Advogados de empresa catarinense investigada pela Operação Lava Jato falam em “caça às bruxas”

Segundo a PF, a Arxo está envolvida no pagamento de propinas em troca de informações privilegiadas para facilitar os contratos

Um dos principais alvos da nona fase da Operação Lava Jato, deflagrada ontem, é a empresa Arxo, sediada em Piçarras, no Litoral Norte de Santa Catarina, que prestava serviços à BR Distribuidora na produção de tanques de combustível. O sócio da Arxo Gilson João Pereira e o diretor financeiro Sérgio Marçaneiro foram presos temporariamente, sob suspeita de pagamento de propina à estatal. O presidente João Gualberto Pereira Neto está no exterior e será detido assim que retornar ao Brasil. Todos serão levados para Curitiba.

Germano Rorato/ND

Polícia Federal passou o dia na empresa Arxo, em Piçarras, no Litoral Norte do Estado

Dos 38 mil postos de combustíveis existentes no Brasil, 70% utilizam tanques da Arxo. No final do ano passado, a empresa fechou um contrato no valor de R$ 85 milhões para produzir 80 CTAs (Caminhões Tanques de Abastecimento de Aeronaves) com o objetivo de equipar e renovar a frota da Petrobras Distribuidora. Na época da contratação, um diretor da Arxo, que presta serviços à Petrobras desde 2003, disse que o contrato assinado com a estatal iria consolidar a atuação da empresa no fornecimento de equipamentos para abastecimento de aviões.

Com matriz em Piçarras e filial em Cabo do Santo Agostinho, na Grande Recife, a Arxo tem escritórios em São Paulo e no Paraguai. Em 2013, a empresa ampliou o volume de produção de aço processado de 14,5 mil toneladas/ano para 18 mil toneladas/ano. Em 2014, a Arxo faturou R$ 143 milhões em módulos de abastecimento, equipamentos para a indústria de operações em alto-mar e, principalmente, tanques de combustível.

Em nota, a Arxo informou que “a intenção da empresa é contribuir com o trabalho das autoridades, ajudando-as com todo e qualquer esclarecimento necessário”. Ainda segundo o comunicado, o setor administrativo teve as atividades suspensas para que os profissionais pudessem prestar informações solicitadas pela Receita e pela Polícia Federal, mas a fábrica opera sem alterações. (Com Colombo de Souza e João Batista)

“Isso é uma caça às bruxas”, diz advogado

Os agentes da Polícia Federal chegaram à sede da Arxo às 7h, de acordo com o advogado Charles Pamplona Zimmermann, que defende os três executivos que tiveram mandado de prisão expedido. Segundo ele, os policiais procuraram informações em documentos e computadores. Em um cofre, a polícia encontrou grande quantidade de dinheiro. Cerca de 500 relógios de luxo foram apreendidos no fundo falso de uma sala. O advogado não soube precisar o valor, mas garantiu que o montante seria usado em despesas de rotina dentro da companhia.

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Cerca de 500 relógios foram encontrados na sede da empresa

Em relação ao presidente João Gualberto Pereira Neto, Zimmermann revelou que seu cliente embarcaria em um voo de Miami, nos Estados Unidos, com destino a Navegantes, ontem às 23h55. A previsão de desembarque é para esta manhã. Em seguida, Gualberto segue para Curitiba, onde prestará depoimento na superintendência da Polícia Federal. “A Arxo é a maior interessada que essas questões sejam esclarecidas”, afirmou o advogado.

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Além de notas em reais, dólares e euros também foram apreendidos

Ainda segundo Zimmermann, a exposição que a Operação Lava Jato tem na mídia, somado aos valores que a investigação assegura terem sido desviados da Petrobras, fez com que a maioria das empresas com contratos com a estatal virem alvo da PF. “Isso é uma caça às bruxas. Mesmo assim, amanhã [hoje] ou semana que vem já teremos provados que meus clientes não têm participação nesse esquema”, assegurou Zimmermann.

“My Way” era apelido de Renato Duque

Chamada de “My Way”, a operação foi embasada em colaborações de um ex-funcionário de uma empresa envolvida e do ex-gerente da Petrobras Pedro José Barusco Filho, que trabalhava com o diretor Renato Duque. Barusco se referia ao então chefe como “My Way”, título de uma canção de Frank Sinatra.

Essa fase da operação tem como foco o pagamento de propinas na diretoria de Serviços da Petrobras e na BR Distribuidora. Segundo a PF, 11 novos operadores, que intermediavam o pagamento de propina a agentes públicos das estatais, foram identificados. São 25 empresas envolvidas, sediadas em Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro, a maioria de fachada, de acordo com as investigações.

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