Altair Magagnin

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Luiz Felipe Ferreira: “Catarinense pode esperar melhor resultado na condução do Estado”

Coordenador da transição e futuro secretário se tornou porta-voz informal do governo Carlos Moisés

Coordenador da equipe de transição e futuro secretário da Controladoria-Geral do Estado, o professor doutor Luiz Felipe Ferreira tornou-se uma espécie de porta-voz do governo Carlos Moisés (PSL) até aqui. No anúncio da reforma administrativa, por exemplo, foi ele quem respondeu às perguntas depois que Moisés fez um pronunciamento e pediu licença para sair. Em entrevista à coluna, cuja íntegra está no ND Online, Ferreira traça um panorama que ajuda a projetar o governo que está por vir. 

Luiz Felipe Ferreira - Marco Santiago/ND
Luiz Felipe Ferreira – Marco Santiago/ND

A CGE é uma estrutura inédita, como vai funcionar?

Embora tenhamos a Diag [Diretoria de Auditoria Geral] que faz esse papel, a Controladoria representa maior autonomia. A principal mudança é ter um órgão independente, que passa a validar as próprias contas do governo. 

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Qual é o principal problema diagnosticado durante a transição?

Falta planejamento na execução das atividades. Em muitas situações, sai executando e depois entra o planejamento, o que impacta em termos de prazo e de resultado. Se tiver um efetivo planejamento antes da execução, terá um melhor resultado.

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Um secretariado mais técnico ajudará a corrigir?

Não quer dizer que um cargo político não tenha capacidade técnica. O que se vê é que muitas das ações, incialmente, tinham um norte político e, depois, uma visão técnica. Nós temos que inverter essa ordem e atender à necessidade do produto final a ser entregue ao cidadão. A melhor forma de fazer isso é gestão, independentemente do cargo que está ali, se é um técnico ou um político. Na visão do Moisés, o técnico tem muito mais a contribuir. 

Não é temerário optar apenas por técnicos em uma administração pública?

Tem que ter a flexibilidade de um político, mas privilegiar a abordagem técnica. É preciso o viés político no trato da questão pública, mas não com aquele perfil ideológico partidário da política em si, mas ter a habilidade política de gerenciamento da máquina do Estado. 

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Das situações analisadas, há indícios de corrupção?

Não. Todas as questões apontadas são de gestão. Seja por descumprimento do contrato ou por alguma particularidade administrativa. Neste momento, a nossa análise é por amostragem, e não identifica que algum problema seja relacionado com corrupção. 

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Três dos secretários indicados são réus. Futuro chefe da CGE, como o senhor avalia essa questão?

Não cabe à minha pessoa, eu desconheço os processos. No momento, não tem nada formalizado dentro da estrutura do Estado para que eu possa fazer algum comentário. No momento em que houver uma demanda dentro da pasta, aí será resolvido. 

Como a CGE ajudará no combate à corrupção?

A Controladoria visa o assessoramento na gestão do recurso público, por meio da Auditoria, da abertura com a sociedade, que seria a Ouvidoria e a Lei de Acesso à Informação, e a Corregedoria, se houver a necessidade de análise mais profunda. O objetivo primordial é a garantia da gestão do recurso público, por consequência, pode ter uma ação mais efetiva de combate à corrupção. 

O senhor sempre negou interesse em participar do governo, como foi aceitar o convite?

Eu entrei desde o primeiro dia da transição, que requer foco no resultado final. Com outros desejos, pode perder o foco. Quando você passa a construir um trabalho e ter a confiança [do governador] é lógico que algum convite [feito em 14/12] pode surgir. Pela minha área de afinidade, essa pasta realmente tem um compromisso forte na área do controle e contábil, claro que me agradou a possibilidade quando se aventou o convite. Como acabei participando do todo, muito embora em um pequeno período de tempo, vejo que tenho muito a contribuir. 

Há 16 anos, o hoje secretário Paulo Eli ajudou a desenhar a estrutura administrativa que conhecemos. Como o senhor se sente tendo coordenado a mais importante revisão desde então?

A pressão não aliviou para que eu pudesse pensar sobre esse resultado. Você vê que é algo relevante, que a sociedade espera por uma grande mudança. Esse momento, de transição, não termina aqui. A partir do dia 2 começa outra etapa. 

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Como será essa “nova” transição?

É o novo modelo de trabalhar o Estado. Estamos dando outra formatação de gestão, mais técnica. Existe a necessidade de uma mudança na cultura organizacional. Tivemos a transição do governo e agora a transição da forma de gerenciar a máquina pública, que tem maior envolvimento do servidor. 

Houve interferência ideológica vinculada ao PSL na transição?

Moisés deu uma liberdade muito grande, deu o norte e a equipe de transição trabalhou muito leve, sem pressão. A pressão foi por resultado.

Carlos Moisés e Luiz Felipe Ferreira - Marco Santiago/ND
Carlos Moisés e Luiz Felipe Ferreira – Marco Santiago/ND

O governador foi lançado candidato no limite do prazo, não foi protagonista na campanha, e agora se blinda, sem conceder entrevistas. Carlos Moisés está preparado para governar Santa Catarina?

Muito preparado. Tem conhecimento da estrutura do Estado e tem acompanhado todo o processo de transição. Vem mostrando uma questão política muito forte, dentro e fora da estrutura do governo, e também uma habilidade técnica muito forte. O viés político que ele demonstrou na urna. A forma como tem trabalhado o conjunto das ações demonstra a capacidade, tanto dele quanto da vice-governadora [Daniela Reinehr], em relação ao que vem pela frente. 

O que o cidadão pode esperar do novo governo?

Teremos um novo olhar sobre os serviços entregues pelo Estado. O compromisso com a mudança, de fato, é muito forte. O catarinense pode esperar um melhor resultado na condução do Estado.

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