Clima de desconforto

Deputados estaduais reclamam abertamente da protelação do julgamento que pode devolver a presidência a Romildo Titon (PMDB) e amplificam a crise no parlamento

Os deputados estaduais lamentaram a decisão do órgão especial do Tribunal de Justiça de marcar para o dia 16 de abril o julgamento do agravo regimental que decidirá se o deputado Romildo Titon (PMDB) retorna à presidência da Assembleia, depois de afastado a pedido do Ministério Público em função da Operação Fundo do Poço. O prolongamento da situação incomoda os parlamentares em dois aspectos: temem o comprometimento do trabalho legislativo e uma paralisia administrativa sem precedentes caso persista a indefinição.

Em plena vigência do calendário especial da casa, criado para atender os interesses da sociedade e a campanha eleitoral da maioria dos parlamentares, candidatos em outubro, predomina o sentimento entre os 39 deputados de que a situação de Titon já deveria ter sido resolvida. A tese da renúncia à presidência ainda persiste nos corredores e gabinetes do palácio Barriga Verde, embora muitos admitam que o tempo até para isso já passou.

“Estão cozinhando o Titon” ou “Nossa agonia continua” são frases corriqueiras de parlamentares e pronunciadas a todo o momento. A ressalva é feita à atuação do presidente em exercício Joares Ponticelli (PP), isentado por ora do turbilhão.

A cada dia que se acrescenta o desconforto também aumenta. A ponto de deputados de todas as bancadas montarem cenários preocupantes caso nada se resolva em duas semanas. As consequências para os mandatos seriam imprevisíveis, admitem os parlamentares, pior para a sociedade que terá uma Assembleia sob ataque, principalmente com a abertura da CPI do Ministério Público, que, para alguns mandatários, poderia ser estancada se não existisse uma crise em curso.

Mais

Parlamentares do PSDB descartam qualquer participação na CPI do MP e tem um entendimento diferente sobre a indicação de nomes para atuar na comissão.

Acreditam que se o líder de qualquer bancada não indicar nomes, caberá aos deputados individualmente escolher se participam ou não, e o presidente da Assembleia não poderia impor esta decisão por sorteio.

Mais forte

Com as licenças de Renato Hinnig (PMDB) e Dado Cherem (PSDB), a bancada peemedebista voltará a ter 11 deputados em plenário.

O retorno de Ada de Luca e Valdir Cobalchini, mais a preservação de Edison Andrino e Dirce Heiderscheidt, altera o quadro.

O porquê

Renato Hinnig confirma que se licencia pro 60 dias para manter o amigo Andrino em plenário.

Como existe um compromisso da bancada do PMDB em manter o rodízio, até mesmo Valdir Cobalchini, recém-chegado da Secretaria da Infraestrutura, será o próximo as se licenciar.

Beneficiado

Com tantas trocas, apesar dos retornos, o pessedista Ciro Roza também se beneficiará das licenças.

Mais tarde, o presidente estadual do PSD, deputado Gelson Merisio também ficará 60 dias afastado.

Deu certo

Deputado Mauro Mariani (PMDB) conseguiu uma vitória mesmo antes da audiência pública que propôs na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara Federal.

A falta de pagamento de cerca de R$ 270 milhões das medições realizadas por construtoras  em municípios com até 50 mil habitantes, do Programa Minha Casa Minha Vida, foi liquidada pelo Tesouro Nacional.

FÁBIO QUEIROZ/AGÊNCIA AL/ND

O PADRE PRESIDENTE

Por três dias, o Padre Pedro Baldissera (PT) será o o segundo presidente em exercício da Assembleia com a viagem oficial que Joares Ponticelli (PP) fará à Argentina, onde se encontrará com autoridades da Província de Tucumã, com integrantes do Ministério da Agricultura do país vizinho e empresários. Padre Pedro, segundo vice-presidente, que, na sessão de ontem, conversava com a colega de bancada Ana Paula Lima, tem comandado várias sessões e será o segundo sacerdote católico da história a presidir a casa – o primeiro foi o padre Joaqwuim Elói de Medeiros, no século 19.

“Precisamos dinamizar a legislação, permitindo a criação de mais empregos, garantindo a proteção aos trabalhadores.”

Casildo Maldaner, senador (PMDB), ao participar do Fórum Nacional da Confederação de Associações Comerciais Brasileiras, em Brasília, onde um dos temas em debate foi a modernização da legislação trabalhista, que é de 1943.

É bem pior

Quando o deputado Sargento Amauri Soares (PSOL) sai em defesa da reitora Roselane Neeckel e afirma que ela combate o tráfico de drogas na UFSC, motivo pela qual estaria sendo ameaçada por criminosos, o problema do campus ganha proporções assuatadoras.

Então, o quadro de assaltos, furtos, tentativas de estupro e falta de controle em festas regadas com muita droga e bebida alcoólica poderias ser mais grave?

MIRELA VIEIRA/DIVULGAÇÃO

ATRÁS DO REPARO

Presidente da Aprasc, soldado PM Elisandro Lotin, que aparece em pé, de camiseta branca ao lado do deputado Renato Hinnig, fez verdadeira peregrinação à Assembleia nos últimos meses para que os deputados corrijam um erro na legislação aprovada pela Assembleia que prejudicou mais de 150 praças na promoção por tempo de serviço. Lotin pediu atenção às comissões de Finanças e Trabalho, Administração e Serviços Públicos, para atentar que a matéria vá a plenário até o dia 8, terça-feira que vem, último prazo para aprovações antes de atingidas pela Lei Eleitoral. Os praças aceitaram o conceito de subsídio nas negociações, só não contavam que um detalhe, a não inclusão da emenda do deputado Sargento Amauri Soares, que previa a alteração do critério de avaliação do praça da PM e dos bombeiros militares qe receberia o benefício de comportamento “ótimo” para “bom”. Os deputados garantem que votam, vale conferir.   

Surpresa

Nem a bancada do PSDB sabia da decisão de Dalírio Beber em deixar a presidência da Casan.

Dos lados do PMDB, se não surpreendeu a saída de João Matos da Secretaria de Articulação nacional, paira um suspense sobre seu destino: candidatura a deputado estadual ou a retomada do projeto à majoritária, no caso o Senado, que o levou a defender a candidatura de Dilma Rousseff (PT), na última eleição, contra a posição de Luiz Henrique e seu grupo favoráveis a José Serra (PSDB).

Indignados

Os movimentos de paralisação ganham novo capítulo em Santa Catarina e pretendem partir para a ameaça virtual nas redes sociais.

Servidores em greve da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, principalmente os da Fundação Catarinense de Cultura, que ocuparam 10 minutos da sessão de ontem da Assembleia, começam a formatar uma campanha “Fora Colombo”.

* Senador Luiz Henrique (PMDB), ferrenho defensor da reforma política, acrescentou mais um ponto ao polêmico ao declarar que “o Brasil só alcançará efetivamente a democracia social e reduzirá as desigualdades com uma ampla reforma política e a volta do parlamentarismo”.

* O Brasil já foi parlamentarista quando Tancredo Neves ocupou a função por nove meses (1961-1962) e foi sucedido por Brochado da Rocha e Hermes Lima, até 1963, para esvaziar o poder do presidente João Goulart. Um plebiscito devolveu ao país o sistema presidencialista.

* Hoje tem reunião do Grupo de Líderes Empresariais do Estado , o Lide, comandado pelo publicitário Wilfredo Gomes e que terá a presença do presidente internacional, o empresário e jornalista João Dória Júnior, para tratar de sucesso. Detalhe: o encontro começa pontualmente ao meio-dia, pois Dória não admite atrasos.

Loading...