Em evento com bancada do PSL no Rio, Bolsonaro ataca PT e imprensa

BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Sob um forte esquema de segurança, o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) participou na tarde de quinta-feira (11) de um evento que reuniu as bancadas eleitas do partido em um hotel de luxo na Barra da Tijuca.

Bolsonaro, que ainda se recupera de uma facada sofrida no início de setembro, chegou ao local em um carro blindado e sob escolta da Polícia Federal. No evento, repetiu seus hits de campanha à sua claque e arrancou aplausos e gritos de “mito, mito”.

Ele atacou o PT, prometeu ‘pegar pesado’ na segurança pública e criticou a imprensa, a quem chamou de ‘adversária’ e acusou de produzir notícias falsas.

Antes de conceder uma entrevista coletiva, o capitão reformado falou para uma plateia de deputados e senadores eleitos pelo PSL no último domingo (7).

O objetivo do evento era mostrar o tamanho do apoio do candidato no Legislativo. Inicialmente a ideia era reunir também aliados de outras legendas, mas além de Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e do senador Magno Malta (PR-ES), o evento acabou ficando mais restrito a integrantes do PSL.

A legenda teve votação expressiva no Legislativo e elegeu 52 deputados federais e quatro senadores.

Atualmente, o partido não tem nenhum representante no Senado e conta com apenas oito cadeiras na Câmara, entre elas a do próprio Bolsonaro.

Em seu discurso para os parlamentares, o presidenciável confirmou os nomes de três de seus ministros: general Augusto Heleno na Defesa, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) na Casa Civil, e Paulo Guedes à frente do Ministério da Economia, que vai reunir Fazenda e Planejamento.

Antes de deixar o salão onde parlamentares estavam reunidos em direção à sala onde falaria a jornalistas, Bolsonaro criticou a imprensa.

“Tomem muito cuidado com a mídia. [Ela] quer ganhar uma escorregada para me atacar. Recomendo nem falar [com jornalistas], que parte da mídia quer nos desgastar”, afirmou.

Na sequência, Lorenzoni pediu que os militantes acompanhassem o capitão para ‘acompanhar’ e ‘fiscalizar’ a entrevista coletiva.

Ao chegar para falar com a imprensa, Bolsonaro foi acompanhado por apoiadores que o ovacionavam a cada resposta que agradava a plateia.

Os fãs preencheram cadeiras vazias do salão e se posicionaram com celulares para jornalistas, atendendo ao pedido de Lorenzoni, e transmitindo a coletiva por meio das redes sociais.

Quando a organização do evento anunciou que a Folha de S.Paulo faria perguntas, a plateia reagiu com vaias.

Sentado ao lado de Bolsonaro, o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, pegou o microfone e reprimiu a plateia. 

“Pessoal, olha só, vamos respeitar a liberdade de imprensa. Vamos respeitar as diferentes linhas editoriais que existem, isso se chama democracia. Estamos aqui para chegar ao poder pela via democrática, sem hostilizações, por favor.”

Antes de responder a pergunta feita pela Folha de S.Paulo sobre seus ataques à imprensa, Bolsonaro criticou o jornal por matéria publicada em janeiro, sobre uma empregada fantasma de seu gabinete.

Walderice Santos foi demitida do cargo de assessora do gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados após a Folha de S.Paulo noticiar que ela vendia açaí, na hora do expediente, na Vila de Mambucaba, na região de Angra dos Reis. Bolsonaro tem uma casa de veraneio no local.

“Quando vocês acusaram [Walderice] de ser fantasma, segundo o boletim da Câmara dos Deputados, ela estava de férias no mês de janeiro. Isso se chama irresponsabilidade. Humilharam uma senhora, filha de negros, num local pobre”, disse.

Na sequência, ele respondeu ao questionamento dizendo que lamentava a morte do mestre capoeirista conhecido como Moa do Katendê. 

Pouco antes, ele havia questionado por meio do Twitter a versão de que a morte de Romualdo Rosário da Costa, 63, tenha ocorrido por motivações políticas. 

O presidenciável compartilhou um vídeo de uma entrevista no qual Paulo Sérgio Ferreira de Santana, suspeito de matar Katendê, afirma que a discussão não teve a ver com política, mas sim com futebol.  Junto com o vídeo, o presidenciável postou a expressão “imprensa lixo!”.

“Não interessa qual o problema. Não podemos admitir esse tipo de crime, ou melhor, crime nenhum, e se porventura tenha sido uma pessoa que votou em mim, obviamente não vai votar mais agora, dispensamos esse tipo de voto. Não queremos a violência de quem quer que seja”, afirmou.

A fala dele foi acompanhada por aplausos e novos gritos de “mito”. “Agora, não fique nesse fake news como se o meu pessoal disseminasse o ódio. Agora, quem levou a facada fui eu”, afirmou.

Bolsonaro respondeu a questionamentos sobre sua ausência em debates presidenciais. A equipe médica que cuida de sua recuperação afirma que ele só será liberado para todas as atividades de campanha a partir da próxima quinta (18).

“Vou debater com um cara que nem poste é? É fantoche e pau mandado, age como camaleão. Eu vi o Haddad falando em família, em Deus. Eu fico com vergonha. Ele está cumprindo à risca o que o Lula manda ele falar: ‘Haddad não é de esquerda, Haddad é de direita’. Haddad agora quer posse de arma de fogo. Bem-vindo. Tomara que ele tenha sido curado de verdade, não só por um tempo. Dizem que bandido não se aposenta, tira férias. Haddad está de férias”, disse.

O presidenciável falou sobre a proposta de sua campanha, anunciada na quarta (10), de criar o 13º salário para beneficiários do Bolsa Família e repetiu que os recursos para o pagamento virão da fiscalização de fraudes e não haverá nova despesa no Orçamento da União.

Bolsonaro deve permanecer a maior parte do tempo em sua casa, na Barra da Tijuca, nos próximos dias.

Ele será submetido a nova avaliação médica no dia 18 em São Paulo, no hospital Albert Einstein.

Até lá, segundo sua equipe, suas saídas deve ser apenas para gravação de programas para o horário eleitoral, que inicia nesta sexta (12).

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