 40 anos. Em síntese, além da transformação das 36 secretarias regionais em agências de desenvolvimento, com o fim das funções de diretor-geral, a reforma prevê o corte linear de 500 cargos comissionados dos 1,4 mil existentes, a redução do custeio – já em curso – e a recomposição de órgãos e empresas públicas.

Outra reação do Centro Administrativo ao receio coletivos dos deputados está no tamanho do impacto dessas mudanças. A promessa é não cometer os mesmos erros do governo do vizinho Estado do Paraná, que viu a avalanche de projetos de uma reforma administrativa muito maior e mais complexa do que a catarinense ser alvo de invasão da Assembleia e de dezenas de manifestações violentas.

O pacote do governo Colombo deverá chegar no Legislativo somente na semana que vem, depois de um encontro do governador com os deputados. Mas a verdadeira agilidade e ganho de escala que a população quer da reforma é a melhoria das condições nas escolas da rede estadual de ensino, do atendimento nas delegacias da Polícia Civil, com o efetivo da Polícia Militar na rua a combater o crime, e um salto de qualidade no atendimento dos hospitais públicos. Se as medidas não alcançarem este objetivo, morrem no discurso.  

“É uma casa política e a experiência deles é importante.”

Gelson Merisio, presidente da Assembleia, ao justificar a contratação de ex-deputados para cargos comissionados no Legislativo.

ROBERTO AZEVEDO/ND

Joares Ponticelli e Silvio Dreveck, conversa sobre as convenções do PP, no hall da Assembleia

ENCONTRO PEPISTA

O presidente estadual do PP, ex-deputado Joares Ponticelli (à esquerda), até admite a saudade de uma rotina que viveu por 16 anos como deputado estadual, na conversa com o líder do governo, o deputado pepista Silvio Dreveck, a quem saudou, com bom humor. “Além de um grande deputado é um deputado grande”, brincou Ponticelli ao se referir aos mais de 1metro90centrímetros do colega de partido. O ex-presidente da Assembleia faz mistério do futuro, mas é certo que não aceite um cargo na Assembleia, está focado no comando da sigla.

Em abril

Candidato à reeleição ao comando pepista, Joares Ponticelli irá a Brasília conversar com o presidente nacional Ciro Nogueira (PP-PI) para alinhar o calendário estadual com a convenção nacional.

Sabe que a intenção de Ciro é realizara convenção até meados de abril, e a escolha do diretório catarinense seria feita depois, mas a intenção é antecipar as eleições nas direções municipais.  

Argumento

Peemedebistas graduados que acompanharam os argumentos do vereador Deglaber Goulart, na Capital, ao criticar as diversas mudanças de partido e de apoios do presidente licenciado da sigla na Capital, o deputado Gean Loureiro, não gostaram da provocação.

E lembram que Deglaber não pode ignorar que pertence ao grupo político do senador Dário Berger, que também trocou muitas vezes de sigla. A temperatura interna está bem alta.

Sem chave

Recém-chegado na Assembleia, o deputado Dalmo Claro de Oliveira (PMDB) teve que aguardar em uma das cadeiras de um mini-hall, próximo ao seu gabinete na Assembleia, enquanto esperava pelas chaves da sala.

No retorno ao trabalho, depois do Carnaval, alguém ponderou que Dalmo não sabe, ainda, onde pegar as mesmas para ter acesso ao gabinete.

À espera

Deputado federal Jorginho Mello, presidente estadual do PR, passará por uma cirurgia para a correção da coluna por conta de duas hérnias de disco.

O parlamentar deve passar pelo procedimento em Curitiba, em data a ser definida.

* Para marcar o início do ano letivo da Escola do Ministério Público, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, retorna a Santa Catarina, sua terra natal, para proferir aula magna sobre os aspectos controvertidos da Lei de Improbidade, dia 9 de março, na sede do MP.

* Deputado federal João Rodrigues (PSD) cumpriu a promessa de ser voto critico na base governista e, mesmo sem assinar a CPI da Petrobras, que já estava encaminhada com autógrafos suficientes, disse que apoiará também a CPI do BNDES.

* Jornalista por formação, o deputado Patrício Destro (PR) retoma as participações no Jornal do Meio-Dia da RIC TV Record de Joinville amanhã e apresenta o programa no sábado.

Loading...