Esvaziada, parada de Sete Setembro é ofuscada por ataque a Bolsonaro

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Esvaziada politicamente, a parada do Sete de Setembro foi ofuscada nesta sexta-feira pelo atentado sofrido pelo candidato do PSL à sucessão presidencial, Jair Bolsonaro.

Com a segurança reforçada e um isolamento mais rigoroso que em anos anteriores, Michel Temer acompanhou o desfile na Esplanada dos Ministérios sem a presença dos chefes do Judiciário e do Legislativo.

No ano passado, tanto o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), como da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), participaram da cerimônia. Com rejeição recorde, candidatos à reeleição têm evitado posar ao lado de Temer.

Em meio a cenário de crise fiscal, o presidente desembolsou R$ 816 mil dos cofres públicos para a preparação da cerimônia. Os valores são superiores ao que foi repassado no ano passado ao Museu Nacional, que pegou fogo no último final de semana.

No total, a instituição cultural recebeu R$ 643 mil, montante corrigido pela inflação do período. De janeiro a agosto deste ano, foram desembolsados R$ 98 mil para o museu. 

Na plateia, alguns convidados traziam camiseta com a imagem de Bolsonaro e militares que participaram da organização lamentavam, em conversas reservadas, o ataque sofrido pelo candidato.

“O que aconteceu ontem é o desespero, porque estão vendo que ele está crescendo cada vez mais”, disse o estudante Pedro Carrara, 18, que usava camisa verde e amarela com o rosto, o nome e o número do candidato.

Único militar a dar entrevista à imprensa, o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Sérgio Etchegoyen, afirmou que o país acordou nesta sexta-feira em um “dia triste”.

Ele disse torcer para que os “ânimos se acalmem”, que as lideranças do país procurem encontrar a “palavra da pacificação” e alertou para o risco da radicalização destruir a democracia. 

“Não é possível que nós tenhamos evoluído tanto para admitir que, em uma disputa democrática, em uma campanha eleitoral tão importante, nós reduzamos a facadas, tiros, ofensas e agressões essa festa. É um desrespeito ao país”, disse. 

Na sequência, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que a Polícia Federal alertou a campanha do candidato sobre o risco envolvido na participação de atos políticos que envolvessem multidões.

Segundo ele, a situação que culminou no ataque ao candidato estava fora de controle, mesmo com a presença de 13 policiais federais e 50 policiais militares. “Já se tinha conversado com a campanha e com a família que ficava muito difícil fazer a segurança quando ele se jogava na multidão”, disse.

Jungmann ressaltou que não dá para culpar a equipe de segurança quando as orientações não são respeitadas. “Se os candidatos não seguem as orientações da Polícia Federal, obviamente fica praticamente impossível fazer a segurança”, disse.

MOTIVAÇÕES

Questionado, o ministro afirmou que ainda não é possível descartar motivação política no ataque ao candidato. Ele lembrou que o episódio é muito recente e que a Polícia Federal trabalha com a hipótese de que Adelio Bispo de Oliveira, 40, tenha atuado sozinho. 

“O que se trabalha basicamente é um ato isolado daquilo que se pode chamar de lobo solitário”, disse.

Ele ressaltou, no entanto, que existe no âmbito da Polícia Civil uma investigação sobre mais dois suspeitos. “Há outros que estariam envolvidos, mas, que até agora, não têm uma comprovação fática, embora continuem sob suspeita”, disse.

Jungmann não revelou os nomes, mas disse que um já foi interrogado e, posteriormente, liberado e que outro foi ferido durante a agenda de campanha e está hospitalizado.

CANDIDATOS

O ministro informou que convocou os coordenadores das campanhas presidenciais para rediscutirem, em Brasília neste sábado (8), o esquema de segurança até a eleição. O efetivo, segundo ele, será aumentado, em média, 60%.

Segundo ele, cerca de 80 agentes fazem hoje a segurança de cinco candidatos: Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Alvaro Dias (Podemos) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Bolsonaro tinha o maior efetivo: 21 agentes, dos quais 13 o acompanhavam no momento do ataque. O reforço será definido após análise da situação de risco de cada candidato.

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