Faria tudo de novo, diz ex-deputado federal Roberto Jefferson

Presidente nacional do PTB esteve na semana passada em São Francisco do Sul e concedeu entrevista exclusiva ao Notícias do Dia

Luciano Moraes

Em 1992, Roberto Jefferson fazia parte da “tropa de choque” que tentava defender o então presidente Collor do impeachment

Ele é polêmico, direto nas palavras e não tem medo de receber ou de fazer críticas. O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, conversou com a reportagem do ND sobre a situação política do país. Roberto Jefferson passou a ser conhecido nacionalmente no processo de impeachment do então presidente Fernando Collor em 1992, pois fazia parte da “tropa de choque” que tentava defender o então presidente. Em 1993, seu nome foi citado entre os envolvidos no esquema de propina na CPI do Orçamento. Em 2005, a revista “Veja” divulgou o envolvimento dele em um escândalo de corrupção nos Correios, na qual houve fraude a licitações e desvio de dinheiro público. Sem respaldo, ele resolveu denunciar a prática da compra de deputados da base aliada pelo PT. Surgia então o caso conhecido como “mensalão”.

Mesmo cassado do mandato de deputado federal em 2005, o senhor se manteve na presidência do PTB. Como obteve a confiança política dos petebistas?

Sempre tive apoio do meu partido. Quando surgiu o caso do mensalão pedi para deixar a presidência. No entanto, tive apoio de todos para continuar, pois as denúncias do mensalão repercutiram ao meu favor. Eu não me arrependo de ter sido cassado pelo suposto envolvimento nas denúncias dos Correios e do mensalão. Eu tenho minha consciência limpa e faria tudo de novo.

O mensalão está para ser julgado em maio pelo STF. O que espera sobre o caso?

Duvido que o STF julgue qualquer um dos 38 réus do mensalão antes da realização da eleição municipal no Brasil. Não vejo condições emocionais, pois remexe numa ferida de um caso de sete anos atrás. Seria o mesmo que mexer em cadáveres.

Mas, se o senhor denunciou o próprio PT na época, como hoje o partido faz parte da base aliada do governo federal?

Tenho o lema que é preciso seguir a vida sem ter olhos nas costas. Eu coloquei uma borracha no passado e hoje tenho um bom relacionamento com o PT. Quero ressaltar que existem dois períodos do governo Lula: um com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e outro sem ele. Sem o José Dirceu, a atual presidente Dilma Rousseff, que na época era ministra, teve condições de gerenciar o governo. Sobre me protegerem ou não, só quero ressaltar que não tenho nada a temer.

O senhor era um dos deputados federais que defendia o então presidente Collor de Mello. Não se arrepende?

De forma alguma. Não me arrependo e ainda o defendo. O impeachment foi uma pressão que levou Collor a renunciar. A crise ocorreu porque o presidente enfrentou os bancos, os poderosos da época, mas não tinha respaldo na Câmara dos Deputados e nem no Senado. Ele tinha apenas dez deputados federais do PRN, seu partido. Porém, hoje, o país desfruta de muitas conquistas de seu governo, como a quebra de barreiras comerciais para a importação de veículos e outros benefícios.

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