O PC do B e o apoio a Colombo

Desconforto sobre a saída de João Ghizzoni do governo não deverá evoluir para um rompimento, mas deverá estar na pauta do encontro entre a direção do partido e o governador nesta quinta

O governador Raimundo Colombo recebe, na manhã desta quinta-feira, a direção estadual do PC do B, uma conversa corriqueira de aliados se não existisse um certo desconforto sobre um dos principais quadros do partido. A presidente estadual comunista, a deputada federal Angela Albino, confirma que trata-se de uma reunião “ordinária” para debater pontos de interesse, mas desmente que a situação de João Ghizzoni – ex-vereador da Capital por duas vezes, atual presidente da sigla na Capital, candidato ao Senado (2010) e um dos principais organizadores da sigla no Estado depois da ditadura militar –, que foi consultor na Secretaria estadual de Assistência Social, Trabalho e Habitação, tenha comprometido o relacionamento do partido com Colombo.
Desde o dia 1º de janeiro, Ghizzoni não faz mais parte da pasta por entendimento do secretário Geraldo Althoff (PSD). O motivo é o salário do ex-consultor, cerca de R$ 30 mil com encargos, resultado do cargo que ocupou na direção da Caixa Econômica Federal, da qual é funcionário de carreira, maior do que os cerca de R$ 8 mil da função. Pela legislação, Ghizzoni pode escolher o maior provento, mas o governo do Estado, por convênio, restituiu, mensalmente, os valores à Caixa, montante que motivou a posição de Althoff que atende a determinação de Colombo de que as pastas administrem salários e o custeio.
Angela Albino reforça que nada mudou em relação ao governador, baseia-se no argumento da eleição: o apoio de Colombo à presidente Dilma Rousseff e o compromisso com projetos sociais. A presidente do PC do B confirma que existe uma discussão sobre o futuro de Ghizzoni no governo, um processo em construção, chega a falar em “descompasso”, porém declarou que considera compreensível que Althoff, sucessor dela à frente da pasta estadual, tenha assumido a posição. Com um deputado estadual na Assembleia (Cesar Valduga), que, via de regra, tem votado com o governo, e a posição de Angela na Câmara, vista com bons olhos pelo Palácio do Planalto, pois deu mais um voto favorável a Dilma, não há interesse nem do PC do B nem do Centro Administrativo em atrapalhar o que está indo bem.

Na reunião
João Ghizzoni confirmou à coluna que participará da reunião desta quinta com Raimundo Colombo e que buscará saber do governador o interesse na permanência dele na administração estadual ou não. Antes disso, já comunicou à Caixa Econômica Federal que poderá retornar a Brasília, onde atuava no cargo de consultor de dirigente junto à presidência da instituição.

Outros cargos
O PC do B tem outros postos no governo de Raimundo Colombo, um deles ocupados por Arnaldo Zimmermann, pré-candidato à prefeitura de Blumenau, secretário executivo de Políticas Sociais do Combate à Fome. O cargo que tem sua autonomia e seus assessores são vinculados à Secretaria de Assistência Social, comandada por Geraldo Althoff.

“Todas as conclusões e documentação do partido são favoráveis ao governador Raimundo Colombo.”
Angela Albino, presidente estadual do PC do B, sobre a manutenção do apoio à administração catarinense.   

MARCOS BEDIN/DIVULGAÇÃO/ND

O governador Raimundo Colombo, cercados por empresários do agronegócio, sob o olhar de Gelson Merisio: problemas com o preço do milho que disparou

SOB O CHAPÉU NO OESTE
O evento era festivo, a emissão da primeira nota eletrônica a produtor rural pela Secretaria da Fazenda, em Chapecó, mas virou o ambiente ideal para que os presidentes Marcos Antônio Zordan (Ocesc), José Zeferino Pedrozo (Faesc) e Mário Lanznaster (Coopercentral Aurora), que é diretor de agronegócio da Fiesc, entregassem ao governador Raimundo Colombo um documento que alerta sobre a situação do setor produtivo e pede o apoio do chefe do Executivo junto ao governo federal. O problema é histórico, o preço do milho, que, desta vez, saltou de R$ 27 (outubro/2015) a saca para R$ 42 (janeiro/2016) com a prioridade à exportação e inviabiliza a agroindústria de Santa Catarina, que pede o subsídio de R$ 10 por saca e a intervenção da Conab para fazer leilões do produto. Na foto, da esquerda para a direita, Lanznaster, Colombo, o deputado Gelson Merisio (presidente da Assembleia), Pedrozo e Zordan.

Rumo ao Sul
Em uma época de governadores país afora a parcelar os salários dos servidores e a cancelar serviços públicos, uma discreta comemoração do Centro Administrativo de Santa Catarina, sem escárnio: o governador Raimundo Colombo inicia o ano com a inauguração de obras. Hoje, junto com o vice Eduardo Pinho Moreira, entrega o asfaltamento da rodovia SC-436, entre a comunidade de São Luiz e o município de São Martinho, obra de mais de R$ 9 milhões na obra que dará um impulso ao turismo religioso pois leva ao Santuário da beata Albertina Berkenbrock.   

JOSÉ AUGUSTO GAYOSO/DIVULGAÇÃO/ND

O embaixador Antônio Simões e a comitiva brasileira, na Espanha: o Brasil necessita de apoio político para ser uma potência no turismo

DIRETO DE MADRI
A foto é protocolar e mostra, da esquerda para a direita, o embaixador do Brasil na Espanha Antônio Simões, o ministro Henrique Eduardo Alves, e os catarinenses Vinícius Lummertz (presidente da Embratur) e Edinho Bez, deputado federal (PMDB), que participam, em Madri, da Fitur, uma das maiores feiras do setor de viagens e eventos do mundo. Fora do registro, nos bastidores, Lummertz conversou com o presidente da Organização Mundial do Turismo, Taleb Rifai, e ouviu dele que o Brasil poderá transformar-se em uma potência mundial do setor com a ferrenha vontade e decisão política de presidentes, governadores e prefeitos. Hoje, o país ocupa a vigésima oitava posição em competitividade global, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

Pressão
Procuradoria Jurídica da Assembleia iniciou o ano em clima de muito trabalho por conta de três ações diretas de inconstitucionalidade. Uma proposta pela Associação do MP de Contas, no Supremo, que chegou a pedir uma liminar contra a Lei Orgânica do TCE, negada pelo ministro Ricardo Lewandowski; outra do Sinjusc contra as novas alíquotas progressivas da Previdência Estadual dos Servidores, no Tribunal de Justiça; e uma do Sindicato dos Policiais Civis contra as medidas provisórias da Segurança Pública, onde os advogados do Legislativo contam com o apoio da Procuradoria Geral do Estado. E garantem que vêm mais. 

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