Marido de sobrinha diz que agressor de Bolsonaro tinha comportamento estranho

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Casado com uma sobrinha do autor do ataque a Jair Bolsonaro, o pedreiro Eraldo Fábio Rodrigues de Oliveira, de 45 anos, diz que Adelio Bispo de Oliveira tinha comportamento estranho e, quando visitava Montes Claros, sua cidade de origem, costumava se trancar num dos barracões da família, no bairro Maracanã, de classe baixa. 

“Fechava porta e janela, sei lá para quê, e ficava lá dentro queimando ‘caloria’. Não posso dizer se era maluco, mas, pelas atitudes que tomava, não era normal, não. Deve ter algum distúrbio. Ficava ali o dia todo”, conta.

O pedreiro diz que Bispo saiu de Montes Claros jovem, aos 17 anos, e que só aparecia esporadicamente na cidade. Era de falar pouco, tanto que ele se surpreendeu quando soube da militância política do algoz de Bolsonaro, ex-filiado ao PSOL por sete anos.

O pedreiro conta que, numa das passagens por Montes Claros, em 2013, Bispo arrombou o barracão de sua sogra, que estava fechado e é colado ao que vive, e passou mais de um mês no local. 

Os dois se desentenderam, segundo ele, porque Bispo se recusou a pagar a conta de luz. O episódio rendeu uma ocorrência na Polícia Militar. 

“Saímos no braço aqui fora. Quebrei o dedo dele. Veio a polícia e nós fomos para a delegacia.”

Oliveira é companheiro de Jussara Matos, primeira parente de Bispo a dar entrevistas sobre ele, ainda na quinta. 

O casal soube do ataque a Bolsonaro pela TV, na tarde em que ocorreu o atentado. “Falei com a minha mulher: acho que é seu tio. Saí e, quando voltei, ela já danou a chorar”, relata Oliveira.

Na mesma tarde, a Polícia Militar de Minas esteve na casa do casal em busca de eventuais objetos de Bispo. “Ficaram sabendo que ele deixou uma mala na casa do irmão. Falaram que a Polícia Federal viria também”.

Jussara e Oliveira têm dois filhos, um de 11 e outro de 16 anos. Estão com medo de retaliações de apoiadores do candidato à Presidência. 

“As pessoas estão nos ameaçando nas redes sociais”, contou ela à reportagem nesta sexta.

O filho de 11 anos participa de um projeto social do Exército e desfilaria na parada de 7 de Setembro em Montes Claros, mas a mãe não deixou.

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