Indicada de Borba atua na Casa Civil, é conselheira da SCPar e tem irmão em porto

Giglione Edite Zanela Maia, que foi advogada de Douglas Borba, é atualmente assessora de gabinete na Casa Civil; está no Conselho Fiscal da SCPar e tem irmão recentemente nomeado no Porto de Imbituba

Mais uma vez, indicações políticas e o uso de poder para colocar amigos em ótimos cargos do governo podem ser alvo de questionamentos. Desta vez, a reportagem recebeu a denúncia de que o irmão da advogada de Douglas Borba, ex-secretário da Casa Civil, foi indicado para uma vaga na SCPar Porto de Imbituba.

José Roberto Zanela é irmão de Giglione Edite Zanela Maia, advogada que já defendeu Borba em um processo em 2018. Logo na segunda semana do governo Moisés, Giglione foi  nomeada pelo então secretário da Casa Civil, Douglas Borba, para o cargo de Consultora Jurídica da Casa Civil com salário bruto de mais de R$ 10 mil.

Além disso, Giglione faz parte do Conselho Fiscal da SCPar Holding, recebendo mais R$ 2.642,46, como mostram os comprovantes abaixo.

Com a saída de Douglas Borba da Casa Civil – que chegou a ser preso pela Operação Oxigênio, mas conseguiu a soltura nesta terça-feira (7) – Giglione deixou o cargo de Consultora Jurídica, mas permanece na Casa Civil, hoje na cadeira de assessora de gabinete com salário de pouco mais de R$ 6,3 mil, e também continua como conselheira da SCPar.

E, mais recentemente, José Roberto Zanela – irmão de Giglione – foi nomeado para o cargo de coordenador de serviços de dragagem no lugar de Cassio Luiz de Souza, que tinha 32 anos de serviços prestados ao porto. Cassio foi exonerado no dia 17 de abril deste ano, mesmo dia de nomeação de Zanela.

Formado em Administração e Logística, José Roberto Zanela apresentou como experiência em seu currículo trabalhos em transportadoras tendo como principais atividades supervisão de colaboradores; controle e supervisão dos veículos; contratação de serviços; conferência e acompanhamento de medições; supervisão da manutenção de veículos e equipamentos.

Em outra empresa de construções e transportes, Zanela atuou na leitura e execução de projetos; acompanhamento e medição de obras; controle de equipamentos; e contratação de serviços. Já em uma de topografia e construções, teve como atribuições controle de contas a pagar e receber; preenchimento de relatórios financeiros; controle da logística da empresas e laboração e conferência de medições.

Entretanto, conforme a ata de reunião do Conselho de Administração da SCPar Porto de maio 2015, que aprovou a criação do cargo de coordenação dos serviços de dragagem, as atribuições são bem diferentes do que Zanela exercia.

Para o cargo, segundo o próprio conselho do porto aprovou, é preciso ter conhecimento de monitoramento da praia para evitar desmoronamentos –  essencial para que o porto garanta a profundidade e calado dos berços e canais bacia de evolução; coordenar e supervisionar atividades de leitura do marégrafo e de monitoramento das condições de tempo, sempre com vistas à manutenção de profundidade e calado.

Demissão após 32 anos de porto

Cassio Luiz de Souza trabalhava como coordenador de serviços de dragagem desde 2012- Foto: arquivo pessoal/Divulgação ND

“O presidente me chamou e disse que teria de me demitir para colocar outra pessoa. Aí perguntei quem seria, se tinha experiência, e o presidente falou que estava montando sua equipe e tinha o direito de colocar pessoas de sua confiança”, afirmou Cassio.

Ele trabalhava há 32 no Porto de Imbituba e em 2012 passou de fiscal de dragagem para coordenador de serviços de dragagem.

“Colocaram uma pessoa que não entende nada de dragagem. Como uma pessoa que trabalhou com transporte vai saber lidar com o mar?”, questiona o ex-funcionário.

O que dizem

 SCPar Porto de Imbituba

Procurada, a SCPar Porto de Imbituba respondeu, por meio da assessoria, que o servidor exonerado exercia, apenas, o serviço de acompanhamento de dragagem e manutenção do marégrafo do porto, sendo substituído por José Roberto que, além de assumir o mesmo serviço, foram-lhe atribuídas novas funções, supervisão dos serviços de manutenção viária e de sinalização vertical e horizontal, serviços estes que já faziam parte curricular da experiência profissional de Roberto. “Por fim, otimizamos o serviço bifocal para quatro funções ao mesmo servidor, trazendo mais resposta e qualificação para as atividades do dia a dia.”

Giglione Edite Zanela Maia

Destacou que foi advogada do ex-chefe da Casa Civil, Douglas Borba, em apenas um caso, em 2018, antes das eleições estaduais. Hoje, não atua mais no caso. Salientou que entrou e permanece no governo por critérios absolutamente técnicos, já que é professora de direito administrativo e constitucional, inclusive com mestrado em gestão de políticas públicas.

Colocou, ainda, que desde 2019 ocupa a função de Conselheira Fiscal da SC-Parcerias S/A, também por indicação técnica. “A SC-Parcerias S/A e a SCPar Porto de Imbituba S.A são pessoas jurídicas distintas e com conselhos fiscais distintos. Portanto, minhas atividades como conselheira não se relacionam ou conflitam com a administração/atividades/despesas da SCPar Porto de Imbituba S.A.”

Quanto ao irmão no Porto de Imbituba, Giglione ressaltou que a indicação partiu do próprio porto de Imbituba. “Não há qualquer ilegalidade ou imoralidade nos fatos, uma vez que não sou autoridade nomeante, bem como minhas atividades na Casa Civil ou no Conselho Fiscal da SC-Parcerias S/A em nada interferem ou conflitam com a administração da SCPar Porto de Imbituba S.A.”, finalizou.

Outros indicados por Borba

Além de Giglione Edite Zanela Maia, o ex-secretário da Casa Civil Douglas Borba indicou 23 pessoas a cargos comissionados em várias áreas da administração, segundo  levantamento do nd+.

Os indicados ocupam cargos na Fundação Catarinense de Cultura, Junta Comercial do Estado, Instituto de Previdência do Estado e Secretaria da Educação, além da Casa Civil.  Das 23 indicações, 12 são servidores efetivos e 11 exclusivamente cargos em comissão.

Para os efetivos, que prestaram concurso público, o cargo comissionado representa uma gratificação pelo acréscimo de responsabilidade repassado por quem indicou ao cargo comissionado.

Já nos casos dos que atuam exclusivamente como comissionados, são pessoas que trabalhavam na iniciativa privada, fora do Governo e foram chamadas pelo ex-secretário Borba para integrar a equipe. A maioria desses nomes, que são exclusivamente comissionados, tem ligação com a cidade de Biguaçu, cidade onde Borba morava, tinha escritório de advocacia e exerceu o mandato de vereador entre os anos de 2013 e 2016.

Apesar da exoneração e prisão de Borba, quase todos os indicados por ele permanecem nos cargos comissionados. As despesas com os 11 comissionados que não são efetivos representaram R$ 58,6 mil reais aos cofres públicos no mês de maio. O impacto financeiro dos 23 comissionados indicados por Borba, incluindo os efetivos, representa R$ 163,7 mil reais mensais.

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