Paulo Alceu

Análises qualificadas e comentários assertivos acerca dos assuntos mais relevantes para os catarinenses.


Greve descabida

Pelo visto negociação para o Sinte é aceitar o que os representantes sindicais exigem caso contrário não há conversa. Isso é radicalismo

Luís Mendes/Editoria de Arte ND

“Tratoraço”

Foi a expressão que o senador Casildo Maldaner utilizou, assim que foi aprovado por 20 votos a cinco, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o projeto prevendo a unificação do ICMS. Chega hoje ao plenário e certamente o governo terá maior garantia de vitória com o alinhamento da base governista. Nem a proposta de mais tempo para o diálogo, visando uma implementação gradual, além de medidas realmente compensatórias, foi aprovada na Comissão. Derrota dupla. ”A base do governo, apesar de dividida em seu íntimo, passou o ‘tratoraço’. Deixamos de lado o princípio federativo, não construímos consenso e nem esgotamos o diálogo. Nunca tinha visto isso nesta Casa”, reclamou resignado o senador Casildo Maldaner. Os apelos veementes de catarinenses, capixabas e goianos não sensibilizaram a base orientada pelo Ministério da Fazenda. Agora, diante dessa realidade onde as perdas são visíveis, o coerente é se debruçar em alternativas que pelo menos minimizem o rombo nos cofres do Estado. O senador Maldaner pretende apresentar um projeto de lei que estabeleça medidas compensatórias proporcionais às perdas dos Estados afetados, considerando que essa luta não termina aqui. Embora reconhecendo que foi criada uma dificuldade financeira significativa e inesperada, Santa Catarina indiscutivelmente é um Estado pujante e competente, de um povo realizador e que já provou várias vezes a capacidade de superação diante das mais graves provações. Dependerá agora de o governo sintonizar com essa característica se adaptando a uma nova realidade e quem sabe até ajustando a máquina as reais funções, evitando gastos que muitas vezes não atingem as ansiedades e necessidades da população. Vai ser um período, tenho certeza, de criatividade positiva. De repente fecha uma porta e tem tudo para serem abertas novas janelas…

Greve?

 Uma paralisação para ser exitosa ela tem que ter o apoio da sociedade, reconhecendo a reivindicação e respaldando a categoria. Torna-se mais forte. Foi assim, no início da greve passada do magistério. A população reconhecia a luta pelo piso salarial e defendia os professores. Agora não. Estamos diante não de uma greve representativa de uma categoria, que de repente se sente alijada e desrespeitada por um governo. Mas uma greve sindical, que tem por meta atingir o governo, com ingredientes, inclusive, eleitorais. Desculpe. Tenho o maior respeito pela profissão dos mestres. Numa negociação é comum ceder, para lá na frente recuperar. Faz parte do processo. Não havia rompimento, havia diálogo. O governo pode não ter apresentado a proposta ideal, mas não se negou a conversar e muito menos a buscar uma solução sintonizada com a realidade atual. Pelo visto negociação para o Sinte é aceitar o que os representantes sindicais exigem caso contrário não há conversa. Isso é radicalismo. E dentro desse espírito o maior atingido, outra vez, é o aluno.
Em tempo: o governador Raimundo Colombo, de Brasília, onde amargava uma derrota que afetará os cofres do Estado, considerou uma “deslealdade do Sinte, uma falta de bom senso, num momento tão difícil.” Considerou que se já era complicado honrar com a proposta apresentada agora será muito mais com a perda de R$ 1 bilhão por ano.

CPI

 Uma nota da coluna sobre a possibilidade de instalação de uma CPI na Câmara de Vereadores acabou gerando uma série de manifestações. Agora foi a vez do senhor Sergio d Ivanenko, contestar o secretário de Administração de Florianópolis e esclarecer alguns pontos já que, embora não tenha sido citado nominalmente, sentiu-se atingido deixando claro que não é um “denunciante”. Afirmou que remeteu um ofício à Câmara alertando a falta de controle nas licitações da prefeitura e, inclusive, apresentou algumas sugestões para melhor acompanhar esses processos. Destacou que a empresa que representava foi a única habilitada na licitação questionada, das três concorrentes, mas não houve conclusão. Evitando discussões políticas/eleitorais está se colocando à disposição para discutir qualquer ponto diante de justificativas não verdadeiras. “Tenho certeza que os dados que serão revelados vão escandalizar toda sociedade catarinense…quem tem muito a esconder neste processo é sim a Prefeitura.”

O outro lado

Pela resposta do prefeito Ronério Heiderscheidt a proposta da Casan de R$ 50 milhões para obras de saneamento em Palhoça retomando os serviços no município não será bem-vinda. O prefeito afirmou que esteve na segunda-feira na cerimônia de liberação de verbas para as obras de esgotamento sanitário em vários municípios “por consideração a ministra Ideli Salvatti, que tem sido em Brasília grande defensor de Palhoça.” Destacou que na cidade que governa está sendo finalizada uma PPP, no valor de R$ 300 milhões, onde a Águas de Palhoça entrará com 50% e a iniciativa privada com os outros 50%. Segundo Heiderscheidt em 15 anos Palhoça terá mais 8º% da população atendida com rede de água e de esgoto. E, finalizou frisando que em parceira com o governo federal está investindo R$ 15 milhões em saneamento básico.

Tuitando

@ “Vinicius Lummertz ainda tem que ser uma opção viva”, continua insistindo o presidente dos tucanos Leonel Pavan. Pelo visto, se Lummertz fosse do PSDB já estaria candidato à Prefeitura de Florianópolis. Mas é PMDB, e lá tem Gean Loureiro e Dario Berger.

@ Comentário ainda presente: “Demostenes Torres conseguiu enganar todo mundo. É um quase ator. Demonstrou qualidade na interpretação de paladino da Justiça.” Tem muito colega de Senado que da estupefação passou para a indignação.

@ O município de Biguaçu recebeu R$ 39 milhões para o saneamento básico. O prefeito Castelo Deschamps ia municipalizar os serviços. Negociou com a Casan uma espécie de “multa” por não ter realizado esse trabalho e aplicou no Hospital da cidade, que já está com 90% das obras concluídas.

@ No final do mês, os tucanos que disputarão cargos eletivos em outubro, vão se reunir em Palhoça num evento do Instituto Teotônio Vieira. Participarão de palestras motivacionais e orientações jurídicas e de marketing. Preparação para a batalha que começa oficialmente em julho.

@ “Passarinho na muda”. Um dos grandes “tuiteiros” da Assembleia era o deputado Kennedy Nunes. Silenciou. Perguntado a razão, foi objetivo: “Estava sendo monitorado pelo inimigo…” Ou seja, abandonou o twitter nesse período de intensas negociações visando as eleições de Joinville.

Desabafo

“Conversa truncada. Difícil. Nada de flexibilização como prometido pelo Ministério da Fazenda. E a compensação de R$ 3 bilhões significa empréstimo, para daqui uns dois, três anos. Impacto negativo que desestimula qualquer tipo de investimento. O quadro nesse momento é totalmente adverso”, prosseguiu na reclamação o governador Raimundo Colombo diante da aprovação do ICMS dos portos que atinge em cheio os cofres do Estado. Considerou uma medida equivocada, mas apesar do desanimo, começa a buscar alternativas caseiras inicialmente para manter as empresas em Santa Catarina, pois a tendência é de debandada.

E a Vida Segue

A aprovação da unificação do ICMS e a falta de flexibilização do Ministério da Fazenda, prejudicando o Estado, transformaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em “Inimigo número 1” de Santa Catarina.