Falta de recursos paralisa o projeto de ampliação da Via Expressa, na Grande Florianópolis

A execução da obra está orçada em R$ 500 milhões

Promessa antiga, a ampliação da Via Expressa está de volta ao centro do debate das lideranças políticas da Grande Florianópolis. Embora a elaboração do projeto tenha começado em 2011, ele está paralisado por falta de previsão orçamentária do governo federal para execução e conclusão de toda a obra – orçada em R$ 500 milhões. Lideranças da região se reúnem com o governador Raimundo Colombo (PSD), na segunda-feira (25), em busca de apoio institucional para interceder pelos municípios em Brasília.

Daniel Queiroz/Arquivo/ND

Via Expressa está entre os principais gargalos da mobilidade da Grande Florianópolis

Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e de Transportes) de Florianópolis, o projeto da via, trecho de 5,5 quilômetros, já foi 80% concluído. Só não foi além para evitar alterações futuras no desenho da obra, diante da falta de previsão para começo do serviço. A parte de elaboração do projeto tem o custo de R$ 5 milhões, sendo que a metade desse valor já foi paga ao Consórcio Sotepa/Iguatemi/Esse, responsável pelo desenvolvimento do plano de construção.

Pelo projeto, a obra consiste na ampliação de duas para três faixas de tráfego de veículos em cada um dos sentidos da Via Expressa, separados por um canteiro central. Para complementar, ao redor, devem ser incluídos dois acostamentos e uma passagem exclusiva para ônibus. Também está prevista uma via lateral expressa rodeada de passeio para pedestre, ciclovia e faixa para canal de serviços públicos.

Segundo o chefe de Planejamento e Projetos do DNIT de Florianópolis, Huri Alexandre Raimundo, a obra está prevista no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com R$ 100 milhões reservados. Mas a execução deve custar, inicialmente, R$ 400 milhões, fora os serviços complementares que podem elevar o investimento para R$ 500 milhões. O tempo para conclusão do deve ser de quatro anos.

Conforme Huri, o órgão estuda a possibilidade de fazer a obra por etapas em razão da dificuldade financeira do governo federal. “Ou parcerias pública e privada. Ou com participação do Estado e prefeituras”, acrescentou o chefe de planejamento. Contudo, essa decisão depende de mobilização política, garantiu.  

Huri recordou que o DNIT chegou a paralisar o projeto em 2012, quando passou a ser cogitada a implantação de alternativas de transporte (VLT, bondinho) no Continente-Ilha, o que impactaria o desenho da obra.  “A obra ganhou um contorno mais grave quando o Estado começou a discussão sobre uma nova ponte e transporte coletivo de massa.” Mas, como nada saiu do papel, em 2014, o órgão retomou o projeto.  

No entanto, em 2015, o projeto voltou a estacionar no DNIT por falta de previsão orçamentária do governo federal para execução total da obra. Segundo Huri, mais seis meses são necessários para terminar o projeto. “A fase que falta é o detalhamento. A empresa entrega relatório do projeto e o DNIT analise e aprova.”

Prefeitos formalizam documento

Diante do imbróglio, lideranças políticas da região estão se mobilizando para cobrar do governo federal a execução da obra na Via Expressa, a rodovia BR-282. Na manhã desta quinta (21), prefeitos e líderes das prefeituras dos municípios da Grande Florianópolis se reuniram para discutir o assunto, na sede administrativa de São José.

Um documento foi formalizado e assinado pelos representantes presentes, listando as ações que o grupo colocará em prática em prol da obra de ampliação da Via Expressa, que liga Florianópolis à BR-101. A primeira delas deve ser uma reunião com o governador Raimundo Colombo (PSD), que já está agendada para próxima segunda-feira, às 15h. A intenção é pedir auxílio do pessedista para interceder junto ao governo federal.

O grupo também planeja agendar uma audiência no Ministério dos Transportes, DNIT e Fórum Parlamentar Catarinense, em Brasília. A intenção é fazer um encontro conjunto antes do Carnaval. Para os prefeitos, obra vem se tornando cada vez mais necessária devido ao agravamento do congestionamento na entrada e saída da Capital. Pela Via Expressa, circulam cerca de 130 mil veículos diariamente, segundo o DNIT.

Diante da falta de recursos do governo federal, prefeitos cogitam a possibilidade de sugerir a execução da obra por etapas – assim como o DNIT já vem estudando. “Percebo que a obra está na vala comum dos projetos do governo federal suspensos pela dificuldade financeira”, afirmou o prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Júnior (PSD). O pessedista acrescentou ainda que esse é o momento ideal para os prefeitos tentarem viabilizar recursos para obra junto ao governo federal.

A ideia de estadualização do trecho da rodovia – para que o Estado assuma o projeto para execução da obra – também apareceu entre as sugestões dos representes. Contudo, nem todos os representantes são favoráveis. Anfitriã da reunião de ontem, a prefeita Adeliana Dal Pont (PSD) se manifestou contra. “Estadualizar é trazer mais um prejuízo para o estado”, opinou.

Também participaram da reunião: Leonardo Hammes (Angelina), Antônio Paulo Remor (Antônio Carlos), Ramon Wollinger (Biguaçu), Camilo Martins (Palhoça), Evandro João dos Santos (Paulo Lopes), Sandro Carlos Vidal (Santo Amaro da Imperatriz).

O que diz o documento formalizado pelos prefeitos

– Agendar audiência dos prefeitos com ministro dos Transportes, DNIT e Fórum Parlamentar Catarinense, em Brasília. Intenção é fazer reunião conjunta antes do Carnaval  

– Formalizar pedido de apoio institucional ao governo do Estado na mobilização dos prefeitos junto ao governo federal

– Mobilização conjunta de todas as entidades e sociedade civil organizada para resolver o entrave

– Buscar meios políticos administrativos e, se necessário, jurídicos para problema

Histórico do projeto e das discussões

2011

– DNIT iniciou estudo para elaboração do projeto de ampliação da capacidade do segmento urbano da Via Expressa – um trecho de 5,5 quilômetros. Pelo valor de R$ 5 milhões. Metade desse valor já foi gasto, segundo o DNIT.

2012

– Governos enfatizaram a discussão sobre alternativas de transporte (VLT, bondinho) à Ilha e o DNIT paralisou o andamento do projeto porque elas impactariam o desenho da obra.

2014

– DNIT retomou o projeto porque nenhuma alternativa de transporte à Ilha foi adotada pelos governantes.

2015

– O projeto de ampliação da Via Expressa voltou a estacionar no DNIT por falta de previsão orçamentária do governo federal para execução total da obra. Atualmente, o projeto encontra-se 80% concluído. Retomando a elaboração, serão necessários mais seis meses para terminá-lo.

2016

Lideranças políticas da região retomam a mobilização para cobrar a execução da obra na Via Expressa.

Principais pontos do projeto*

– Em cada um dos sentidos da Via Expressa, separados por um canteiro central, deve ser feita a ampliação para três faixas de tráfego de veículos. Ao redor, devem ser incluídos dois acostamentos e uma passagem exclusiva para ônibus.

– Também está prevista uma via lateral expressa separada da faixa de acostamento por canteiro, sendo rodeada de passeio para pedestre, ciclovia e faixa para canal de serviços públicos.

– Incluir também faixa de 3 metros em cada extremo da faixa de domínio reservada para utilização de redes e tubulações de serviços públicos.

– Fazer a reformulação dos cruzamentos.

– Inserção de dois novos viadutos transversais interligando dois lados urbanizados da Via Expressa (conexão rua Abel capela e conexão Chico Mendes).

– 55 propriedades devem ser desapropriadas às margens da rodovia. O valor será de R$ 15 milhões, já incluídos na previsão de investimento para a obra.

*Projeto básico ainda não foi concluído 

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