Colombo e os governadores contra a crise

Na falta de um governo central forte e diante da inércia de Dilma Rousseff, os chefes dos executivos estaduais vão propor medidas ao Congresso e pedir o apoio do Judiciário

Não existem demandas de caráter meramente políticas quando os 27 governadores dos estados reúnem-se em torno de uma mesa, apenas clamores da sociedade que necessitam ser atendidos. Esta é a lógica que contemplou a conversa, na residência oficial de Rodrigo Rollemberg (PSB), do Distrito Federal, em Águas Claras, em que Raimundo Colombo propôs e foi aceita a constituição de grupos de mandatários, que, em 15 dias, definirá propostas claras de mudanças estruturais no país longe de debates cansativos sobre o impeachment ou não de Dilma Rousseff.

Na falta de um governo central eficiente e forte, caberá aos governadores encabeçarem medidas que Dilma deveria encaminhar ao Congresso. Entre elas, a mudança do decreto que alterou o indexador da dívida dos estados – em vez de Selic acumulada (como dizia a lei) para Selic capitalizada, que cria uma bola de neve do juro sobre juro e uma diferença de R$ 8 bilhões favorável ao Planalto contra Santa Catarina -, o problema da Previdência Pública e a insustentável questão dos precatórios, capazes de levar os estados à banca rota, algo muito próximo para gigantes como o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro.

A busca por apoio começou ontem, quando os governadores foram ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal, ainda na capital federal, e Colombo continuará em sua cruzada quando fizer a leitura da mensagem anual do Executivo, na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira, na reabertura dos trabalhos do parlamento. Mais uma vez, o tema crise será a tônica, com a visão de que a administração estadual conseguiu tomar medidas para conter gastos excessivos e terá fôlego para fazer obras por conta dos R$ 10 bilhões em financiamento de bancos públicos e internacionais, mas o governador sabe que outros passos devem ser tomados para garantir o desenvolvimento econômico do Estado.     

“A sociedade não está contra nem a favor, a sociedade está cansada.

Raimundo Colombo, governador do Estado, ao mudar o eixo dos debates meramente políticos sobre o futuro do país e centrar no que interessa para a população.

JOSÉ CRUZ/ABR/ND

O procurador-geral Rodrigo Janot ri durante a abertura dos trabalhos do Judiciário ao lado de um nada confortável Eduardo Cunha, presidente da Câmara: a síntese do encontro entre denunciante e denunciado 

SAIA JUSTA É POUCO

Ter o procurador-geral da República Rodrigo Janot ao lado do presidente da Câmara e declarado desafeto Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sentados lado a lado na abertura do ano do Judiciário, no Supremo Tribunal Federal, foi o máximo. Janot denunciou Cunha por corrupção, quer ele fora do cargo e sequer o citou na hora do discurso protocolar. Cunha reagiu e entrou, ontem, com um pedido de explicações sobre o rito do processo de impeachment e, entre as perguntas, se ele, do alto de seu pleno poder, poderia indicar a comissão se não for aprovada pelos demais deputados. Passou dos limites.  

O motivo

Vereador Vanderlei Faria, o Lela (PDT), justifica a presença no encontro de peemedebistas com o vice-presidente Michel Temer, na Assembleia, por uma outra pauta. Lela explica que foi ao encontro de Temer para tentar reaver os R$ 350 mil, conseguidos junto ao então senador Casildo Maldaner (PMDB), para o Parque Cultural do Campeche no campo de aviação, o Pacuca, perdido pela prefeitura no ano passado.

É guerra

Se o relacionamento da Assembleia e de alguns setores do Tribunal de Contas já não anda aquelas maravilhas, depois de aprovada a nova Lei Orgânica da corte administrativa, a temperatura só deve aumentar. É que no contracheque dos auditores do TCE ainda aparece o auxílio moradia, os R$ 3.939,96, com a rubrica LC 367/06 art 15, que a matéria aprovada pelos deputados, por unanimidade, extinguiu.

ROBERTO AZEVEDO/ND

O quadro do ex-presidente da Assembleia Julio Garcia deveria estar neste espaço vazio na galeria

SUMIU, MAS VOLTA!

Quadro que traz o registro da passagem de Julio Garcia, ex-deputado e atual conselheiro do TCE, pela presidência da Assembleia virou um espaço na parede do hall do Palácio Barriga Verde. Na época dos protestos de professores e do pessoal da segurança pública, no final do ano passado, a moldura quebrou quando o quadro caiu no chão. Foi para a reforma, mas volta, embora tenha que já fez a leitura sobre desafetos e outras coisas mais.

* Organização Mundial de Saúde considera o Zika Vírus, um dos três transmitidos pelo hospedeiro Aedes Aegypti, uma emergência mundial: primeiro foi o Brasil, agora a humanidade, todos derrotados por um mosquito.

* Retorno dos vereadores, deputados estaduais, federais e senadores será breve, já que na sexta-feira tem Carnaval e os trabalhos só retornam na quarta-feira de Cinzas, com certeza em Santa Catarina, pois no Congresso são outros quinhentos.

Loading...