Hino catarinense começa a ser discutido na Assembleia Legislativa

Comissão de notáveis vai analisar se modifica ou mantém esse símbolo do Estado

Divulgação/ND

Deputado Gilmar Knaesel (com papéis nas mãos) e os notáveis

A modificação ou manutenção da letra do hino de Santa Catarina começa a ser discutida para valer a partir de hoje, quando um grupo de oito notáveis indicados para o trabalho encontra-se às 10h no plenarinho da Assembleia Legislativa para a primeira reunião de trabalho. A proposta de mudar ou manter o hino é do deputado Gilmar Knaesel (PSDB), que em 2010 apresentou projeto de lei ,aprovado em 2011 e, convertido em decreto legislativo.
O deputado diz que se a comissão decidir pela permanência do atual hino, serão adotados meios para torná-lo mais popular e, se a opção for pela mudança, haverá concurso público para a escolha da música e letra do novo hino catarinense. Knaesel exaltou o currículo de reconhecido conhecimento em música e letras dos oito membros que farão parte da comissão e justificou a importância da participação da Assembleia neste debate.
“O hino é um símbolo do Estado, e não queremos que Santa Catarina fique muda diante de um símbolo que deve ser exaltado, cantado e respeitado por todos os catarinenses. Essa discussão vai entrar para a história de Santa Catarina”, prevê.
O músico Luiz Meira foi eleito presidente da Comissão. Uma agenda semanal foi definida para a discussão dos temas referentes ao assunto. As reuniões acontecerão todas as segundas-feiras. A comissão tem 90 dias para decidir se o hino será mantido ou se letra e ou a música serão alterados.

Letra seria de difícil memorização

Na interpretação do deputado Gilmar Knaesel, a letra do hino é de difícil memorização: “Não estamos propondo simplesmente a alteração do hino, mas querendo provocar uma discussão que há muito circula entre vários setores da sociedade. E a discussão essencial é: o nosso hino nos representa? Cabe perguntarmos: qual é a verdadeira função de um hino? Qual o motivo da existência de um hino?’
Para o deputado, o hino, na forma de hoje, pode ser atribuído a qualquer Estado do Brasil porque não particulariza, não cita um só traço da cultura catarinense. Ele não considera um aspecto das múltiplas raízes culturais. “Ele não revela um aspecto geográfico, político ou cultural de nosso Estado. Basta olharmos para o hino dos Estados vizinhos que perceberemos a diferença”, justifica.
“O hino de Santa Catarina, não tem um indício, uma característica, uma menção que nos remeta a nosso próprio Estado. Fala da abolição da escravatura. Mas, ainda que aqui tenhamos tido escravos, estamos longe de sermos um Estado que tenha como característica principal à luta pelo abolicionismo”, complementa.
 O projeto original falava da realização de um plebiscito. O plebiscito não passou porque custo para o Estado seria muito elevado.

Os notáveis que fazem parte da comissão:
 Artemio Zanon: representante da Academia Catarinense de Letras; jurista e escritor com cerca de 40 obras publicadas.
 Valberto Dirksen: representante do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.
 Ivan Schmidt Filho: gerente de projetos da Fundação Catarinense de Cultura; graduado em música pela Udesc. 30 anos de serviço (26 anos na FCC); músico e compositor, coordenador Femic (Festival da Música e da Integração Catarinense)
 Alberto Andrés Heller*: compositor de música erudita da Camerata.
 Edina de Marco: representante da Secretaria de Estado do Turismo, Cultura e Esporte; formada em artes pela Udesc, mestrado Educação e Cultura; e doutoramento em artes. Indicado pela Secretaria. 
 Luiz Meira*: músico e presidente da comissão.
 Jeferson Della Rocca*: músico  e maestro da Camerata de Florianópolis.

* Indicados pela Assembleia Legislativa.
 Jairo Alvim Barbosa: representante do Conselho Estadual de Cultura.

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