Advogado de Biguaçu pede explicações criminais de Helton Zeferino na Operação Oxigênio

Defensores de Leandro Barros entraram na Justiça para exigir esclarecimentos do ex-secretário da Saúde, sob alegação de calúnia e difamação

O ex-secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, poderá ser chamado a esclarecer informações prestadas em depoimento ao GAECO (Grupo de Atuação e Combate às Organização Criminosas), órgão de investigação do MPSC (MPSC). O pedido de explicações criminais está em análise na 1ª Vara Criminal da Comarca de Florianópolis e partiu da defesa do advogado Leandro Adriano de Barros, sob a alegação de calúnia e difamação.

Leandro Adriano de Barros quer esclarecimentos de Zeferino. Foto: Reprodução/TVAL

Barros está preso preventivamente, após a deflagração da segunda fase da Operação Oxigênio, que investiga a compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões pelo governo do Estado, sem garantias. O advogado afirma ter participado do processo a pedido de um cliente, o médico e empresário Fábio Guasti, que também está preso.

De acordo com a investigação da força-tarefa formada por MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), TCE (Tribunal de Contas do Estado) e Polícia Civil, Barros avalizou a entrega dos equipamentos, mas até ontem, apenas 50 dos 200 equipamentos comprados chegaram e não são ideais para atendimento de pacientes com Covid-19.

No pedido de explicações criminais, a defesa de Barros expõe trechos do depoimento de Zeferino e lista 12 perguntas relacionadas às declarações.  Em um trecho, o ex-secretário de Estado da Saúde assegura que Barros tinha “circulação livre no prédio sede da Defesa Civil”, onde teria iniciado tratativas para locação de leitos de UTI junto a SES, e de instalação do Hospital de Campanha, junto a Defesa Civil.  Zeferino declarou ainda acreditar que Barros teria um cartão pessoal de acesso ao prédio.

Em determinado ponto do depoimento, Zeferino identifica Barros por meio de uma foto como sendo a pessoa a quem se refere.  Em outro trecho, Zeferino afirma que Barros esteve em contato com o presidente do Badesc para buscar linhas de crédito, mas que não teria retornado após tomar conhecimento dos documentos necessários para a liberação de recursos.

Em outro trecho exposto no pedido, Zeferino afirmou que o escritório de advocacia Barros emitiu uma nota sobre a contratação do Hospital de Campanha, que acabou gerando suspeitas no processo, e que o advogado fez contato com a interlocutora da Secretaria de Estado da Saúde no Ministério da Saúde se apresentando como representante do Estado, sendo indicado pela Casa Civil, na época, sob o comando de Douglas Borba, também preso preventivamente na segunda fase da Operação Oxigênio.

Por fim, Zeferino aponta a participação de Barros em pelo menos quatro processos de compra fracassados – EPIs, locação de leitos de UTI, Hospital de Campanha, e 200 respiradores – e coloca sua participação em suspeição nos demais processos promovidos pela SES.

Entre as perguntas elencadas pela defesa, cinco delas fazem referência ao representante comercial Leandro Estevo, que participou de uma reunião com o então secretário adjunto de Saúde, André Motta.

As questões sugerem que Zeferino pode ter se referido de forma equivocada a Barros, no trecho em que relata a participação do advogado nas tratativas da locação de leitos e da circulação livre no prédio sede da Defesa Civil, onde funcionava o COES (Centro de Operações e Estratégia de Saúde).

As perguntas sugeridas pela defesa de Leandro Adriano de Barros:

1 – Se confirma que era Barros que teria visto “circulando” na SES?

2 – Em caso afirmativo, em que dias e horários específicos verificou a “circulação” de Barros na referida secretaria;

3 – Se no andar da SES existiam câmeras de segurança?

4 – Se, como secretário, disponibilizou as filmagens ao GAECO?

5 – Se confirma que acredita que Barros tinha credencial para entrar na SES?

6 – Caso afirmativo, como ex-secretário, se abriu uma sindicância ou procedimento administrativo para verificar a veracidade de tal fato?

7 – Se conhece o senhor Leandro Estevo?

8 – Se já viu o senhor Leandro Estevo na SES?

9 – Se o senhor Leandro Estevo costumava frequentar a SES?

10 – Se sabe se o senhor Leandro Estevo era conhecido, amigo ou pessoa próxima do Secretário Adjunto da SES senhor André Motta?

11 – Se confirma que entrou em contato com o diretor do Badesc?

12 – Se confirma que o Leandro a que se refere em seu depoimento no GAECO, que teria falado com o presidente do Badesc a pedido do secretário adjunto André Motta, era Leandro Adriano Barros e não o senhor Leandro Estevo.

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