A sobrevida de Eduardo Cunha e Santa Catarina

Enquanto a indefinição sobre o futuro do presidente da Câmara persiste, o país enfrenta problemas econômicos e assiste ao jogo de acusações que paralisa a República

O governador Raimundo Colombo preocupa-se, neste momento, em garantir o pagamento de salários, fornecedores e fechar as contas do Estado no final do ano em função da queda na arrecadação de impostos. Em setembro, o recolhimento de tributos não cresceu em relação ao mesmo período mês do ano passado, reflexo de uma economia em ritmo desacelerado em função da paralisia provocada pelas crises ética, política e institucional, leia-se a pressão sobre a presidente Dilma Rousseff em função de denúncias de corrupção, e da lastimável falta de legitimidade do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), supostamente envolvido com o recebimento de propina da Petrobras, que estaria depositada em contas na Suíça.

Santa Catarina é um Estado em melhores condições financeiras que os demais 25 da federação e o Distrito Federal, mas sente os efeitos de uma estagnação na vida do país em função de uma série de equívocos políticos. Tanto que a direção nacional do PMDB decidiu passar para março do ano que vem o congresso da sigla, que, por pressão de Cunha, poderia decidir pela saída do governo Dilma Rousseff, do qual é o principal aliado e dono do posto de vice-presidente e da maioria dos ministérios. O movimento indica que os peemedebistas pagarão para ver: quem se enfraquece mais rápido, Cunha ou Dilma?

Na prática, Cunha será aconselhado a renunciar da presidência para salvar o mandato, mas abusa da tática de pressionar o Planalto com o impeachment. O deputado falastrão, que um dia detonou a pauta-bomba que se voltou contra o próprio Cunha, conseguiu realizar a sessão na Câmara, ontem, mas sem o sorriso de dono do mundo e enfraquecido, embora ainda desafie o governo a quem acusa de vazar informações sigilosas e negar que assinatura seja dele nas contas da Suíça. O restante do país é quem paga por este rompante.    

Posição

Deputado Gelson Merisio, presidente da Assembleia, acompanha o desenrolar dos acontecimentos sobre o relatório dos gastos com alimentação no Legislativo, produzido pelo MP junto ao TCE, mas só se posicionará após a matéria ser analisada pelo plenário da corte administrativa. A formalização do contrato com a Afalesc para os coquetéis de sessões solenes é do início deste ano, mesma época em que Merisio determinou o fechamento do restaurante para abrir um processo de licitação e retirou a verba de gabinete dos deputados para refeições, mas auditoria do MPTCE refere-se a 2012, enquanto a questão se arrasta desde 1988.  

Diferente 
Diagnóstico do PMDB tem o remédio para a queda de eleitores da sigla em municípios acima de 50 mil habitantes no Estado, nas últimas eleições. Onde o partido já conta com mais jovens e mulheres, sinônimos de renovação, garante o crescimento nas urnas e é imbatível. 
 

FOM CONRADI/DIVULGAÇÃO/ND

O governador Raimundo Colombo observa o clima de descontração entre o deputado Gabriel Ribeiro e o ex-deputado Antônio Ceron 

FINALMENTE LAGEANO 
Presidente em exercício do PSD catarinense, Antônio Ceron (à direita) recebeu o título de cidadão honorário de Lages, na Serra Catarinense, às vésperas de uma eleição  municipal em que deve ser protagonista. Nascido em Tangará, celeiro de políticos, Ceron, que tem uma vida dedicada às causas da cidade, merece a homenagem da Câmara lageana, proposta pela vereadora Ainda Hoffer (PSD) e aprovada pelos demais 18 vereadores, evento comemorado com o governador Raimundo Colombo e com o deputado Gabriel Ribeiro. 

Vistorias 
Prefeito Cesar Souza Júnior (PSD) não mudará a rotina de visita às obras do governo do Estado na Capital, como o fez na SC-403, por entender que existe parceria com o município para melhorar a mobilidade. E manda um recado para os que se incomodaram com a passagem pela duplicação da rodovia, entre a SC-401 e Ingleses: não será a primeira nem a última.  

Conselho 
Ex-senador e ex-governador, Casildo Maldaner defende que os peemedebistas necessitam se posicionar por uma solução para as crises institucional, econômica e política que o país vive, e, principalmente, não deve ignorar que “se o governo Dilma (Rousseff) sangrar, não só o PT, mas o PMDB irá junto”. Casildo, que ainda formata a ideia de levar o assunto ao diretório nacional, prega que será necessária a criação de uma espécie de conselho, que envolva os petistas e outros partidos, capaz de estabelecer mecanismos para a governabilidade, que admita até um afastamento temporário da presidente, mas alerta: “Não dá para sair do governo, daí é desertar”.   

“O PMDB é corresponsável por tudo que está aí, não podemos abandonar o barco e sim construirmos saídas com propostas e medidas duras, de longo prazo, com ou sem Dilma.” 
Casildo Maldaner, presidente de honra do PMDB de Santa Catarina, ao defender o consenso no Congresso para evitar uma tragédia econômica e social do país e com isso evitar que o governo atual sangre até 2018.

SIMONE SARTORI/DIVULGAÇÃO/ND

Mauro Mariani (E), durante o almoço da bancada do PMDB na Assembleia, recebe o presidente do PTB Francisco Cochi (terceiro da esquerda para a direita) 

VISITA DO PTB

Na primeira visita à bancada na Assembleia como presidente estadual do PMDB, o deputado federal Mauro Mariani recebeu a visita do presidente estadual do PTB, Francisco Camargo Cochi (à direita), uma aproximação que pode dar frutos no futuro, primeiro nas eleições do ano que vem. Mariani reforçou  o compromisso de reconectar o partido com a sociedade e disse que os parlamentares estaduais são fundamentais para se chegar ao objetivo. 

Grandiosidade

As eleições para reitores da UFSC e da Udesc, que ocorrem hoje, movimentam um colégio eleitoral tão significativo que terão votação por 180 urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral. As votações, em primeiro turno, estão distribuídas nos campi Balneário Camboriú, Chapecó, Florianópolis, Ibirama, Joinville, Lages, Laguna, Pinhalzinho, São Bento do Sul, Araranguá, Blumenau e Curitibanos, e a expectativa das duas maiores comunidades acadêmicas do Estado está melhoria da qualidade das instituições.

Assim não dá

Relatório Parcial da CPI dos Radares virou um tiroteio entre a prefeitura da Capital e o vereador Vanderlei Faria (PDT), o Lela, que presidiu os trabalhos. A começar pela conclusão de que os R$ 100 mil apreendidos com servidores da Guarda Municipal pela PRF eram para a coligação onde estava o PSD, partido do prefeito, mas suprimi que o PMDB também fazia parte da composição, e a coisa ficou apimentada porque a assessoria do prefeito relacionou Lela com o pré-candidato peemedebista à prefeitura Gean Loureiro. O papel da CPI era político mesmo, como todas as são, pois a Polícia Federal e o MP Estadual já investigam o caso.  

Reconhecimento

Ponto alto da Semana do Servidor estadual, de 26 a 29 deste mês, a entrega da Medalha do Mérito Funcional Alice Guilhon Gonzaga Petrelli – primeira mulher admitida no serviço público catarinense – homenageará 76 integrantes do funcionalismo, escolhidos por votação em cada unidade pelos próprios colegas. A cerimônia será na próxima segunda-feira, no Teatro Pedro Ivo, às 15h, com as presenças do governador Raimundo Colombo, do vice Eduardo Pinho Moreira e do secretário João Matos (Administração).

* Assembleia aprovou manifestação de apoio ao desembargador Nelson Schaefer Martins para a vaga de ministro do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, indicação que será enviada à presidente Dilma Rousseff, proposta pelo deputado João Amin (PP).

* Cerca de 250 pré-candidatos a prefeito e a vice nas próximas eleições são esperados no encontro estadual do PSD, programado para a segunda-feira, no Hotel Castelmar, em Florianópolis, às 18h30min, para debater estratégias para a eleição do ano que vem.  

* Primeiro ato do novo diretório estadual do PMDB foi fazer a intervenção nos diretórios de Itajaí, que não se entende sobre a pré-candidatura de Volnei Morastoni à prefeitura, e de Imbituba, envolto em problemas internos.

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