Militares protestam durante visita do governador Carlos Moisés a Chapecó

Ato ocorreu durante a solenidade de inauguração da nova sede do Corpo de Bombeiros Militar, na tarde desta sexta-feira (21)

Praças policiais e bombeiros militares realizaram uma manifestação durante a solenidade de inauguração da nova sede do 6º Batalhão de Bombeiros Militar, realizada na tarde desta sexta-feira (21), em Chapecó, no Oeste. O ato ocorreu na avenida Getúlio Vargas, no bairro Líder.

Manifestação ocorreu ao lado da solenidade de entrega do novo batalhão – Foto: Willian Ricardo/ND

A solenidade contou com a presença do governador Carlos Moisés (PSL), o que motivou a manifestação da Aprasc (Associação dos Praças de Santa Catarina), com objetivo de chamar a atenção do chefe de Estado.

O ato, realizado ao lado do palco do evento, reuniu aproximadamente 400 policiais e bombeiros.

Os manifestantes usaram faixas, apitos e um carro de som para chamar a atenção do governador. Moisés, que é bombeiro militar aposentado, foi vaiado durante o protocolo e também em seu discurso, que durou cerca de cinco minutos. Além disso, também foi chamado de ‘traíra’.

Antes da solenidade, o governador se reuniu com representantes do movimento, na sede da Polícia Militar. A reunião durou cerca de 10 minutos e o teor da conversa não foi divulgado.

“O governador nos chamou para a reunião. Ele nos ouviu e colocou as questões que estão afetando o Estado. Durante a manhã, recebemos uma proposta e vamos, durante a semana, analisá-la, mas isso será decidido em assembleia”, disse o vice-presidente da Aprasc, Nilton César Facenda.

A reunião está marcado para a próxima quinta-feira (27), em Florianópolis.

Ato reuniu cerca de 400 pessoas – Foto: Willian Ricardo/ND

Segundo o vice-presidente, esta foi a primeira vez que o governador conversou com a categoria.

“Essa negociação vem se arrastando por vários meses, tivemos muitas reuniões, em que o governo chegou a cancelar reuniões. Foi a primeira vez que ele se colocou para ouvir a nossa classe. Há muito tempo estávamos querendo conversar com ele e colocar o nosso pleito de propostas”, ressaltou Facenda.

Moisés participou do corte da faixa de inauguração e deixou o evento sem falar com a imprensa, pela porta dos fundos do quartel dos bombeiros.

Reivindicação

A categoria reivindica a incorporação do Iresa, que é uma indenização para quem está na ativa, a reposição inflacionária e a equalização na alíquota da proteção social dos praças.

Há seis anos sem reposição, os militares anunciam 37% de perdas inflacionárias e 40% no poder aquisitivo dos servidores. A Aprasc diz representar 14 mil militares catarinenses.

Segurando um manequim sem pernas e braços, e usando um nariz de palhaço, o soldado Felix de Oliveira também participou da manifestação. Segundo ele, o boneco representa a atual situação dos policiais militares.

“É uma ilustração de como se encontra hoje o policial militar de Santa Catarina. Ele está em situação precária, com o salário defasado, doente e com coletes vencidos, pois precisamos fazer revezamento para usar. Enquanto isso, investem em câmeras. Elas não salvam a vida de um policial, enquanto o colete balístico, sim”, finalizou Felix.

Felix participou da manifestação – Foto: Willian Ricardo/ND

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