Luiz Henrique e a batalha pela ética

Político catarinense, que completaria 76 anos ontem, enfrentou uma eleição contra o grupo apontado pela suposto envolvimento em muitos casos de corrupção e faz falta no Congresso

Há pouco mais de um ano, o senador Luiz Henrique (PMDB) esteve em sua última disputa política, concorreu à presidência do Senado e do Congresso Nacional contra todas as forças que alimentam a crise política, que persiste. O catarinense, que seguia os passos de Nereu Ramos, era a alternativa ética. Essa era a real batalha que se travava em plenário, mas repleta de contornos muitos mais fortes fora dele, em uma já ensaiada linha de confronto entre o Legislativo e o Palácio do Planalto, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contra uma presidente Dilma Rousseff sob ataque.

Com todas as imperfeições humanas que possuía, Luiz Henrique era reconhecido por sua capacidade de articulação política, um construtor de alianças e composições, dotes mais do que necessários para enfrentar o quadro que só piorou de lá até hoje. Nesta quinta-feira, o ex-prefeito de Joinville, o senador e o primeiro governador reeleito do Estado faria 76 anos, e mereceu os aplausos de companheiros de partido e de gente que conviveu com ele, na trincheira ou nas coligações ocasionais.

Faz falta o perfil do homem do MDB, como o ex-presidente nacional do PMDB e fiel escudeiro de Ulysses Guimarães ainda preferia chamar seu partido. E não foi possível esquecer a reação dele, em entrevista no SC no Ar, da RIC TV Record, ao vivo de Brasília, no dia 2 de fevereiro, às 7h42min, quando perguntado, após a derrota no Senado, se as denúncias de corrupção e os desmandos na República persistiriam, e ele foi taxativo: “Sim, com este tipo de gente que está no comando”. Luiz Henrique não foi canonizado, há pouca chance a de se ver políticos nesta condição, porém sua capacidade de antecipar, o dom de visionário e de conciliador, ajudaria a resolver melhor este emaranhado cenário de indefinições do país.

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A comissão organizadora das comemorações dos 50 anos do PMDB: reunião no dia do aniversário de Luiz Henrique 

COINCIDÊNCIA DE PROPÓSITOS

Um dos homenageados nas comemorações dos 50 anos de fundação do PMDB, Luiz Henrique foi lembrado ontem na reunião da comissão que organiza as festividades, liderada pelo presidente de honra da sigla, o ex-governador e ex-senador Casildo Maldaner. A proposta será homenagear os históricos peemedebistas em uma sessão solene, embora não se possa negar que a ausência de Luiz Henrique uniu o partido como nunca. Da esquerda para a direita, o ex-secretário Milton Martini, o secretário executivo do PMDB Beto Ferreira, Luciano Veloso Lima, Ari Vequi, Casildo Maldaner e Valdir Cobalchini.

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Os advogados Cesar Souza Júnior, prefeito de Florianópolis, Gabriel Ribeiro, deputado estadual, na posse de Paulo Brincas, na presidência da OAB catarinense, que conversa com o governador Raimundo Colombo

NOVO POSICIONAMENTO

O discurso forte com que iniciou sua gestão à frente da OAB catarinense, indica que Paulo Brincas está alinhado com o presidente da nacional da entidade, Cláudio Lamachia, que prega a convocação da “advocacia brasileira e da OAB nacional para retomarmos a tradução brasileira de conciliação nacional em benefício do nosso futuro”, uma manifesta mudança no comportamento da Ordem, criticada pelo afastamento dos problemas políticos do país. Para Brincas, “é hora de passar o Brasil a limpo”, ao demonstrar indignação com a corrupção institucionalizada e o colapso da economia, enquanto defende o apoio integral da Ordem à Operação Lava Jato. Na foto, Brincas entre pessedistas: da esquerda para a direita, o prefeito da Capital Cesar Souza Júnior e o deputado estadual Gabriel Ribeiro, ambos advogados, Brincas e o governador Raimundo Colombo.

“O objetivo é incentivar a agricultura familiar, o turismo rural e tirar da informalidade muitos daqueles que vivem e trabalham no campo.”

Antonio Gavazzoni, secretário da Fazenda, sobre o projeto do governo enviado à Assembleia que isenta os pequenos agricultores e produtores de pagamento de ICMS, cera de 180 m il, desde que atendam a uma lista de exigências, que passam pelo faturamento e o tamanho da propriedade. 

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Na visita à cúpula do PSB nacional, da esquerda para a direita: o governador de Pernambuco Paulo Câmara, o presidente Carlos Siqueira, o vereador Abraão Mussi e o deputado Patrício Destro

DIRETO DE BRASÍLIA

O gesto do deputado Patrício Destro em ir a Brasília se encontrar com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, não é só para oficializar a transferência do vereador Abrãao Mussi do PT para a sigla, também é uma maneira de deixar claro que não deixará o partido apesar de inúmeros convites. Destro fez uma atualização sobre o crescimento do partido no Estado, comandando por Paulo Bornhausen. 

A dúvida

Um dos primeiros a levantar a questão de alargamento da Via Expressa, o acesso a São José e Florianópolis pela BR-282, nem o deputado estadual Gean Loureiro (PMDB) acredita nas promessas de abertura de licitação da obra em 10 dias. Também está cético sobre o valor da obra, os ditos R$ 50 milhões, o que o fez traçar uma outra estratégia: um convite para o diretor-geral do DNIT Valter Casemiro Silveira explicar, à Frente Parlamentar de Mobilidade Urbana da Assembleia, detalhes do cronograma da obra.

Vergonha

O episódio patrocinado em Palhoça pelos vereadores locais, que aumentaram o próprio salário e compraram uma briga com o prefeito Camilo Martins (PSD), que congelou o próprio salário, do vice e dos secretários, caracteriza-se com mais uma falta de discernimento do momento que o país vive. Quando se retira o véu do bate-boca local e das hipocrisias relatadas sobre o assunto, elemento explosivo em ano de eleição, vê-se que a classe política de um dos maiores colégios eleitorais do Estado, volta e meia envolvida em um escândalo, não está nem aí para a população, que juram honrar, querem é se dar bem. Lamentável.  

* Ministros André Figueiredo (Comunicações) e Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência) confirmaram presença no primeiro Seminário nacional Comunicação e Mídia Regional, promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Mídia Regional, presidida pelo deputado federal Pedro Uczai (PT), na próxima quarta-feira, em Brasília.

* Sintomático o não comparecimento do delegado federal Allan Dias, pela terceira vez, na CPI dos Radares da Câmara da Capital, prova de que a Operação Ave de Rapina ficou mais enfraquecida quando o responsável pela investigação, feita pela PF, foi transferido para o Rio Grande do Norte.  

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