Entidades de Santa Catarina repercutem editorial do ND

Autoridades do Tribunal de Justiça, Câmara de Vereadores e TRE explicam suas visões sobre mudanças no pleito de 2020 e no processo eleitoral

Após a publicação do editorial do ND, “É hora de mudar o Brasil!!”, neste sábado (30), várias entidades se manifestaram sobre mudanças no processo eleitoral brasileiro e adiamento do pleito deste ano.

Eleições municipais de 2020 podem estar comprometidas devido à pandemia – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/NDEleições municipais de 2020 podem estar comprometidas devido à pandemia – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/ND

O presidente do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), desembargador Ricardo José Roesler, disse que é favorável não só ao adiamento mas ao voto distrital e à unificação das eleições a cada cinco anos. “Reorganiza e diminui custos”, argumentou.

“Confesso que tenho focado mais na questão do combate à pandemia e esse deve ser meu foco nesse momento”, informou o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, através de sua assessoria. Por meio de uma nota, ele afirma que deseja que a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em conjunto com o Congresso, “seja em comum acordo com as autoridades em saúde”.

Gean Loureiro acredita que a decisão sobre a situação das eleições deva ser “em comum acordo com as autoridades em saúde” – Foto: Arquivo/Andréa da Luz/NDGean Loureiro acredita que a decisão sobre a situação das eleições deva ser “em comum acordo com as autoridades em saúde” – Foto: Arquivo/Andréa da Luz/ND

“Pessoalmente, acredito que fui eleito para 4 anos e para ficar mais tempo, somente com a autorização da população, ou seja, sendo reeleito. Mas, claro, deve-se levar em consideração o cuidado com a saúde pública”, escreveu o prefeito Gean.

Já o presidente da Câmara Municipal de Florianópolis, Fábio Braga (PSD), considera que a população deve ser consultada sobre a unificação das eleições antes de qualquer decisão. “Como presidente da Câmara, estou na política e a representação popular segue essencial, mas não é momento de os políticos decidirem sozinhos o futuro do processo democrático das eleições”, afirmou.

“A democracia tem uma série de pilares de sustentação. Um deles é a participação direta da sociedade para sua representação no futuro do país. Neste momento que todos enfrentamos juntos, a decisão de unificar eleições, com a consequente extensão de mandatos, precisa ser levada à consulta popular. Precisamos deixar a sociedade escolher”, concluiu Braga.

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Por sua vez, o presidente do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina), desembargador Jaime Ramos, preferiu não se manifestar, por enquanto.

De acordo com a assessoria do Tribunal, Ramos aguarda as definições do TSE, e do Congresso Nacional, responsável pela alteração legal, caso ocorra. Segundo o TRE, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, também estaria esperando a conclusão de um estudo técnico sobre a realização das eleições para se posicionar.

Julio Garcia acredita que o cancelamento das eleições municipais “é medida acertada” – Foto: Arquivo/Flávio Tin/NDJulio Garcia acredita que o cancelamento das eleições municipais “é medida acertada” – Foto: Arquivo/Flávio Tin/ND

Para o presidente da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), Julio Garcia, o cancelamento das eleições municipais e a prorrogação dos mandatos para 2022 “é medida acertada”. “A prioridade é a luta contra o novo coronavírus e isso seria bastante dificultado pela mudança dessas lideranças que estão à frente da batalha”, escreveu em nota.

Julio Garcia sugere, ainda, que os titulares fiquem impedidos de concorrer à reeleição. “A unificação das eleições e o fim do instituto da reeleição são, a meu ver, mudanças que irão ajudar o Brasil a sair da grave crise provocada pela pandemia”, disse.

A prefeita de São José, Adeliana Dal Pont, disse que o Grupo ND trouxe ao debate um assunto da maior relevância. Adeliana destaca que é importante debater a realização das eleições municipais com a sociedade, sobretudo nesse momento de crise.

Adeliana Dal Pont, prefeita de São José – Foto: PMSJ/DivulgaçãoAdeliana Dal Pont, prefeita de São José – Foto: PMSJ/Divulgação

“A FECAM tem se posicionado contra as eleições municipais deste ano pela situação em que se encontram os municípios nas questões sanitária e econômica. Eu entendo que a pandemia dificulta o processo eleitoral, pois, tanto os candidatos quanto os eleitores precisam fazer o isolamento social. É impossível fazer reuniões, por exemplo. É um risco para a saúde pública.

Sem a possibilidade de aglomeração de pessoas, como o cidadão terá oportunidade de escolher o melhor para a sua cidade? Nem todos os municípios têm propaganda na TV ou no rádio para apresentar candidatos. Aliás, são poucos que podem utilizar dessas ferramentas para se aproximar do eleitor. Dificilmente a eleição durante o período de pandemia será de oportunidades iguais a todos os candidatos”, disse.

Adeliana comenta ainda que alterar o calendário eleitoral em 30 ou 60 dias, sendo que não se sabe qual será o cenário de combate à Covid-19 nos próximos meses, é decidir pelo desconhecido.

“É mais do que urgente essa discussão no Congresso Nacional com a participação de todos, sem levar em conta os interesses políticos e partidários. É preciso pensar no Brasil.

Em algum momento, vamos ter que unificar as eleições. O país não pode mais parar a cada dois anos para campanhas eleitorais. Talvez esse seja o momento de rever as atuais regras. As lideranças políticas precisam se unir pelo bem da democracia e da sociedade”, completou.

15 Comentários

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  • Onofre
    Onofre
    Como esse veículo de imprensa dá espaço para elementos dessa categoria. Parece até saudade de tempos mais sombrios.
  • Pablo Souza
    Pablo Souza
    É o fim da picada. Dois denunciados, um na operação Alcatraz e o outro na Chabu, dando opinião.
  • Kelvin
    Kelvin
    Só faltou a opinião da Policia Federal para dois desses aí

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