‘Eu teria cortado a cabeça dele’, diz Onyx sobre Mandetta, segundo TV

Conversa revelada pela CNN indica que a fritura do ministro da Saúde segue em alta nos bastidores por seus pares e auxiliares do presidente alinhados à ala ideológica

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) discutiram, na manhã desta quinta-feira (9), a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Luiz Henrique Mandetta é o atual ministro da Saúde – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/NDLuiz Henrique Mandetta é o atual ministro da Saúde – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/ND

Em conversa divulgada pela CNN Brasil, Onyx diz que não fala com Mandetta há dois meses e que, se estivesse na cadeira do presidente Jair Bolsonaro, teria “cortado a cabeça” dele após a reunião no Palácio do Planalto na última segunda-feira (6).

No diálogo, Terra se propõe a ajudar na saída do ministro da Saúde. Além disso, o deputado, que também é médico, defende a flexibilização do isolamento social e o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19.

No entanto, o medicamento não apresenta pesquisas conclusivas sobre a eficácia e efeitos colaterais do medicamento. Por se tornar uma voz contrária a Mandetta e alinhado ao que deseja o presidente, Terra passou a ser cotado para chefia a Saúde.

A conversa indica que, apesar dos esforços da ala militar para estabelecer uma trégua entre Bolsonaro e Mandetta, a fritura do ministro da Saúde segue em alta nos bastidores por seus pares e auxiliares do presidente alinhados à ala ideológica.

De acordo com o trecho da conversa divulgado pela CNN, Onyx elogia Terra por fazer um contraponto a Mandetta. “Ele (Mandetta) não tem compromisso com nada que o Bolsonaro está fazendo”, diz o ministro da Cidadania. O deputado responde dizendo que Mandetta “se acha.”

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“Eu acho que (Bolsonaro) deveria ter arcado (com as consequências de uma demissão)…”, diz Onyx, segundo o trecho transcrito pela CNN. Terra, então, diz que “o ideal era o Mandetta se adaptar ao discurso do Bolsonaro”.

“Uma coisa como o discurso da quarentena permite tudo. Se eu tivesse na cadeira… O que aconteceu na reunião eu não teria segurado, eu teria cortado a cabeça dele…”, diz Onyx.

Em resposta, o deputado chama a atenção para a fala do ministro da Saúde após a reunião da última segunda-feira (6). Em declaração à imprensa, sem o aval do Planalto, Mandetta, aplaudido por técnicos, anunciou que seguiria no cargo e pediu paz para trabalhar.

Porém, em sua fala, deu vários recados. Entre eles, reafirmou que as orientações de governadores sobre isolamento devem ser seguidas e citou o “Mito da Caverna”, texto de Plantão, que discute o conflito entre a ignorância e o conhecimento.

“Eu fui ler O Mito da Caverna, que é um dos diálogos de Platão que eu tinha lido aos 14 anos pela primeira vez e já li umas 20 vezes até e até hoje não consigo entender. Continuei sem entender”, disse o ministro aos jornalistas.

Executivos não se manifestaram

Sobre as declarações de Mandetta, Onyx comentou: “Ali para mim foi a pá de cal. Eu já não falo com ele há dois meses. Aí acho que é xadrez. Se ele sai vai acabar indo para a secretaria do Doria”, disse referindo-se ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Segundo o trecho divulgado pela CNN, Terra responde dizendo que ajuda e que ele não precisa ser indicado o substituto de Mandetta. “Eu ajudo Onyx. E não precisa ser eu o ministro, tem mais gente que pode ser.”

Como resultado, Onyx Lorenzoni e Osmar Terra foram procurados pela reportagem. Porém, por meio de suas assessorias, alegaram se tratar de uma conversa particular e não se manifestaram sobre o diálogo.

No entanto, no final da tarde desta quinta-feira (9), havia a previsão de Mandetta participar da entrevista coletiva no Planalto sobre os dados da pandemia do coronavírus no país, como vem sendo feito nos últimos dias. Logo após a divulgação da conversa, a participação do ministro foi cancelada.

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