Divergências entre peemedebistas são evidentes

Enquanto há quem defenda o impeachment de Dilma Rousseff, outros pedem que o PMDB não abandone o barco e ajude a encontrar soluções para a crise, mas há consenso sobre a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara

Em um partido do tamanho do PMDB, tanto em Santa Catarina quanto em termos de Brasil, será difícil se obter um consenso sobre o tema crise e futuro da presidente Dilma Rousseff, mas isso não afasta a visão oposta de seus líderes no Estado. Em um fim de semana e domingo marcados por convenções municipais, uma nova declaração do vice-governador Eduardo Pinho Moreira favorável à saída de Dilma da presidência contrastou com a carta aberta ao partido do ex-senador Casildo Maldaner que exortou os deputados federais e senadores a evitarem a debandada do governo da petista, o que considera uma “deserção” se os integrantes da sigla não buscarem soluções.

Pinho Moreira ainda acrescentou, durante a passagem por sua base eleitoral, a região de Criciúma, que outro que deve deixar o posto é o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que hoje recebe a rebarba do mesmo discurso que tentou impor em cima de denúncias de corrupção. De certo modo, o PMDB, maior aliado de Dilma e do PT, repete a situação vivida por boa parte da nação brasileira, indignada com os desmandos no governo federal, recheados de desvios de dinheiro público, com uma única diferença: os brasileiros, ao contrário dos peemedebistas, não têm cargos na administração federal.

O questionamento vai mais além. O comando nacional do PMDB cancelou o Congresso Nacional marcado para o dia 15 de novembro, que só será realizado em março do ano que vem, justamente porque Cunha pretendia por em debate a saída do partido de um governo que é dele, pois tem o vice-presidente Michel Temer e a maioria de cargos. Em Santa Catarina, o presidente Mauro Mariani já sinalizou que o assunto deixar os cargos federais ocupados por indicação dos catarinenses não está mais em pauta, uma senha tática que mirava em uma eventual sinalização federal, que não veio. O clima é de espera, enquanto a sociedade já não sabe a quem recorrer para ver esta crise começar a dissipar.    

Devedores 
Ainda sobre a polêmica da divulgação dos 500 maiores devedores da prefeitura de Florianópolis, vale dar uma olhada no site da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,que, por exemplo, permite que qualquer cidadão faça uma pesquisa sobre devedores, porém desde que seja individual e que o responsável pela consulta tenha o número do CNPJ ou do CPF de quem procura, além de ser necessário preencher um cadastro para efetuar a consulta. Mas liberar lista, como foi feito na Capital, nem pensar, justamente para evitar a execração pública, até porque na lista liberada na semana passada não há qualificação das pessoas físicas ou jurídicas no que foi reproduzido nas redes sociais, apenas o nome e o valor da dívida. 

Confirmação 
No evento em que foram abonadas as novas fichas de filiação ao PR, de São José, o deputado Mário Marcondes confirmou que é pré-candidato à prefeitura local e que o vereador Telmo Vieira, recém-chegado à sigla, também figura como pré-candidato à majoritária, no ano que vem. Marcondes pondera que quem estiver melhor posicionado entra na disputa contra Adeliana Dal Pont (PSD), parte da estratégia do PR que pretende aumentar de 20 para 25 prefeitos e de 70 para 300 vereadores no Estado.

Clima contrário

A neblina que desceu na serra foi o fator decisivo para que a segurança da presidente Dilma Rousseff vetasse o sobrevoo de helicóptero em Rio do Sul e região. O governador Raimundo Colombo e o secretário Milton Hobus (Deefsa Civil) entregaram a lista com os 97 municípios atingidos pelas cheias.

“Nós vamos levar o relatório a Brasília, assim que estiver pronto e as águas baixarem, para a liberação dos recursos.”

Raimundo Colombo, governador do estado, após o encontro com Dilma Rousseff, no sábado, na pista do Aeroporto Hercílio Luz, que confirmou a presença da presidente na entrega das obras das barragens de Ituporanga e Taió.

BRUNO OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO/ND

Conversas de presidentes: João Cobalchini (E), da JPMDB da Capital, e o deputado Gean Loureiro, do diretório municipal

SOBRENOME FAMOSO

O advogado João Cobalchini (à esquerda), filho do deputado estadual Valdir Cobalchini, assumiu a presidência da JPMDB, na Capital, de olho na eleição do ano que vem. Ao lado do deputado Gean Loureiro, que reassumiu a presidência do diretório local, ganhou apoio ao projeto à prefeitura de líderes estaduais e até do senador Dário Berger, que tem conversado com o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD), candidato à reeleição. Interessante é que Gean convidou tanta gente e recebeu a visita de exatos 15 partidos representados na convenção, entre eles o ex-ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias (PDT).

Expectativa

Convenção do PMDB de Joinville ficou para 6 de novembro por conta da sequência de viagens: primeiro do prefeito Udo Döhler, segundo do atual presidente em exercício Alexandre Fernandes. Com o projeto de Udo à reeleição consolidado e a harmonia entre o prefeito e o presidente estadual Mauro Mariani também, a chapa está quase desenhada como Alexandre Fernandes como presidente, Alexandre Brandão, ligado a Udo, de 1º vice; mas as posições de Claiton Breis e Cleonir Branco ainda carecem de costura maior. A proposta à mesa é repetir em Joinville o mesmo consenso do diretório estadual.

RAFAEL WIETHORN/DIVULGAÇÃO/ND

O deputado Jorginho Mello (C), de camisa cor de rosa: apelo para a participação das mulheres na política e elogio à prevenção contra o câncer de mama  

PR OPTA PELO ROSA

Na visita que fez ao prefeito Naudir Schmitz, de Alfredo Wagner, o deputado federal Jorginho Mello, presidente estadual do PR, não por acaso optou pela camisa cor de rosa para reforçar a campanha que toma conta de outubro para alertar para a prevenção contra o câncer de mama. Naudir, de fulgurante camisa amarela, levou Jorginho ao posto de saúde local onde 100 mil mulheres foram atendidas no programa de prevenção, e ouviu do deputado que esta mobilização positiva deveria ser seguida pelo gênero feminino na política, já que elas são a maioria dos eleitores no país.

Comcap

Dona de serviços de qualidade, a Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) virou há muito tempo um problemão para as diversas administrações de Florianópolis. O Grupo RIC mostra a partir de hoje, em seus veículos, que é urgente a busca de uma solução para a gestão da empresa, sem descartar a privatização de parte da atuação, pois só duas coisas são lembradas tanto quanto a atuação na limpeza pública da Capital: o exagero nos constantes movimentos de paralisação e o sucateamento da empresa pública. Vale conferir.

* Deputado João Amin, presidente municipal do PP, não participou da convenção do PMDB em Florianópolis, mas mandou representante e uma carta em apontava as razões da ausência a Gean Loureiro.

* Democracia pressupõe liberdade de manifestação, porém as pessoas que foram protestar contra a presidente Dilma Rousseff, em Rio do Sul, perderam o  motivo e o momento. Só faltavam culpar Dilma pela enchente.

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