Em SC, ‘governador do Bolsonaro’ atribui virada ao sobrenatural

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O comandante Carlos Moisés da Silva, 51, diz “acreditar no sobrenatural”. Foi assim que ele explicou sua ida ao segundo turno na disputa pelo governo de Santa Catarina, com 29% dos votos válidos, depois de as pesquisas darem a ele apenas 9%.

“O sobrenatural está se concretizando”, declarou o segundo colocado da eleição, na noite de domingo (8), em entrevista ao portal NSC Total. “O sentimento da rua era esse, de mudança, renovação.”

A julgar por sua propaganda eleitoral e pelo resultado das urnas, o sobrenatural tem nome: Jair Bolsonaro.

Filiado ao PSL, Moisés se beneficiou de uma onda em prol do presidenciável em seu estado, que deu 65% dos votos ao capitão reformado do Exército -o maior percentual do país.

Seu programa eleitoral anunciava, logo no início: “Começa aqui o programa ‘Governador de Bolsonaro'”. E o jingle de campanha martelava: “Minha família quer o novo, um homem trabalhador; quer Bolsonaro presidente e Moisés governador”.

“Bolsonaro só apoia um governador aqui em Santa Catarina: eu, Comandante Moisés, 17”, dizia o candidato nos programas da campanha, pedindo votos ao “time do Bolsonaro em Santa Catarina”.

Moisés disputará o segundo turno contra Gelson Merísio (PSD), que fez 31% dos votos -uma diferença de menos de dois pontos percentuais.

O pessedista chegou a declarar apoio a Bolsonaro em meio à campanha, contrariando a aliança nacional de seu partido com Geraldo Alckmin (PSDB). Após o resultado das urnas, afirmou que o fenômeno PSL “precisa ser estudado”.

Moisés, por sua vez, disse representar “a mudança de verdade”, e declarou que o adversário, que foi por três vezes presidente da Assembleia Legislativa e há pouco tempo era aliado do ex-governador Raimundo Colombo (MDB), é “só mais um representante da velha política”.

Esta é a primeira incursão do Comandante Moisés na política. Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros desde 2016, ele já coordenou a Defesa Civil do estado e trabalhou na Secretaria de Justiça e Cidadania, na prevenção a incêndios em prisões estaduais. Mas só se filiou ao PSL em março deste ano, em sua primeira filiação.

Na convenção que lançou a candidatura própria, em agosto, o partido já apostava no potencial de Bolsonaro no estado para alavancar votos para Moisés, bem como na escolha de candidatos neófitos na política, que traziam a bandeira da renovação.

Ao contrário do presidenciável de seu partido, o candidato ao governo de Santa Catarina tem fala mansa, com tom grave e estilo pouco agressivo. Mas, assim como Bolsonaro, ele também promete investir em segurança pública, combater a corrupção e enxugar a máquina do Estado.

Nesta segunda, em entrevista ao Jornal do Almoço, Moisés disse que continuará fazendo uma “campanha simples”: o candidato declarou gastos de quase R$ 300 mil até aqui, contra R$ 5,4 milhões de Merísio.

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