Em Florianópolis, Mourão aponta desafios do governo Bolsonaro

Vice-presidente da República foi o primeiro convidado do projeto Momento Brasil, promovido nesta sexta-feira (19) pela Acaert na sede da Fiesc

Vice-presidente da República falou durante uma hora para empresários e lideranças políticas. Foto: Flavio Tin/NDVice-presidente da República falou durante uma hora para empresários e lideranças políticas. Foto: Flavio Tin/ND

Estabelecer a confiança da população nas instituições e retirar o Brasil do período de crise social e econômica. Esses são os principais desafios do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), de acordo com o vice-presidente do Brasil, Antônio Hamilton Martins Mourão, que ministrou palestra no projeto “Momento Brasil”. Promovida pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) na sede da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), a palestra foi a primeira de uma série de encontros que pretende dialogar com grandes personalidades da política nacional.

O evento foi aberto pelo presidente da Acaert, Marcello Correa Petrelli, que saudou o cenário de mudanças necessárias para o Brasil voltar a crescer. O governador Carlos Moisés também foi convidado a se pronunciar e aproveitou para destacar a necessidade de um novo pacto federativo para que Estados e municípios possam ter um retorno maior dos impostos arrecadados.

A palestra do vice-presidente da República teve início às 12h20min. Antes de falar sobre a situação do Brasil, Hamilton Mourão contextualizou a atual situação geopolítica mundial. “Não existem mais mares tranquilos. Vivemos um mundo da competitividade, da rápida inovação tecnológica. A cada dia aquilo que parecia novo, já ficou ultrapassado”, lembrou.

Palestra de Hamilton Mourão foi prestigiada na Fiesc. Foto: Flavio Tin/NDPalestra de Hamilton Mourão foi prestigiada na Fiesc. Foto: Flavio Tin/ND

Para ressaltar o papel do Brasil no contexto global, Mourão falou sobre o crescimento da China como potência mundial, ao lado dos Estados Unidos, as guerras tribais no continente africano, a ebulição no Oriente Médio e o avanço no islamismo na Europa. “As grandes civilizações estão acima da linha do Equador. Abaixo dela, ninguém mais se destaca. Nosso destino manifesto é exatamente esse: sermos a grande civilização ao sul da linha do Equador”, afirmou.

Para isso, Mourão defende a democracia liberal, sistema que, segundo ele, enfrenta crises periódicas diante da pressão da população por soluções rápidas, que aconteçam da noite para o dia, às vezes com a presença de um salvador da pátria. “A democracia liberal venceu o nazi fascismo e o comunismo. É a fonte de soluções para o que estamos enfrentando”, apostou.

De acordo com o vice-presidente da República, o mundo vive o momento da economia do conhecimento, diante da acumulação de capital e da inovação, e a capacidade de utilizar essa tecnologia com a ciência para aumentar a produtividade.  “Eis um desafio: resgatar a gestão econômica e nos adaptar a esse mercado global”, salientou.

Em relação ao Brasil, Mourão fez um breve relato da situação que antecedeu o governo Jair Bolsonaro para entendimento da atual situação econômica do país, próxima de um “shut down”, palavra usada para definir situação quando os gastos com os serviços públicos ultrapassam o orçamento.  Segundo Mourão, o país vive uma crise econômica, política e social, agravadas por uma estrutura logística deficiente e a falta de representação do pensamento da população através dos atuais partidos políticos. “Precisamos reconstruir nosso sistema político partidário de modo que os partidos representem o desejo da sociedade e nossos políticos sejam respeitados”, declarou.

CRISE SOCIAL E ECONÔMICA

Para Mourão, a crise social tem origem no mundo em transmutação e no ataque à família. “Se nós destruirmos a família, destruiremos a sociedade. Temos que manter os valores da família sempre como um farol para construção da sociedade”, assinalou. Já a crise econômica é resultado de um projeto de permanência no poder que começou no governo Lula e foi revelada pelo Mensalao e que depois se estendeu para o governo de Dilma Rousseff e resultou nos casos de corrupção.

“Desde 2014, estamos no vermelho. A luta titânica da nossa gestão econômica é trazer nossa conta para o azul. Temos que colocar o Brasil nos trilhos”, disse, mostrando um gráfico com números do superávit primário de 2010 até 2018.

Para isso, Mourão destacou o esforço do Congresso na aprovação em 1º turno da Nova Previdência. “Esperamos no retorno do recesso que o segundo turno seja votado e encaminhado ao Senado, mas considero que essa batalha está quase vencida. Os nossos parlamentares fizeram uma reforma boa”, elogiou.

O vice-presidente da República ainda citou outras ações do atual governo, como o enxugamento do número de ministérios (de 39 para 22), a nomeação de ministros com base em critérios técnicos e o corte de mais de dois mil cargos.  “O enxugamento ocorrerá de forma branda, pois à medida que funcionários vão se aposentando, novos não serão contratados”, explicou.

PRIVATIZAÇÕES E CONCESSÕES

Para sair do negativo, a privatização das estatais também está nos planos do governo, pois são mais de 400 empresas que podem render R$ 500 bilhões, segundo Mourão. Além disso, o governo trabalha um programa de concessões que pode arrecadar até R$ 1 trilhão.

Porém, outra reforma, a tributária, é considerada essencial para virar o jogo da crise econômica. “Vamos buscar a reforma tributária que racionalize esse sistema atual. A reforma tributária será feita sem aumento da carga total para buscar ao longo do tempo as reduções”, afirmou.

Mourão também destacou o importante papel do Brasil na política externa e criticou os “maus brasileiros que tentaram retratar o presidente Jair Bolsonaro como se fosse “Átila, o rei dos Hunos” no recente encontro do G-20, no Japão.

“Os atores globais enxergam o Brasil como de extrema importância. Existe uma visão positiva em direção ao nosso país. Esse contexto de acirramento geopolítico exige flexibilidade e pragmatismo.  As políticas são de Estado e não do governo de plantão”, alfinetou.

Para finalizar, Mourão voltou a destacar a democracia como um dos pilares fundamentais da civilização.  “Aqui, temos três vertentes que consideramos fundamentais: clareza, pois todos têm que entender o que o governo deseja; determinação para levar adiante, e paciência para o diálogo, pois a política só se constrói com diálogo”, completou.

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