Apresentado como “professor de Ética”, Douglas Borba se tornou super-secretário

Na divulgação de sua nomeação, o vereador ganhou um verniz de técnico, para justificar a indicação diante do discurso de Carlos Moisés

A saga de Douglas Borba no Executivo catarinense começou no mesmo ano da vitória acachapante de Carlos Moisés nas urnas. O anúncio para o cargo de secretário da Casa Civil foi feito no dia 7 de dezembro de 2018, uma sexta-feira. Naquele mesmo dia, já havia um prenúncio do peso da caneta que Moisés daria a Borba. A Secretaria de Estado da Comunicação, por exemplo, seria rebaixada para Secretaria Executiva, sob as ordens da Casa Civil.

Governador Carlos Moisés e o ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba – Foto: Divulgação/NDGovernador Carlos Moisés e o ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba – Foto: Divulgação/ND

As Secretarias Executivas da Casa Militar e de Articulação Nacional – embaixada catarinense em Brasília – também ficariam, como de fato estão, no guarda-chuva da Casa Civil.

Nos bastidores, Borba era chamado de “super-secretário”. No texto oficial que acompanhou a divulgação da notícia na época, o vereador ganhou um verniz de técnico, para justificar a indicação diante do discurso de Moisés que seu secretariado não contemplaria políticos.

Foi apresentado como advogado e professor universitário nas áreas de Direito Administrativo e Ética Profissional. Naquele mesmo dia, outro político, o candidato derrotado ao Senado, Lucas Esmeraldino, havia sido anunciado como secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável.

Naquela altura dos acontecimentos, consagrados nas urnas, Moisés, Borba e Esmeraldino formavam a trinca que decidia os destinos da administração pública catarinense.

Antes da posse de Moisés, já despachava no Centro Administrativo

Na segunda semana de dezembro, o então vereador pelo PP de Biguaçu se reuniu com o então secretário da Casa Civil, Luciano Veloso Lima (MDB). Naquele dia, Lima liberou uma sala para Douglas Borba e equipe trabalharem. Também repassou todas as informações sobre contratos, custeio, estrutura e pessoal. Borba agradeceu “o empenho e a celeridade” na transição entre os dois governo.

Anunciado secretário, mas ainda não empossado, Borba já falava em nome de Moisés. Projetava que a tecnologia seria um dos pilares no futuro governo. Uma das iniciativas propostas, conforme notícia publicada pelo ND, era a implementação de um “painel de controle digital do governo”.

O objetivo, segundo anunciado na época, seria “acompanhar em tempo real o andamento dos trabalhos, facilitando a cobrança de metas e a melhoria dos indicadores”.

A ferramenta, também de acordo com o texto, seria “desenvolvida com tecnologias já dominadas pelo governo, portanto, sem custos”. Até hoje, nenhum projeto neste sentido foi anunciado.

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