Paulo Alceu

Análises qualificadas e comentários assertivos acerca dos assuntos mais relevantes para os catarinenses.


Greve esvaziada

E a greve se perdeu na imposição e falta de apoio. Educação passa sim por salários dignos, mas há outras necessidades em pauta

Greve

Não se trata de uma queda de braço entre governo e magistério para ver quem está vencendo essa batalha da paralisação. Não há vencedores nesse embate. Na verdade há derrotados, a partir do momento em que o clima não é de normalidade, apesar de ínfimo no contexto do protesto. A divulgação de índices tanto de um lado como do outro, na tentativa de visualizar a greve não reflete o verdadeiro quadro da educação. A cobrança que está sendo feita concentrada no piso, exigência legal, não alcança reivindicações muito mais amplas e emergências, que ficaram na prateleira. E a greve se perdeu na imposição e falta de apoio. Educação passa sim por salários dignos, mas há outras necessidades em pauta. O momento não é de greve, mas de uma ampla reflexão e cobrança, trazendo a sociedade para o debate e revendo tudo que está aí. E exigindo do governo a sua parcela de responsabilidade. A greve não foi em defesa da educação. Se perdeu…

Contraponto: “O PT já decolou” 

“E faz tempo”, rebateu o presidente da sigla, José Fritsch, contestado nota da coluna. Houve um crescimento, segundo Fritsch, de 2004 a 2008, de 45,8%%, sendo que na última década o PT elegeu 35 prefeitos e prefeitas dobrando o número na região Oeste. Atualmente conta com vereadores em 145 municípios, num total de 237. Além disso, em 25 municípios contam com o vice-prefeito. Na Assembleia com sete deputados é a terceira maior bancada, tendo na Câmara três representantes. Ou seja, segundo o presidente da sigla, a ação do PT está em sintonia com o governo federal, com o desenvolvimento e a inclusão. E sobre a autofagia, Fritsch considerou desejo dos inimigos e não a prática comum de um partido vencedor que “já decolou faz tempo, respeitando as divergências internas, mas sempre atento e unido nas turbulências.” Para completar, o presidente dos petistas catarinenses destacou que mesmo expressando a diferença acolhedora do direito ao contraditório, o partido é um uníssono quando vem em defesa da sigla e das políticas públicas que, reforçou Fritsch, diferenciam das elites dominantes.

Luiz Mendes/Editoria de Arte/ND

Ponto facultativo

E não é que tem mais um feriado pela frente, terça-feira que vem dia 1º de maio. E certamente a segunda-feira será marcada como ponto facultativo, transformando um dia de feriado num grande feriadão, mas os privilegiados serão os servidores públicos, incluindo ai comissionados e terceirizados. Festa. Existe uma razão para isso? Nenhuma. Conversando ontem com o meu colega Damião, durante o comentário que faço na Rádio Record, às 10h40, ele destacou que o prefeito de Tijucas havia comunicado que segunda-feira é dia normal de trabalho. Ou seja, o município não vai adotar o tal de ponto facultativo. Correto. Feriado é terça e não segunda-feira. Lembro que critiquei está benesse movida por dinheiro público no feriadão passado e quase fui “atropelado” pelos irritados de plantão. Mas teve uma crítica que considerei procedente. O leitor disse que era para eu reclamar dos governantes. Os servidores acatam o que ficou decidido e claro se beneficiam. Só que a decisão parte do prefeito, governador…ou seja, cabe a eles acabar com esse privilégio desproporcional e inclusive debochado.

Reconhecimento

Embora pequena, com 22 mil habitantes, Forquilhinha, que festejou o centenário de colonização, é a maior produtora de arroz do Sul do Brasil. Durante as festividades o senador Casildo Maldaner recebeu o título de cidadão do município. Foi ele que, quando governador em 1989, sancionou a lei de emancipação da cidade, berço de personalidades como dom Paulo Evaristo Arns e Zilda Arns.. “A história de Forquilhinha é a de Santa Catarina: a busca pelo trabalho, pelo crescimento e pela justiça social”, destacou Maldaner.

Tuitando

@ “A bancada lhe dá total apoio”, expressou o líder da bancada do PSDB, Dado Cherem, ao pré-candidato a Prefeitura de Joinville, Marco Tebaldi. Os deputados tucanos estiveram ontem em Joinville para hipotecar apoio a Tebaldi.

@ Segundo avaliações do vereador Maurício Peixer, que participou ontem do almoço da bancada estadual com Tebaldi, a decisão de concorrer por ser um “puxador de votos” elegerá de 5 a 6 vereadores.

@ “Sereria” uma reclamação? Tucanos destacaram que Marco Tebaldi quando secretário da Educação atendia os deputados a qualquer hora, sendo sempre prestativo e atencioso. Mudou o tratamento com o PSDB?

@ Lideranças do PSD ficaram entusiasmadas com o encontro do partido, em Florianópolis, que reuniu pré-candidatos na preparação para as eleições de outubro. Eram esperadas 300 pessoas, mas o número de presentes ultrapassou os 450.

@ As negociações com os professores encerraram por causa da greve. Mas há um ponto ainda a ser discutido a progressão da tabela para que os professores em fim de carreira, mas com tempo de serviço. Como seria essa mudança de referência?

Lei não vale nada

O deputado Gilmar Knaesel torce para que os R$ 300 milhões disponibilizados para a revitalização, pavimentação e restauração de rodovias no Estado, incluídos no programa Caminhos do Desenvolvimento, também se destinem ao que prevê o projeto de lei, de sua autoria, ciclovias, equipamentos de segurança para pedestres e motoristas, além da construção de contornos e acessos às cidades. Ou seja, essa lei aprovada em 1998 determina a obrigatoriedade desses requisitos. Caso contrário o governo e o DER não podem publicar as licitações. Pergunta se cumprem? Claro que não. Tanto que o parlamentar do PSDB reclamou: “Esta lei é de extrema importância, mas não é respeitada pelo Executivo. Faço esta manifestação para que nós, do Legislativo, possamos exigir a execução das leis aprovadas”.

Punição?

Por exemplo, magistrados, servidores, políticos que não conseguirem comprovar a origem de valores e bens enfrentarão um Código Penal mais rígido. Pelo menos os juristas que compõem a comissão que está elaborando o anteprojeto do Código aprovou a criminalização do enriquecimento ilícito. E tem um detalhe, as riquezas atribuídas a terceiros, as penas serão bem maiores. Até final de maio o anteprojeto estará pronto para ser votado no plenário do Senado. Ainda sobre o enriquecimento ilícito é comum observar determinados indicados a cargos em governo saírem com um patrimônio visivelmente incompatível com o salário que recebem. São primorosos nos negócios e principalmente na impunidade. E não precisa ir muito longe para encontrar esses integrantes de seletos grupos de beneficiados do poder. A dúvida é a aplicação da pena…será?

E a Vida Segue

Os marqueteiros terão uma participação fundamental nas eleições de outubro. Ou seja, serão peças importantes na engrenagem das urnas. Em muitos casos terão que inventar prefeitos. Por isso valores cobrados extrapolam a razão…