Ex-chefe da Casa Civil nega ter conversado com Carlos Moisés sobre caso dos respiradores

Empresário Amândio da Silva Júnior foi ouvido pelos deputados para esclarecer imagem em videochamada com empresário Samuel Rodovalho

O empresário Amândio da Silva Júnior, ex-chefe da Casa Civil, negou que tenha conversado com o governador Carlos Moisés sobre a compra dos 200 respiradores junto a Veigamed em depoimento na CPI dos Respiradores, ontem, na Alesc (Assembleia Legislativa).  Convocado após aparecer em uma videochamada com o empresário Samuel Rodovalho, Amândio também esclareceu a imagem e se disse “injustiçado pelo fato”.

Amândio da Silva Júnior prestou depoimento na CPI dos Respiradores. Foto: Reprodução TV AL Amândio da Silva Júnior prestou depoimento na CPI dos Respiradores. Foto: Reprodução TV AL 

Os deputados consideraram o fato grave e queriam esclarecimentos de Amândio sobre o episódio. Rodovalho afirmou que a conversa ocorreu antes de Amândio assumir a chefia da Casa Civil e que os respiradores não eram tema da videochamada. Na condição de testemunha, Amândio confirmou que a videochamada aconteceu no dia 22 de abril e explicou a participação do ex-assessor especial da Casa Civil, que também deixou o governo do Estado no último dia 26 de junho

“Sandro Yuri é uma das pessoas mais íntegras e decentes que eu conheço. É meu amigo há 20 anos e empresário”, declarou Amandio, que primeiro chamou Yuri para trabalhar na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, e depois o levou para a Casa Civil. Outro personagem da videochamada é o empresário da Construção Civil, Marcio Furtado de Mendonça, casado com uma prima terceira de Amândio, e que, há dois anos, apresentou Samuel Rodovalho para o ex-chefe da Casa Civil.

Segundo Amândio, eles iniciaram um grupo de trabalho no dia 14 de abril porque tinham a possibilidade de trazer testes de Covid-19 da Coreia do Sul. A oportunidade surgiu através de um amigo de Yuri. A vinda do Samuel foi sugerida por Marcio. Mas o negócio, que tinha caráter totalmente privado, não evoluiu.

Amândio disse também que os respiradores nunca foram tema do grupo de trabalho, nem depois do assunto vir a público. “O nosso negócio é puramente privado”, respondeu Amândio, após insistência do relator Ivan Naatz (PL).

Então chefe da Casa Civil entre 11 de maio a 26 de junho, Amândio também declarou não ter conversado sobre o assunto com qualquer integrante do governo durante o período. “Eu sou catarinense e quero ver isso tudo esclarecido, mas não tenho absolutamente nada com isso. Nunca falei com o governador sobre isso (a compra dos respiradores). Não quero ficar abraçado ao problema. Eu quero olhar para frente”.

Perguntado sobre o que o fez retornar ao governo do Estado, Amândio teceu elogios ao funcionalismo público. “A qualidade das pessoas que conheci no governo me surpreendeu. Não só das pessoas do primeiro escalão, mas o funcionalismo público de Santa Catarina conquistou meu coração. E não é só desse governo”, disse Amandio, que revelou um “apreço grande” pelo senador Esperidião Amin (PP) e citou outros governadores.

Ao final, o deputado relator Ivan Naatz insistiu em saber se realmente o governador não conversou com o chefe da Casa Civil sobre o episódio dos respiradores e alertou, ao lembrar que as testemunhas negaram ter conversado com Carlos Moisés sobre o assunto.

“Essa é uma linha de defesa muito perigosa, pois sabemos que o Direito Administrativo não tolera a omissão, o silêncio, e exige a participação. Eu vou julgar que o governador é omisso e a omissão é fonte de responsabilidade”, declarou o relator.

Idealista, Amândio também esclareceu que pediu para deixar o governo Carlos Moisés, após receber um apelo dos familiares, principalmente da mãe, que está em tratamento de um câncer em Rio do Sul. “Gostaria de ser uma solução, mas eu poderia me transformar em um problema”, contou Amândio, que se despediu do cargo após um contato telefônico de 15 minutos com o governador Carlos Moisés.

O empresário também entende que a situação gerada pela imagem da videochamada não condiz com sua conduta e imagem. “Me sinto muito injustiçado pelo fato. Isso destrói e mancha a honra das pessoas. Eu saí muito entristecido do governo. Não gostaria de ter saído”. Sobre a compra dos respiradores, Amândio classificou como “lamentável”.

Antes do início da oitiva, a CPI dos Respiradores aprovou a convocação do secretário de Estado da Administração, Jorge Eduardo Tasca, para falar sobre as conversas em grupos de whatsapp e outros procedimentos que a Secretaria de Administração teve durante a compra dos respiradores, e do auditor Clóvis Schio, que participou da elaboração do relatório preliminar da CGE (Controladoria Geral do Estado).

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